terça-feira, abril 29, 2014

Em 13 anos, Brasil registra 1,7 mil casos de tráfico de pessoas, diz CNMP

Mateus Coutinho
Agência Estado

Levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público mostra ainda que apenas 24% dos casos viraram processos judiciais

1758 casos registrados envolvendo tráfico de pessoas no País entre 2000 e 2013, esses são os números do recente estudo divulgado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) nesta quinta-feira, 24. O “Levantamento sobre o Tráfico de Pessoas – CNMP”, leva em conta documentos judiciais e extrajudiciais de 23 unidades do Ministério Público brasileiro.

Do total de casos registrados, apenas 424, cerca de 24%, se transformaram em processos judiciais. A maior parte (1.348) envolve trabalho escravo. Em seguida, aparecem entrega de filho menor para pessoa inidônea, com 127 registros; e aliciamento para fins de emigração, com 100 registros.

O estudo mostra ainda um crescimento expressivo no número de registros sobre tráfico de pessoas no Brasil: entre 2010 e 2012, por exemplo, os registros no País quase duplicaram, passando de 211 por ano para 416 por ano. O maior crescimento foi observado na Região Sudeste, com salto de 13 registros em 2003 para 222 em 2012, um aumento de mais de 1.700%.

Regiões. Divido pelas regiões do País, o levantamento aponta que o sudeste possui o maior número de casos de tráfico de pessoas, com 754 registros (42,89% do total), seguida das regiões centro-oeste, com 358 casos (20,36%) e Sul, com 332 (18,89%).

Além da consolidação de números nacionais, o estudo traz as informações apresentadas pelas unidades do MP de forma individualizada, o que permite ver os registros por estado.

Para a pesquisa, foram levantados dados de 13 Ministérios Públicos Estaduais – MPs do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo, além do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, do Ministério Público Militar.

Também foram colhidas informações de oito unidades do Ministério Público do Trabalho: Procuradoria Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), PRT-2ª (São Paulo) PRT-6ª(Pernambuco), PRT-8ª(Pará), PRT-9ª(Paraná) PRT-10ª(DF e Tocantins), PRT-12ª(Santa Catarina) e PRT-14ª(Rondônia e Acre).