quarta-feira, outubro 30, 2013

No Congresso americano, chefes de inteligência negam espionagem indiscriminada

O Globo 
Com Agências Internacionais

Clapper diz que aliados estrangeiros conduzem regularmente atividades de espionagem contra líderes americanos

Diretor da NSA rejeita pedidos para limitar poderes da agência de espionagem

JIM WATSON / AFP 
Manifestantes seguram cartazes pouco antes do discurso
 de Keith Alexander (esquerda) e James Clapper 

WASHINGTON - Os principais chefes da inteligência dos Estados Unidos compareceram nesta terça-feira ao Congresso para depor sobre as denúncias de espionagem americana. Diante de democratas e republicanos, o diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), general Keith Alexander, e o diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, negaram que o governo tenha espionado indiscriminadamente cidadãos, admitiram que falhas humanas possam ter ocorrido, mas ressaltaram a importância do programa de monitoramento para a segurança do país. E rejeitaram limitar pedidos para limitar poderes da agência de espionagem.

Os dois compareceram à Câmara dos Representantes em uma audiência pública, em que um manifestante com um óculos gigante e um cartaz foi retirado logo em seu início. Clapper garantiu que os EUA não espionam “indiscriminadamente cidadãos de nenhum país”.

- O que a NSA faz tem propósitos legítimos de Inteligência, sempre respeitando a lei. Nosso meio de vida nunca esteve tão ameaçado como nos últimos 50 anos. Uma das primeiras coisas que eu aprendi no início da minha carreira, ainda em 1963, é que é preciso aprender as intenções dos líderes - afirmou, em uma referência às recentes denúncias de que presidentes e primeiros-ministros foram monitorados, inclusive de países aliados.

Alexander começou seu discurso lembrando que a NSA protege a vida de americanos, de pessoas em outros países, e também das “liberdades e direitos civis”. Ele defendeu a agência que comanda há mais de oito anos dizendo que é composta pelas “melhores pessoas desse país, que apoiam nossas tropas no Afeganistão”.

- Como chegamos até aqui? 11 de Setembro. Eles não pararam de nos odiar - afirmou Alexander, recordando que 15 mil pessoas morreram nesta década em atentados terroristas em vários países do mundo - dentre eles Iraque e Afeganistão - e que nenhum tinha sido nos Estados Unidos.

O diretor da NSA disse ainda que os europeus também espionam os Estados Unidos e que todo americano que viaja para países aliados precisam se proteger. De acordo com ele, aliados estrangeiros conduzem regularmente atividades de espionagem contra líderes americanos e serviços de inteligência do país. Em relação às mudanças já anunciadas nas agências de inteligência, Alexander ressaltou que algumas pessoas serão contratadas para melhorar a transparência da NSA.

- Estamos chamando para a equipe um oficial de liberdades e direitos civis - cita Alexander. - Nós levamos isso muito a sério.

Tanto Alexander quanto Clapper desmentiram as matérias dos jornais “El Mundo” e “L’Espresso” afirmando que são resultado de má reportagem. Sabatinados, os dois foram questionados.

- Afirmações recentes de meios de comunicação europeus de que a NSA teria monitorado dezenas de milhões de ligações telefônicas na Europa são completamente falsas - disse Alexander.

A democrata Janice Schakowsky afirmou que ficou com a impressão de que, ao enfatizar o patriotismo da NSA, Clapper dava a entender que os que a criticam não são patriotas.