terça-feira, setembro 10, 2013

Rússia pede à Síria que coloque armas químicas sob controle internacional

O Globo 
Com Agências Internacionais

França declara que a ação é aceitável sob condições, incluindo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU

REUTERS 
O chanceler do Reino Unido, William Hague, cumprimenta
 o secretário de Estado dos EUA, John Kerry 

LONDRES - Depois que a Síria considerou bem-vinda uma proposta russa para colocar seu arsenal de armas químicas sob controle internacional, como forma de evitar um intervenção militar do Ocidente ao país, foi a vez da França declarar que a ação era aceitável sob condições, incluindo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Apesar disso, os Estados Unidos receberam a notícia com ceticismo. Os acontecimentos vieram rapidamente após o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmar que um meio de evitar o ataque seria o regime de Bashar al-Assad entregar seu armamento químico em uma semana, embora não acreditasse nessa possibilidade. As reações parecem refletir um amplo desejo internacional de acalmar a atmosfera de confronto iminente, mesmo com o lobby pesado do presidente Barack Obama para angariar apoio no Congresso de um ataque militar.

Não está clara a intenção da Síria ou se o assunto evoluirá para uma proposta consistente. A declaração de Kerry, no entanto, acabou criando uma saia-justa para a Casa Branca, com a possibilidade de a ideia ser levada à ONU.

“A proposta do ministro das Relações Exteriores russo é digna de escrutínio”, disse em um comunicado o chanceler francês, Laurent Fabius. “Seria aceitável sob pelo menos três condições: que Assad coloque seu arsenal químico sob controle internacional rapidamente, que permita que ele seja destruído, e que a operação ocorra depois de uma resolução do Conselho de Segurança”.

Logo após a Síria indicar que avaliaria a possibilidade de entregar suas armas, o Departamento de Estado americano ressalvou que a declaração de Kerry não passava de um “argumento retórico sobre a impossibilidade e a improbabilidade” de Assad fazê-lo. E que avaliaria com firmeza a “proposta russa”:

“Vamos ter que dar uma olhada firme na declaração russa... para então entendermos exatamente o que os russos estão propondo”, disse a porta-voz do Departamento de Estado Marie Harf. “Claramente nós temos algum ceticismo sério”, afirmou.

Mais cedo, perguntado por um repórter se havia algo que o regime sírio poderia fazer ou oferecer para evitar uma ofensiva liderada pelos EUA, Kerry respondeu:

- Claro, ele (Assad) poderia entregar cada uma de suas armas químicas para a comunidade internacional na próxima semana, tudo isso sem demora, mas ele não está prestes a fazê-lo e nada pode ser feito - disse.

Em seguida, o chanceler russo Sergei Lavrov aproveitou o “ultimato” de Kerry e repassou rapidamente a proposta ao ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, que disse que seria bem-vinda, sem explicitar se o país árabe iria aceitá-la. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por sua vez, afirmou que estuda apresentar a ideia ao Conselho de Segurança.

Enquanto o Congresso americano debate uma resolução que permite os Estados Unidos atacarem a Síria, a resistência do povo americano cresce. Segundo pesquisa da CNN / ORC divulgada nesta segunda-feira, 59% dos americanos se opõem à resolução. Caso os parlamentares rejeitem a resolução, o número cresce para 71%.

‘Não atacar seria mais perigoso que atacar’, diz Kerry
Em entrevista conjunta com o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, em Londres, Kerry argumentou que não atacar a Síria seria mais perigoso do que atacar. Embora tenha dito que não sabe como o presidente Obama reagiria se perdesse a votação no Congresso sobre a ação militar, ele destacou que seria um erro para o governo dos EUA não ordenar um ataque.

Kerry rejeitou as alegações de que o presidente sírio não autorizou pessoalmente o ataque com armas químicas em 21 de agosto. E voltou a afirmar que os americanos estavam planejando um ataque “incrivelmente pequeno” no país árabe.

- Na Síria, apenas três pessoas controlam o uso de armas químicas: Assad, seu irmão e um general - disse.

O secretário de Estado ressaltou ainda que a relação entre o Reino Unidos e os Estados Unidos nunca foi tão forte, apesar do Parlamento britânico ter decidido não participar de uma ação militar contra a Síria.

Hague reafirmou que o governo respeita plenamente a decisão tomada pelos parlamentares. E disse que o Reino Unido ainda tem quatro prioridades: pressionar para conversações de paz em Genebra, oferecer ajuda humanitária, tentar fortalecer a oposição moderada e tomar uma posição firme sobre o uso de armas químicas.

Rússia e Síria pedem para EUA não realizar ataques
Depois de conversar com o ministro da Relações Exteriores sírio, Walid al-Moualem, seu homólogo russo Sergei Lavrov pediu aos Estados Unidos para centralizar seus esforços para convocar uma conferência de paz em vez de lançar uma ação militar.

Lavrov disse que um ataque militar americano na Síria poderia levar à disseminação do terrorismo, enquanto Walid al-Moualem acusou Obama de apoiar os terroristas, fazendo uma comparação com os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.