Marcello Corrêa
O Globo
Segundo Pnad, pela primeira vez, maioria dos brasileiros optou por usar apenas aparelhos móveis, desfazendo-se dos fixos
Gustavo Stephan / Agência O Globo
O designer Christiano Chamusca trocou o fixo
pelo celular para organizar melhor as contas da família
RIO - Em 2012, o percentual de domicílios com telefone ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos 90%. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, revelada nesta sexta-feira pelo IBGE, 57,3 milhões de domicílios - 91,2% dos pesquisados pelo instituto - tinham algum tipo de telefone (móvel ou fixo) no ano passado. Dos 13 itens acompanhados pela Pnad, o aparelho é o que teve o 6º maior avanço, de 4,07% em relação a 2011.
A alta registrada é puxada praticamente apenas pela posse de aparelhos celulares, aponta o IBGE. A Pnad 2012 confirmou uma tendência que já vinha sendo observada em anos anteriores: cada vez mais, o brasileiro opta por ter apenas telefones móveis, deixando de lado as linhas fixas. No ano passado, 51,4% dos lares contava apenas com celulares. É a primeira vez que a maioria das casas utiliza apenas esse tipo de aparelho. O percentual é bem superior aos que tinham fixo e móvel (36,9%) e muito maior que os que tinham apenas fixo, apenas 3%, com tendência de queda. Entre 2011 e 2012, a quantidade de lares equipados apenas com linhas convencionais recuou 12,5%, ficando em apenas 1,9 milhão de domicílios.
O designer Christiano Chamusca é um dos que contribui para aumentar esta estatística. Em 2008, ele resolveu deixar de lado o telefone fixo que dividia com a mãe e a irmã. Com três pessoas utilizando o mesmo aparelho, ficava difícil dividir a conta, que chegava a R$ 500 por mês. Quando a fatura vinha mais cara, ninguém sabia ao certo quem deveria arcar com a maior parcela do débito. Hoje, cada um tem seu próprio celular.
- A gente sempre teve problemas de administrar a conta do telefone fixo. Sempre vinha alta. E um acabava colocando a culpa no outro. Então resolvemos abolir o fixo e cada um pagaria o seu celular. Então, cada um investia no plano que pudesse pagar. E com a vantagem de um celular: você pode conversar em qualquer lugar - conta Chamusca, que não se arrepende de ter feito a troca.
Para o sócio diretor da consultoria KPMG, esta é uma tendência, que inclusive já tem nomenclatura no setor: substituição fixo-móvel. Segundo ele, tudo indica que as operadoras de telefone fixo terão que oferecer mais e melhores serviços para atrair clientes.
- O telefone fixo deixou de ser um bem essencial, que pode ser substituído pelo celular. Para os operadores que vendem só fixo, a alternativa é ganhar relevância, colocando serviços, valor agregado, como oferta de TV - afirma o analista
De acordo com dados da PNAD, a substituição do telefone fixo pelo móvel vem sendo registrada desde 2003, ano que inicia a série histórica sobre o tema do IBGE. Desde então, os comportamentos dos dados de posse dos dois tipos de aparelho têm sido completamente diferentes. Enquanto a posse de apenas convencional diminuiu 84%, o número de lares apenas com telefone celular disparou mais de 480%.
