Alvaro Gribel e Valéria Maniero
O Globo
A indústria tem contribuído pouco para o PIB, e o consumo tem sido o motor do crescimento. Por isso, preocupa a desaceleração das vendas do comércio, que, na taxa acumulada em 12 meses, registraram o ritmo mais fraco dos últimos sete anos: alta de 4,77% em setembro. As vendas estão crescendo, mas com menos vigor. Isso aumenta a necessidade de alavancar os investimentos.
Na comparação mês a mês, as vendas do comércio subiram pela sétima vez seguida em setembro, com alta de 0,5% em relação a agosto. O problema é que as taxas deste ano têm ficado sempre mais baixas que as do mesmo período de 2012, e isso reduz o número acumulado em 12 meses, que é o que mais importa quando se pensa no crescimento econômico de um ano. Desde março de 2006, o comércio não crescia tão pouco quanto os 4,77% de setembro. Para efeito de comparação, as vendas chegaram a crescer 10,9%, em 2010, e fecharam 2012 com 8,14%.
Esse desempenho abaixo do esperado também é percebido no resultado das empresas de capital aberto no terceiro trimestre, segundo o analista da Ativa Corretora, Lucas Marins. A combinação de inflação mais alta, aumento dos juros e a inadimplência estacionada em patamares elevados tem se refletido nos balanços de várias companhias que têm ações na bolsa.
— Se a gente quiser fazer uma correlação entre o PIB e o balanço das empresas, o melhor setor para se olhar é o ligado ao consumo. Os resultados confirmam a perda de vigor. A Ambev e a Hering tiveram números fracos, por exemplo; os shoppings aumentaram a receita com aluguéis, mas houve ganhos menores pelas vendas das lojas — explicou.
Quem olha para os números do comércio se espanta com a diferença entre o volume de vendas e a receita nominal. Enquanto o primeiro cresceu nesse ritmo de 4,7%, em 12 meses, o segundo disparou 12%. A receita dos supermercados subiu 13,2%. O que parece muito bom, na verdade, não é. O fenômeno é explicado pela inflação alta, principalmente dos serviços, que encarece o custo dos lojistas e é repassado para o preço dos produtos.
Termômetro da atividade
Sai hoje o IBC-Br de setembro, o índice de atividade econômica do Banco Central. Se a mediana das expectativas, que está em 0,15%, se confirmar, o indicador terá fechado o terceiro tri com uma queda de 0,1%. Mas o economista Rafael Bacciotti, da Tendências, está um pouco mais otimista: prevê alta de 0,4% em setembro e estabilidade no trimestre:
— A indústria foi melhor, cresceu 0,7%, mas o comércio ampliado registrou queda. Esse índice é importante para entender o comportamento da atividade, mas não necessariamente antecipa o PIB.
Em agosto, a economia havia crescido pouco, 0,1%, de acordo com esse indicador do BC.
Europa.
Desta vez, nem a Alemanha se livrou do vermelho. Em setembro, a produção industrial do país teve queda de 0,8%, enquanto a da zona do euro recuou 0,5% e a da França, 0,4%.
Alerta.
A S&P, agência que colocou o Brasil em perspectiva negativa, disse ontem que pode alterar a nota do país antes das eleições do ano que vem, se a situação fiscal continuar ruim.
