terça-feira, setembro 24, 2013

Quem é o Al-Shabaab, grupo que aterroriza o Quênia

Amanda Previdelli
Exame.com

Um atentado em shopping na capital do Quênia colocou o Al-Shabaab, grupo terrorista da Somália com ligações com a Al-Qaeda, de volta ao centro das atenções do mundo

Reuters
Soldados do Quênia na chegada ao shopping center

São Paulo – Desde sábado, a população de Nairobi, no Quênia, vive momentos de terror. Um grupo armado invadiu o shopping Westgate, um dos mais movimentados e luxuosos do país, e mantém um número indefinido de reféns. Tiros e enfrentamentos entre terroristas e soldados do exército queniano ainda podem ser ouvidos a quilômetros de distância. Cerca de setenta pessoas já morreram.

Um grupo usou a rede de microblogs Twitter para reinvindicar, já no sábado e em inglês, a autoria do ataque: o Al-Shabab, composto por jovens militantes islâmicos da Somália.

De acordo com postagem na rede de microblogs, o grupo afirmou que o ataque é uma resposta à “invasão” queniana na Somália e que apenas não-muçulmanos foram agredidos. Segundo um tuíte, "muçulmanos foram escoltados para fora do shopping”. O  Twitter já desativou a conta. 

Força policial somali prende membros suspeitos do grupo al Shabaab
 durante operação no distrito de Madina

O Al-Shabab, que em árabe significa "juventude",  surgiu na Somália,  como uma ala militar e extremista durante a década de 1990 e 2000.  

Em 2006, a facção cresceu como oposição quando a Etiópia invadiu o país e retirou o grupo fundamentalista União das Cortes Islâmicas do poder. A partir de então, Al-Shabab seguiu vias terroristas e técnicas de guerrilha na guerra civil somali. 

Com a saída da Etiópia da região, as forças de paz foram substituídas consecutivamente por exércitos regionais que tentaram estabilizar a região somali.

Pessoas fogem de disparos em shopping do Quênia: 
rajadas de tiros ocorrem de forma ininterrupta desde o amanhecer

Em 2011, o vizinho Quênia invade a Somália acusando o grupo de promover ataques terroristas na fronteira. Os ataques deste final de semana, segundo o Al-Shabab, são em retaliação às intervenções militares quenianas. E são “apenas o começo”, de acordo com post na página do grupo no Twitter.

Questões internas
O Al-Shabab é um grupo jihadista por definição e, de acordo com relatos locais, conta com um número desconhecido de seguidores - a estimativa, segundo reportagem do Telegraph, é de que os militantes variem de 4 a 9 mil pessoas. Nas regiões que chegaram a ficar sob controle do grupo na Somália, o Al-Shabab  instituiu uma forma própria e extremamente rigorosa da Sharia, lei islâmica. Segundo a imprensa local, houve casos de mulheres apedrejadas até a morte por “crimes sexuais”, por exemplo.

Forças de segurança cercam shopping no Quênia: 
"temos a segurança de que mais reféns serão resgatados", disse ministro

O grupo é difuso e composto por diversas lideranças que se organizam em clãs - muitos, inclusive, brigam entre si. Por conta da descentralização, a célula terrorista não possui uma agenda ou uma ideologia consolidada.

 Aos 36 anos, Ahmed Abdi Godane, um desses líderes, estaria lutando para se consolidar no poder. Em junho deste ano, ele teria sido responsável pela morte de outros 4 chefes do grupo, de acordo com o The Guardian. 

Densa fumaça é liberada do shopping Westgate de Nairóbi, no Quênia:
 atentado deixou 69 mortos e 63 desaparecidos

A aproximação de Godane com a Al Qaeda, desde 2011, teria influenciado o Al-Shabab a organizar ataques suicidas nos moldes do grupo que já foi liderado por Bin Laden. Em 2010, o grupo tomou as manchetes do mundo ao assumir responsabilidade por um ataque em Uganda que matou dezenas de pessoas durante a transmissão em praça pública do último jogo da Copa do Mundo.


Policias quenianos em shopping de Nairóbi