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Inspetores das Nações Unidas no país apuram denúncias de três ataques posteriores ao massacre de 21 de agosto
( Justin Lane/EFE)
Reunião do Conselho de Segurança da ONU.
Inspeções podem começar na semana que vem
As Nações Unidas informaram nesta sexta-feira que a equipe de inspetores que chegou à Síria nesta semana investiga sete denúncias de ataques químicos no país - três deles posteriores ao de 21 de agosto, já comprovado pela ONU e em que pelo menos 1 400 pessoas morreram. Segundo a organização, os resultados da investigação devem ser divulgados no fim de outubro.
Os três locais em que teria ocorrido ataques químicos após o massacre no subúrbio de Damasco são Bahariye, perto da capital, no dia 22 de agosto, Jobar, um bairro do Nordeste de Damasco, no dia 24 daquele mês, e Ashrafié Sahanya, também na capital, no dia 25. Não há informações sobre quantas pessoas teriam morrido nesses ataques. De acordo com a ONU, os inspetores devem deixar o país na próxima segunda-feira. Há cerca de dez dias, um relatório da organização confirmou que gás sarin foi usado no ataque do dia 21 de agosto.
Inspeções -
Já as inspeções ao arsenal químico do ditador Bashar Assad podem começar já na próxima terça-feira. Esse é o desejo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), o órgão internacional que responsável pelo controle desse tipo de armamento e ao qual a Síria começou a enviar dados na semana passada, como parte de um acordo firmado entre a Rússia e os Estados Unidos.
A previsão para o início das inspeções consta em um rascunho de uma proposta que deverá ser votado conselho executivo da Opaq no fim da tarde desta sexta-feira, em Haia, na Holanda. O documento também prevê que os inspetores deverão ter acesso a todos os locais suspeitos de armazenar armas químicas, mesmo que eles não tenham sido incluídos na lista oficial enviada pelo regime sírio. Segundo a rede BBC, essa última parte é inédita em acordos semelhantes, já que os inspetores costumam apenas visitar lugares autorizados previamente.
Caso seja aprovado, o rascunho será incorporado na resolução acertada na quinta-feira entre os Estados Unidos e pela Rússia, e que também será votada nesta sexta-feira pelos membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Caso as propostas sejam aprovadas, os inspetores devem começar a ser mandados à Síria a partir de segunda-feira.
O documento da Opaq, que precisa de maioria simples entre os 41 membros do conselho executivo para ser aprovado, também estabelece a meta de destruir o arsenal sírio até o fim do primeiro semestre de 2014. A proposta também pede para que os membros da Opaq doem dinheiro para a medida, já que a destruição segura do material deverá custar bilhões de dólares. Estima-se que Assad possua cerca de 1.000 toneladas de armamento químico, incluindo gases sarin e mostarda.
Há pouco mais de duas semanas, o regime sírio concordou em entregar o controle do seu arsenal para evitar uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos, que acusaram Assad de ter usado armas químicas contra a população. Após seguidas ameaças dos EUA de bombardear a Síria, a Rússia, aliada ao regime sírio, propôs o plano que prevê a entrega do arsenal. Faltava aprovar uma resolução sobre o plano no Conselho de Segurança.
Russos e americanos passaram então a divergir se o plano deveria incluir uma cláusula que estabelecesse punições caso os sírios não cumprissem sua parte no acordo. A Rússia se mostrou contra. Na quinta-feira, Moscou e Washington finalmente acordaram uma proposta de resolução para que os sírios entreguem seu arsenal e permitam o acesso irrestrito de inspetores. O texto acertado não especifica ações militares contra o regime caso ele não cumpra sua parte, mas também não descarta a aplicação do Capítulo VII da Carta da ONU, que prevê esse tipo de sanção.
No entanto, pelos termos do acordo, a aplicação do capítulo vai depender da aprovação de outra resolução, que a Rússia, como membro permanente do Conselho de Segurança, poderá vir a vetar.
