domingo, março 02, 2014

Venezuela ordena prisão de coordenador de partido opositor

O Globo
Com Agências Internacionais

Justiça não confirma informação; em Caracas, novo confronto entre manifestantes e policiais

REUTERS 
Opositor acende um coquetel molotov em um pneu em chamas 

CARACAS - O partido Vontade Popular, o mesmo do líder opositor preso Leopoldo López, confirmou nessa quinta-feira que a Justiça venezuelana emitiu uma ordem de captura de um segundo membro da legenda acusado de responsabilidade por mortes ocorridas em protestos no país. A imprensa venezuelana divulgou a cópia do mandato.

Segundo documento publicado, o 16º Tribunal de Funções de Controle emitiu uma ordem de prisão contra o coordenador político do partido, Carlos Vecchio. O documento da Direção Geral de Contra Inteligência Militar determina a captura de Vecchio “por suspeita de cometer delito determinante de incêndio intencional, instigação pública, danos e associação” — as mesmas acusações feitas contra López.

López, considerado um líder mais à direita que Henrique Capriles, convocou o movimento “A Saída”, cuja estratégia é ocupar ruas com barricadas e protestos para forçar a saída do presidente Nicolás Maduro, eleito em abril passado.

O opositor se entregou no dia 18 de fevereiro ao que classificou como uma “justiça injusta” e permanece preso em uma prisão militar. A ordem de prisão contra ele foi anunciada no próprio dia 12 de fevereiro, quando milhares de venezuelanos pró e contra governo se manifestaram em Caracas. Ações de grupos armados deixaram três mortos e o governo responsabilizou López. A oposição afirma que milícias ligadas ao chavismo foram as responsáveis pela violência.

Segundo o governo, López corre riscos de vida porque grupos de extrema-direita querem matá-lo para promover jogar o país no caos. Seu advogado disse esta semana que iria recorrer à decisão que o proibiu de se defender em liberdade.

Novos protestos
Enquanto o chanceler venezuelano Elías Jaua busca respaldo regional para a atual repressão às manifestações e para pressionar à oposição ao diálogo, novos protestos ocorreram na capital Caracas.
Centenas de pessoas foram dispersadas pela polícia nesta quinta-feira, no leste da cidade, durante uma manifestação.

Após um protesto pacífico sob o lema "Nem mais um morto", em El Rosal, no leste da capital, centenas de pessoas bloquearam as ruas da vizinha região de Las Mercedes e atiraram pedras contra a polícia de choque, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo.

O prefeito do município de Baruta (região de Las Mercedes), Gerardo Blyde, escreveu no Twitter que após os confrontos os serviços de saúde "atenderam 20 pessoas, algumas intoxicadas (por gases) e outras contundidas na correria".

Na região da Praça Altamira, situada no município de Chacao, também ocorreram incidentes quando centenas de estudantes tentaram fechar a avenida que atravessa Caracas de leste a oeste e foram reprimidos pelas forças da ordem.

O prefeito de Chacao, Ramón Muchacho, confirmou no Twitter que a polícia utilizou várias bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes em Altamira, sem revelar se há vítimas.

Há três semanas, a Venezuela é sacudida por uma onda de protestos, iniciados no dia 4 de fevereiro, em San Cristóbal, estado de Táchira, após uma tentativa de assalto e estupro contra uma estudante.

De San Cristóbal, os protestos se alastraram para o resto do país devido à crise econômica, ao desabastecimento e a insegurança, sacudindo principalmente as cidades de Caracas, Valencia, Mérida e Maracay.

As manifestações e sua repressão já deixaram 14 mortos, 140 feridos e 600 detidos, em todo o país.

O presidente Nicolás Maduro afirma que os protestos são um "golpe de Estado em andamento" e determinou a prisão de Leopoldo López, líder do partido opositor Vontade Popular, acusado de promover a violência.