Adelson Elias Vasconcellos
Presidente que precisa pedir bênção ao seu tutor político até para nomear ministros e não pode andar desgarrada de um marqueteiro para implantar programas e políticas públicas, convenhamos, nem em banquinha de bananas, até porque, se descuidar, a base aliada dela rouba a mercadoria...
Presidente que precisa pedir bênção ao seu tutor político até para nomear ministros e não pode andar desgarrada de um marqueteiro para implantar programas e políticas públicas, convenhamos, nem em banquinha de bananas, até porque, se descuidar, a base aliada dela rouba a mercadoria...
Bastaria a relação impressionantemente real de Sebastião Nery em artigo mais abaixo, e seria suficiente para qualquer governante, com tamanho resultado desastroso na Petrobras, sequer tentar reeleger-se. Ou, se ainda fosse pequena a desgraça promovida de forma premeditada e consciente na Petrobrás, teríamos no artigo de Rolf Kuntz, também mais abaixo, um impressionante relato da verdadeira hecatombe que recai sobre a economia brasileira. Os dois textos são indesmentíveis, seja nos argumentos seja nos números. E são números reais, inquestionáveis, a configurar um dos piores governos que o país já teve ao longo de sua história.
Nada se compara à mediocridade, incompetência e despreparo do governo da senhora Rousseff. Tivesse um pingo de senso de realidade, não apenas deixaria de fazer discursos país afora, cantando maravilhas que nunca realizou, como ainda mandaria suspender todas as propagandas que seu governo manda editar. Nada do que vai ali é real, nada guarda algum tom de verdade, tudo é falso, é meticulosamente manipulado, falsificado, mistificado.
Em inúmeras ocasiões disse aqui que um governo deve ser avaliado pelo resultado que produz, não pela perfumaria com que tenta esconder sua inépcia. O caso de Dilma Rousseff chega ser absurdo: como mais de 50 milhões de brasileiros puderam eleger alguém tão completamente despreparada para comandar os destinos de um país como nosso?
Sim, havia de certo um padrinho forte, com mais de 70% de aprovação após 8 anos no poder. E isto nos faz lembrar uma história semelhante acontecida não faz tanto tempo em São Paulo. Alguém recorda da dupla Paulo Maluff - Celso Pitta? Não aconteceu agora algo parecido?
Mas voltemos aos governos petistas. Quando Lula assumiu em 2003, teve na inteligência de Antonio Palocci alguém que soube manter as virtudes da política econômica herdada de Fernando Henrique. Lula saiu do poder aclamado pelo povo. Dava-se a ele as razões para o país ter avançado tanto. E, no entanto, ele teve a sorte de, primeiro, não mexer no que estava certo. E, segundo, montar uma máquina de propaganda, comandada por Franklin Martins, para torná-lo o tal pai dos pobres. Contudo, nem a economia foi resultante de políticas implementadas por Lula, nem na área social as melhoras começaram a partir dele. Se alguma virtude Lula teve neste ponto foi a de ter aprofundado os programas sociais já existentes, reunindo-os debaixo de uma mesma bandeira: o Bolsa Família. Porém, espertamente, retirou as portas de saída do programa que, com o tempo, resvalou de programa social para bolsa voto.
Não vou entrar nos detalhes do por que o Bolsa Família ter perdido seu rótulo de programa social. Já o fiz diversas vezes, basta consultar o arquivo do Blog. Na economia, Lula fez de seu segundo mandato um trampolim populista que a senhora Rousseff apenas deu seguimento. Foi a partir deste templo, que as contas nacionais passaram a se deteriorar. Como foi preservado o mesmo ministro da Fazenda de um governo para outro, o populismo esquizofrênico foi se tornando a veia principal que conduziu todas as ações de 2011 para cá. O resultado é o que vemos: crescimento insignificante, menor do que os países emergentes e inclusive dos que viveram crises profundas entre 2008 a 2011. Inflação que teima em queimar as projeções de Mantega, Dilma e, antes até, do próprio Lula. Déficit comercial. Déficit histórico nas contas correntes. Queda dos investimentos. Aumento da dívida pública em razão dos inúmeros subsídios empurrados para o Tesouro, expansão irresponsável do crédito dos bancos públicos, não cumprimento das metas do superávit primário.
Quando o IBGE começou trazer à tona os reais números do desemprego, o governo deu um jeito de interromper as pesquisas. Em ano eleitoral, é proibido exibir estatísticas reais que anulem o discurso do palanque eleitoral. Mas o fato é que o desemprego é superior a 7% e, assim mesmo, conforme o próprio IBGE aferiu, porque mais de 60 milhões de desempregados deixaram de procurar emprego e, assim, ficam de fora das estatísticas. Ou seja, considerada a força de trabalho em idade ativa do país, é um número espantoso de pessoas fora do mercado.
Se a gente for mais longe, para as tais obras da copa, então, a vergonheira é completa. Dilma afirmou com a maior cara de pau, nesta semana, que os estádios e os aeroportos estão prontos. Uma ova, senhora presidente. Respeite a inteligência dos brasileiros. Basta olhar o entorno dos estádios para sabermos que eles estão muito aquém do que deveriam. Os aeroportos, então, Fortaleza e Cuiabá são dois símbolos do despreparo com que o Brasil abraçou sediar o evento, demonstram o quanto seu discurso é surreal. E o que dizer das obras de mobilidade que sequer sairiam do papel? Ou, então, daquelas que, simplesmente, foram retiradas da tal matriz de responsabilidade? Não adianta culpar a FIFA. Irresponsáveis fomos nós em querer sediar um evento desta magnitude sem termos competência para tanto. E que tal fazermos uma devassa completa em tudo o que foi gasto? Quantos milhões de reais foram para o ralo do superfaturamento, que outra coisa não é senão o primeiro degrau para a corrupção?
Que tal lembrar, também do desconcerto provocado no mercado de energia elétrica? E não foi por falta de aviso. Alerta foram dados muitos quando da edição da medida provisória baixando no atropelo as tarifas. Mas a teimosia, a prepotência, a arrogância falaram mais alto. Resultado: o país vai pagar caríssimo nos próximos anos, pelo atropelo do bom senso. E hoje, como se vê, elas já estão mais altas do que estavam antes da senhora Rousseff intervir.
Lula pode arrotar o quanto quiser sobre as tais qualidades de gestão da senhora Rousseff. Nada disso fará sentido diante de quatro anos de pura mediocridade e embromação. Trata-se de uma governante destemperada, desqualificada, sem projeto de país, com um único objetivo a cumprir: manter o PT no poder, esquentando a cadeira para a volta do padrinho em 2018. Só que o país não pode se dar ao luxo de esperar tanto tempo diante de tantos desacertos e incompetências. Nossa indústria está naufragada faz horas. Nossos indicadores econômicos todos em queda livre. As contas públicas se deterioram de tal forma e em tal medida que falta pouco para perdermos o grau de investimentos junto às agências de risco.
Agora, depois de 16 pacotes de benefícios variados, fala-se em mais uma vez abrir o cofre para as montadoras. Ok, e o resto da economia faz o quê? Continua sem incentivo algum? Continua sem política de benefícios para tornar menos inóspito o ambiente de negócios no país? Outros setores terão que arcar com mais impostos para as multinacionais exportarem bilhões de dólares em lucros para suas matrizes no exterior? E as empresas do mercado do etanol, fazem o que, sentam e choram antes de fecharem as portas?
Olhando-se o espectro atual do país, ninguém em seu juízo perfeito, a não ser o clubinho que se esbalda no poder pelo poder, avaliza mais quatro anos de Dilma na presidência. Se mais de 70% da população anseia por mudanças, é preciso conscientizar esta população que estas mudanças só serão possíveis com a troca tanto do comando quanto da doutrina que nele impera. Precisamos de reformas profundas, e não de tratamento cosmético para termos mais do mesmo, com pequenos malabarismos que não nos levarão a lugar algum. Como disse certa vez, o prazo de validade desta gente já passou do ponto.
Assim como aqueles que hoje reclamam da copa no Brasil são os mesmos que a apoiaram e festejaram em 2007, assim também reconduzir Dilma Rousseff por mais quatro anos, diante do desastre de seu primeiro mandato, a ninguém será dado o direito de reclamar de mais desastres que ainda ela possa provocar. Todos tem consciência de que, no mundo fantástico em que vive esta senhora, há um único caminho: ladeira abaixo.
Juntando-se tudo numa só panela, economia, serviços públicos e ponham nesta cumbuca além de educação, saúde, segurança, saneamento, transporte público, infraestrutura, também o desastre provocado pelas péssimas medidas adotadas na área de energia, política industrial que nunca existiu, o abandono completo da política de etanol, a percepção que fica é de um governo descontrolado, sem rumo, sem projetos, sem comando. Um governo mergulhado no seu próprio caos. Ninguém comanda seus auxiliares tampouco dirige os destinos de um país na base do berro. E, fica claro, que a única qualidade (?) que se tem notícia da tal gerentona do faz-de-conta é o berro, o despreparo e o destempero. Além da incrível capacidade de parecer competente...
Nossas dificuldades nada tem a ver com fatores externos. Durante onze anos de governo petista, o país viu a arrecadação de impostos crescer de maneira descomunal, em índices superiores aos da inflação e do crescimento econômico. De um lado, a melhora na fiscalização, de outro, aumento da própria carga tributária incidente. Mas nada se compara ao crescimento das despesas correntes. Ou seja, como os investimentos se mantiveram nos mesmos níveis de antes, o que se viu foi dinheiro saindo pelo ralo do desperdício e da corrupção. O tamanho do ministério, tanto de Lula quanto de Dilma, é um convite aberto ao desgoverno. O aumento dos recursos na educação e saúde se deu muito mais pelo aumento real da arrecadação do que fruto de maior cuidado e prioridade com estas áreas. E o que dizer da explosão da violência de norte a sul?
Dentre os candidatos, estejam todos certos, ninguém terá coragem de mexer no tal Bolsa Família, muito embora o programa reclame urgente aprimoramento para não perenizar sua dependência. Assim, pode-se afirmar que a senhora Rousseff é, hoje, perfeitamente dispensável, bem como seu partido. O país viveu, cresceu e progrediu sem eles. Mas é justamente com esta gente que estamos indo ladeira abaixo. O Brasil, mais do que nunca, precisa de verdadeiros estadistas, e não aprendizes de feiticeiros ou postes com luz queimada. E, de preferência, alguém que tenha um compromisso mínimo com a verdade. Presidente que precisa pedir bênção ao seu tutor político até para nomear ministros e não pode andar desgarrada de um marqueteiro para implantar programas e políticas públicas, convenhamos, nem em banquinha de bananas, até porque, se descuidar, a base aliada dela rouba a mercadoria...
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