Míriam Leitão e Valéria Maniero
O Globo
O corte no orçamento deste ano, que gerou muita especulação - ficaria em dois ou um dígito? - acabou ficando em R$ 10 bilhões, abaixo do previsto. Mantega explicou que o objetivo do corte é melhorar os gastos públicos, que o governo está sempre buscando dar maior "transparência e solidez às contas públicas". Mas, na prática, os dados das contas públicas há muito não inspiram muita confiança depois de tanto truque fiscal. Felizmente, um deles, foi cancelado: o da antecipação dos recebíveis de Itaipu.
Dos R$ 10 bi cortados, R$ 5,6 bi serão em despesas obrigatórias e R$ 4,4 bi em despesas discricionárias, segundo os ministros. Esses cortes vão ajudar o governo a atingir a meta de 2,3% do superávit primário. No mercado financeiro todo mundo já trabalha com um superávit real em torno de 1,7%. Esse corte não ajuda a elevar o superávit.
Houve discussão a respeito (do tamanho do corte). Ninguém gosta de cortar, com exceção de uns e outros, mas finalmente chegamos a um denominador comum - disse o ministro Guido Mantega.
O governo acha que conseguirá elevar a receita por causa das concessões que serão pagas no processo de privatização de aeroportos e concessão do campo de Libra do pré-sal.
- Nesse segundo semestre teremos concessões que vão dinamizar a economia. O leilão de libra será um grande atrativo para muitas empresas. Com inflação mais baixa, volta o poder aquisitivo maior e com as perspectivas para o segundo semestre, a confiança estará voltando em breve - disse.
A Fazenda tem um número menos realista para o crescimento. Acha que vai o PIB vai crescer 3%. Os economistas de bancos e consultoria têm números em torno de 2%.
E o ministro joga a culpa no cenário externo ao dizer que a era é de incertezas e que "os pibs estão sendo revisados a todo momento". Justificou o número dele, maior do que o do mercado, dizendo:
- Nós também não podemos mudar de PIB como trocamos de roupa. Tem que dar um tempo para que se realize essa previsão. Às vezes, o mercado fica de mau humor. Estamos diminuindo nossa previsão de 3,5% para 3%. Nos próximos vamos avaliar para ver se é preciso fazer nova revisão - afirmou.