Luiz Tito
O Tempo
Na edição de ontem e ao longo desta semana, O TEMPO publica série de reportagens assinada pela editora de política, Carla Kreefft, resultado de sua viagem a cinco ilhas do Caribe para pesquisar a atividade e o sentido (ou a falta de) das embaixadas brasileiras criadas pelo governo Lula em Barbados, São Cristóvão e Névis, Trinidad e Tobago, Granada e Santa Lúcia. Somadas, por exemplo, as populações dos cinco países chegam a pouco mais de l,6 milhão de habitantes, o equivalente a menos de um terço da população da região metropolitana de Belo Horizonte, registrada no Censo de 2010.
O PIB desse conjunto, visto pelo governo como perspectiva de relacionamento comercial por meio de importações e exportações monta US$ 30 bilhões; na mesma região metropolitana de BH, o PIB medido em 2008 foi de quase US$ 70 bilhões, mais de o dobro do produzido pelos cinco países. No restante, os números são tão críticos que chega a deprimir o fato de no Brasil, com tanta miséria e carências, jogar-se tanto dinheiro fora. E o governo nada faz para estancar esse ralo, mesmo diante da realidade da inflação, motivada principalmente pelo aumento desordenado dos gastos públicos. Na semana que passou, a presidente
Dilma colocou seus ministros da área econômica (tardiamente) para trabalhar e conseguir uma poupança de US$ 10 bilhões nos gastos públicos. Não perde quem apostar que essa cifra não resultará do corte de desperdícios como esses denunciados pela reportagem. Um pente fino nas contas das representações brasileiras em todo o mundo produziria valores significativos, tenhamos certeza. A vida de luxo e desperdícios nas embaixadas brasileiras é um crime de lesa-pátria.
Também na semana passada, a imprensa denunciou os altos salários percebidos pelo quadro de funcionários e juízes do Tribunal de Justiça Militar de MG, cujos valores chegam a cifras vergonhosas. Apenas Minas, São Paulo e Rio Grande do Sul mantêm tais instituições de julgamento; em outros Estados, militares são julgados pelos tribunais civis, o que é perfeitamente mais adequado, porque no mínimo se suprime o corporativismo tão contestado. Caminham em paralelo absurdos como os salários e gastos na manutenção do Congresso Nacional, das câmaras municipais, das assembleias legislativas e dos tribunais de contas de todo o país, apenas como exemplos mais reluzentes.
O descontrole das receitas dos sindicatos, federações e confederações que, por exemplo, permitem ao empresário Paulo Skaf (e a centenas de outros em todo o país) investir R$ 16 milhões numa campanha publicitária simplesmente para aplaudir a redução das contas de luz e a aprovação da Medida Provisória dos Portos. O mesmo Skaf, que ninguém é capaz de dizer a que indústria pertence no país, como diretor ou presidente, lidera a contratação de espaços nas redes de TV para enfiar sua cara, em comerciais pagos pelo caixa do Sesi, Senai e da Fiesp. O resultado de tais campanhas, até agora, serviu para engordar sua avaliação nas pesquisas eleitorais, nas quais é citado como candidato ao governo de São Paulo. O exame e denúncia desses absurdos são motivos para mobilizar a imprensa e motivar as ruas na busca de medidas que aplaquem tais desgovernos. Não ao desperdício do dinheiro público deveria ser uma bandeira nacional.