terça-feira, setembro 10, 2013

A espionagem esquisita sobre a Petrobrás

Adelson Elias Vasconcellos

Em tempos de popularidade se arrastando, tentando recuperar o terreno  perdido, e usando o Estado brasileiro como aparelho partidário em busca de reeleição,  não me estranha nenhum um pouco a reação destemperada do governo Dilma e petistas em geral, quanto as informações reveladas da  espionagem norte-americana sobre as falas de Dilma (se é que alguém consegue traduzi-las!), e supostas  invasões de arquivos da Petrobrás.

Quanta as conversas de Dilma com seu auxiliares, já me manifestei no sentido de que o governo deve, sim, cobrar explicações. Mas nada que vá muito além da ação diplomática. Espionagem existiu sempre na história da humanidade. Quem não quiser ter seu território privado invadido por xeretas, que trate de se resguardar e adotar medidas que impeçam esta invasão. Até porque o governo brasileiro também se utiliza de suas embaixadas no exterior para dar sua “espiadinha” nos outros.

Quanto à reportagem do Fantástico sobre a espionagem na Petrobrás, e apesar de ter prestado o máximo de atenção sobre o conteúdo da reportagem, embora o nome da estatal tivesse sido citado várias vezes, não consegui identificar que informações teriam sido obtidas. Se alguém souber, o blog está liberado para transcrever as ditas informações.   A simples citação do nome da empresa não é suficiente para se imputar uma acusação concreta. 

Enquanto o assunto não se esclarecer de vez, qualquer manifestação do tipo “nacionalista” não passa de mera retórica. Neste sentido, o alvoroço de alguns mancebos tupiniquins no sentido de se suspender o leilão do Campo de Libra não vai além de puro jogo de cena. 

Neste particular, as esquerdas sempre que se encontram mal vistos pela opinião pública, adoram apelar para um inimigo externo em busca da soberania ultrajada. Tentam com tal estratagema desviar o foco de insatisfação sobre seus governos.

Agora, voltem à reportagem. Quais documentos foram “espionados”? Quais informações foram conseguidas? Isto, e a reportagem é enfática, é desconhecido.    Há uma série de quadros que se pode desenhar em qualquer programa do tipo “power point”.  Hoje, a própria Petrobrás garantiu a segurança de seu sistema de informações técnicas e estratégicas. 

Assim, a citação do nome da Petrobrás em documentos da agência americana, não é prova latente de que tenha havida a tão propalada invasão. A nota do Palácio Planalto sobre o assunto, inclusive,  faz referência a um “se forem consideradas verdadeiras”. Ou seja, nem o Planalto considera que o que a reportagem da Rede Globo tentou mostrar pode ser tomado como fato concreto. 

Claro que há uma parcela reduzida de pessoas que, tendo acesso as informações  e contando com certo grau de cultura, tende a raciocinar de maneira mais branda, com serenidade. Porém, a grande massa é movida pelo ouvir falar, pelo “deu na Globo”, ou um “passou na tevê”. E esta grande massa é composta de pessoas com pouca informação e pouca instrução, sem ter condições de refletir racionalmente, são levadas pela emoção. 

Que me perdoe o jornalista Greeenwald,  mas os tais “documentos” vazados para a reportagem, podem ser compostos e montados em qualquer computador pessoal. Ali não se encontrou absolutamente nada que embase, de forma definitiva e incontestável, alguma ação de espionagem sobre a Petrobrás.   Até porque, as informações sobre o pré-sal do campo de Libra, na Bacia  Santos, são públicas e se encontram à disposição para os interessados em participarem do leilão. E isto também foi indicado na nota da Petrobrás sobre o caso.

Um pouco de serenidade e precaução diante destas reportagens com cheiro de sensacionalismo, faz bem.  A agência de inteligência NSA até pode ter invadido os computadores da Petrobrás para obter alguma informação estratégica de suas operações. Contudo, isto não ficou comprovado pela reportagem.  Talvez Greenwald tenha lá outros documentos que possa indicar a ação de espionagem. Porém, dentre os que a Globo exibiu, isto não ficou demonstrado.

Algo que intriga é a mudança da Rede Globo de Televisão em relação ao governo Dilma. De imensamente crítico até alguns meses atrás, de repente, passou a aliviar o pé. Estas reportagens sobre a atividade de espionagem da agência americana NSA, primeiro sobre o governo Dilma e agora sobre a Petrobrás, deveriam merecer uma filtragem para se saber até aonde vai a notícia, ou por onde começa uma questão de vindita pessoal do ex-espião Snowden contra seus antigos empregadores, na tentativa de desqualificá-los. 

Quanto à Globo, espero que isto nada tenha a ver com sua dívida junto a Receita Federal. Em todo caso, tempo ao tempo.  Porque ninguém é tonto ou tão inocente a ponto de considerar que o Brasil não desperte atenção não só de americanos, mas do restante do mundo. Do mesmo modo como também fuçamos mundo afora informações sobre empresas e governos que atendam aos nossos interesses.  

Repito, o Brasil, em se confirmando a espionagem, tem todo o direito de se indignar e exigir explicações. Mas que não nos iludamos: tal prática está disseminada no mundo inteiro, ainda mais em tempos do atual progresso tecnológico. Quem quiser se resguardar que trate de tomar  as providências para se proteger.