segunda-feira, agosto 05, 2013

O governo contribuiu muito para o déficit comercial

O Estado de S.Paulo

O déficit da balança comercial de US$ 1,9 bilhão em julho, pior resultado desde julho de 1997, e de quase US$ 5 bilhões, de janeiro a julho, tem o governo como maior responsável. Sem o estímulo ao consumo de gasolina; sem a contabilização neste ano de importações realizadas em 2012; sem a perda histórica de competitividade da indústria e a baixa produção de petróleo; sem a contabilização, como exportações, de plataformas de exploração da Petrobrás; e sem uma política de câmbio de fato flexível, os maus resultados são consequência até certo ponto previsível da política de comércio exterior. E vão demorar muito para serem revertidos, ainda que o governo decida mudar sua política.

Quase todos os números do comércio exterior de julho são ruins. Pelo critério de média diária, as exportações caíram 14,4% em relação a junho e 5,2% em relação a julho do ano passado, enquanto as importações aumentavam, nas mesmas bases de comparação, 4,8% e 19,7%.

Comparando o superávit comercial de US$ 9,9 bilhões, entre janeiro e julho de 2012, com o déficit de quase US$ 5 bilhões, neste ano, a balança comercial deteriorou-se quase US$ 15 bilhões em apenas um ano. Em 12 meses, até julho, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) caiu de US$ 483,7 bilhões para US$ 474,6 bilhões, embora tenha tido leve alta neste ano.

Só o item petróleo e derivados deixou um saldo negativo de US$ 15,4 bilhões, em sete meses, com importações de US$ 26,7 bilhões (19,5% acima das de 2012) e exportações de US$ 11,3 bilhões (37,9% inferiores às de igual período de 2012), pelo critério de média diária. Além disso, caíram 1,6% as vendas de produtos básicos, pois o aumento das exportações de milho, soja, carne bovina e de frango não compensou o recuo do petróleo. E as vendas de manufaturados avançaram apenas 0,4%.

Parte das exportações, além disso, é apenas contábil: foram exportados US$ 2,8 bilhões em plataformas para exploração de petróleo - que não saíram do País. Sem isso, o déficit teria sido bem maior.

O desequilíbrio comercial poderia ser menor se o preço dos derivados de petróleo fosse corrigido, em favor do álcool. A Petrobrás também poderia investir mais na exploração e produção, além do pré-sal.

Mesmo a desvalorização do real de 2,7%, em julho, e de 12,5%, no ano, não bastou para esfriar importações e ajudar exportações. As contas externas pioram sem que a balança comercial possa socorrê-las.