domingo, julho 14, 2013

Economia do país pode ‘encolher’ em algum momento do ano

Thais Herédia
Portal G1

Não dá mais para disfarçar. A economia brasileira está andando muito mais devagar e tem feito muitas curvas perigosas no caminho. O índice do Banco Central divulgado nesta sexta-feira (12), o IBC-Br, é mais uma demonstração da rota atual.

O IBC-Br apontou queda de 1,4% da atividade em maio, o pior resultado desde 2008, quando o mundo todo despencou. O resultado veio abaixo do consenso esperado mas, na essência, ele joga mais luz sobre uma mudança nas forças de equilíbrio da economia.

De 2010 até o ano passado, o consumo era o grande líder do crescimento. Vide a diferença entre o desempenho do varejo e do PIB em 2012: o primeiro cresceu mais de 8%; o segundo, apenas 0,9%. Reequilibrar consumo e produção é uma correção fundamental para o país, mas cobra um preço.

“Do lado da oferta, indústria costumava ser o patinho feio do crescimento. Mas agora o setor de serviços também parece começar a patinar. Veja os dados de vendas a varejo. Vinham em trajetória de crescimento forte por vários anos. Ultimamente andam mais de lado”, disse ao G1 o economista-chefe do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho.

Com inflação corrente rodando em 6,7% ao ano, a população já começou a pagar a conta. Para combatê-la, o BC começou a subir os juros há dois meses, levando a taxa para os atuais 8,5%. Vai continuar subindo porque ainda não há segurança de que o movimento feito até agora será suficiente para trazer inflação para baixo. Grande ou média, a dose vai empurrar para baixo quem já está um pouco arriado.

“É um dos fatores por trás da desaceleração (alta do juros). Mas não é o único. Lá fora tem a perspectiva de redução do estimulo monetário pelo Fed (banco central) americano, tem as dificuldades na China e tem preços de commodities fraquejando. Aqui dentro, além do juro, tem as incertezas domésticas com as repercussões dos protestos sobre o cenário político. Nada disso ajuda a perspectiva de crescimento”, avalia Marcelo Carvalho.

Entre os economistas começou a surgir a possibilidade de o Brasil registrar crescimento negativo no terceiro trimestre do ano. A recuperação registrada nos primeiros seis meses não assegura continuidade. Com dúvidas de que o BC não aperte tanto nos juros para não jogar lama no PIB, já começaram as revisões para novas altas da taxa Selic.

“Ainda não acho recessão o cenário mais provável. Mas um PIB trimestral próximo de zero no segundo semestre do ano? Provável. Negativo? Possível. O problema é que quanto mais fraco o ano termina, menor fica o carregamento estatístico pro ano que vem”, conclui o economista do BNP Paribas.