domingo, março 30, 2014

Novo ministro assume e prepara 'tropa de choque'

Tânia Monteiro 
O Estado de S.Paulo

Antes de tomar posse, Berzoini começa busca por aliados para integrar comissão; petista fará dupla na articulação política com Mercadante

BRASÍLIA - Antes mesmo de assumir o cargo, na terça-feira, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, já está em campo para cumprir a sua primeira missão: montar uma tropa de choque de governistas absolutamente fiéis ao Planalto para ocupar as cadeiras da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás.

Ao mesmo tempo, Berzoini terá como missão imediata trabalhar para ganhar a questão jurídica da futura CPI: que seu foco possa ser ampliado para que ela possa incluir outras questões, além da Petrobrás.

O Planalto quer que a comissão apure também questões que envolvam os governos do PSDB de Aécio Neves e do PSB de Eduardo Campos, prováveis adversários de Dilma nas eleições de outubro. Assim, esvaziaria o ímpeto oposicionista de tornar a CPI um palco para as eleições contra a presidente Dilma Rousseff e seu governo.

Com respaldo do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Berzoini chega ao Planalto para dividir o poder com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que, até agora, reinava absoluto, já que a ministra Ideli Salvatti, que deixa o posto para assumir a Secretaria de Direitos Humanos, estava completamente desgastada. Mercadante, que estava procurando trabalhar nos bastidores na coordenação política, já conversou com Berzoini e os dois dividirão a função com os líderes governistas de encontrar os nomes "a dedo" para compor a comissão parlamentar.

Missão. 
Auxiliares da presidente Dilma Rousseff asseguram que a parceria entre os dois está azeitada e que Berzoini chegará reforçado. O ideal para o Planalto era que, neste fim de semana, Berzoini estreasse nas suas funções, mesmo sem ter assumido o cargo. O objetivo seria conseguir reverter assinaturas de parlamentares da base aliada das listas da CPI.

Mas, como já não se trabalha mais com esta hipótese, o que a presidente espera dele é que consiga montar uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, com assuntos que envolvam também temas problemáticos para a oposição e que, quando ela for instalada, na próxima terça-feira, os nomes governistas já estejam certos para ocupar suas cadeiras.

O desenho que está sendo trabalhado pelo Planalto é que o presidente da CPMI será o senador João Alberto (PMDB-MA). O relator terá seu nome discutido no fim de semana, mas será do PT. Caberá exatamente a Berzoini procurar este nome e outros para a montagem da artilharia a ser usado pelo governo contra a oposição.

O governo está se preparando para que, a montagem desta CPI seja a mais cuidadosa possível, com controle total do Planalto, que tem a maioria das cadeiras. O governo acredita que a previsão de leitura da instalação da CPMI seja na terça-feira, com imediata nomeação da maioria governista.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Berzoini foi imposição de Lula e sua nomeação tem um único objetivo: baixar o nível do debate político, dentro da estratégia canalha que o PT sempre empregou quando se sentiu ameaçado. 

Com tal intervenção, fica claro que a senhora Rousseff não passa de preposta do ex em exercício. A ordem dada por Lula para nomear Berzoini terá, ainda, uma consequência imediata: reduzirá as asas de Aloisio Mercadante. 

 Na função, Ideli nunca disse a que veio, coisa, aliás, previsível quando de sua nomeação. Dilma a deslocou da Pesca para as relações Institucionais, cargo que exige jogo de cintura, coisa que todos sabem nunca foi uma virtude em Ideli Salvatti.  E colocá-la na Secretaria de Direitos Humanos dá bem a dimensão de mediocridade que caracteriza a equipe com que a senhora Rousseff se cercou para governar o país. 

Interessante: Berzoini lembra o caso dos Aloprados, tentativa canalha de sabotar uma eleição e do Bancoop, que lesou milhares de famílias, caso que até hoje não levou ninguém para cadeia.  Como sempre se disse, petista de alto coturno tem que ter ficha corrida, situação em que sempre será agraciado com altos cargos.