sexta-feira, agosto 30, 2013

Governo quer ‘sindicato’ de bancos em concessões

Ronaldo D’ercole 
O Globo

Objetivo é reduzir riscos em crédito a grandes obras

SÃO PAULO E BRASÍLIA - O governo quer que os maiores bancos privados se unam às instituições federais para financiar projetos de infraestrutura que começarão a ser licitados no mês que vem. A formação de sindicatos de bancos — como forma de viabilizar os leilões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos programados pelo governo — foi discutida ontem em reunião entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os presidentes das quatro maiores instituições privadas do país (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e BTG Pactual).

Ficou acertado que, em duas semanas, os bancos apresentem propostas detalhadas sobre garantias e modelos de financiamento. Após o encontro, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério, Antonio Henrique Silveira, negou que o governo esteja buscando uma forma de isentar de riscos os bancos privados para atraí-los.

— A formação de sindicatos com bancos privados e também da Caixa, do Banco do Brasil e do BNDES é uma maneira de diversificar os riscos entre vários financiadores. Não existe discussão para retirar todo tipo de risco. Risco zero não existe.

Silveira admitiu, contudo, que o governo assumirá parte dos riscos por meio do Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE), que dispõe de R$ 11 bilhões e será subordinado à Agência Brasileira de Infraestrutura (ABGF), que começou a funcionar oficialmente ontem. Segundo nota do Ministério da Fazenda, o secretário de Assuntos Internacionais da pasta, Carlos Cozendey, será o presidente do Conselho de Administração da estatal.

— A ABGF atuará de foma limitada para mitigar os riscos não gerenciáveis pelo setor privado.

Em nota, Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, disse que irá trabalhar para estruturar um “consórcio de bancos públicos e privados” para atuar nas concessões, mas que este desafio implica uma “abordagem cuidadosa” da questão dos riscos.

Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, afirmou que avalia “positivamente as perspectivas dos leilões de concessão”. Jesús Zabalza, do Santander, disse que apoiará as “ideias para garantir que os leilões sejam um grande sucesso”.

Colaborou Martha Beck