domingo, abril 27, 2014

Inflação dispara na Venezuela e atinge quase 60% ao ano

Veja online
Com informações Agência France-Presse

Fortemente influenciado pela administração chavista, Banco Central do país culpou os protestos pela alta dos preços dos bens de consumo

 Santi Donaire/EFE 
Manifestante com a bandeira da Venezuela em frente a um bloqueio de policiais
 durante protesto contra o governo do presidente Nicolas Maduro, em Caracas 

A inflação oficial venezuelana somou 59,3% nos últimos doze meses, após a alta de 4,1% registrada apenas no mês de março, informa nesta quinta-feira o Banco Central da Venezuela (BCV), admitindo que a tendência de elevação deve persistir em abril. Subordinado ao presidente Nicolás Maduro, o BCV culpa os protestos contra o governo  pela alta dos preços e endossa o termo “guerra econômica” para justificar uma política que agoniza com a inépcia das pessoas que comandam o país. O relatório do BCV inverte a lógica dos fatos, pois a escalada da inflação foi justamente um dos motivos que influenciaram os protestos.

"Observamos uma alta do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de 4,1% em março, com séria tendência a continuar impactando os resultados de abril", revelou o BCV em sua página na internet. Segundo o BCV, a inflação foi puxada pelos preços de "alimentos e bebidas, que variaram 6,1%" em março, contra 1,7% em fevereiro." O relatório atribui a alta dos preços aos protestos e piquetes contra o governo que sacodem a Venezuela há mais de dois meses, o que teria afetado a produtividade e a distribuição dos produtos pelo território nacional. De acordo com o BCV, os protestos constituem "uma nova onda concreta de guerra econômica" contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

A inflação e o desabastecimento de produtos como leite, café, açúcar, desodorantes e até papel higiênico foram dois dos estopins dos protestos contra o governo, que já deixaram 41 mortos, centenas de feridos e de detidos. Na quarta-feira, Maduro anunciou uma nova inspeção a estabelecimentos comerciais do país. O objetivo da ação é verificar se as margens de lucro definidas e os "preços justos" são respeitados – segundo a lógica de Maduro, a inflação e o desabastecimento do país são culpa de uma “guerra econômica”, e não de suas medidas desastradas na condução das finanças venezuelanas.

Supremo legitima repressão – 
Em outra ação que indica a interferência de Maduro nos demais poderes do país, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, a mais alta corte do país, determinou na noite de quinta-feira que o direito dos cidadãos de se juntarem em protestos pacíficos "não é absoluto", além de afirmar que a polícia pode ser acionada para dispersar manifestantes que não pedirem autorização para fazer marchas e manifestações.

A decisão da Corte – que durante o período chavista sofreu uma profunda interferência do governo e desde então adotou uma postura de subserviência diante do Executivo – ocorreu após o pedido de um prefeito chavista, Gerardo Sánchez, que comanda a cidade de Guacara. Ele pediu que os juízes analisassem o alcance do artigo 68 da Constituição do país, que garante aos cidadãos "o direito de se manifestar pacificamente e sem armas".

Só que em vez de defender o artigo, a turma de sete juízes da Câmara Constitucional do tribunal acabou afirmando que todos os cidadãos e organizações políticas têm que informar as autoridades locais e pedir autorização para a realização de protestos pacíficos.