terça-feira, maio 27, 2014

Com governo ruim, não há esperança que aguente!

Adelson Elias Vasconcellos


Na primeira matéria desta edição, há um texto da Exame.com relatando alguns dos nomes que a FIFA registrou no INPI e os quais só poderão ser usados sob permissão da entidade.  Nome do país e das cidades sedes com a inscrição “2024” não podem. Só se a FIFA deixar. 

Quando um governo chega a tal ponto de submissão, em que o  nome do país e cidades sedes só poderão ser mencionados sob permissão de uma entidade estrangeira, fica difícil aguentar o discurso de uma presidente que afirma não ter sido eleita para por o país de joelhos. Nem o velho e bom “pagode” escapou da sanha dos cartolas. 

É claro, e já disse algumas vezes, que a FIFA  não impõe nada. Ela cria condições que os interessados poderão aceitar ou não.  E, no caso, o Brasil baixou a crista, se ajoelhou, beijou a mão dos dirigentes da FIFA e disse “amém, eu topo”. 

Mas não foram apenas os registros daquelas palavras, muitas absolutamente de propriedade brasileira, que comprovam a submissão vergonhosa do país a uma entidade estrangeira. Leis tiveram que ser mudadas para se adequarem às condições padrão FIFA. Muitos bilhões em incentivos fiscais e isenções de impostos também foram oferecidos em bandeja dourada. Alguns estabelecimentos comerciais nos entornos estarão impedidos de funcionar por venderem produtos não licenciados pela FIFA. Sem contar que ficaremos com a conta e prejuízo se houver. Os bônus pertencem à FIFA.

Joseph Blatter e Jerôme Valcke têm total razão quando afirmam  que não obrigaram nosso país a coisa alguma. Nós é que fomos até a FIFA apresentar uma candidatura para sediar a copa do mundo, oooppps! palavra censurada!, o campeonato mundial.

O governo brasileiro à época, comandado Luiz Inácio da Silva, cabra tão valente a defender nos palanques nosso nacionalismo, nossa brasilidade, nossa soberania, que acha que não precisamos do mundo, o mundo é que precisa do Brasil, em momento algum disse que esta ou aquela condição era inaceitável. Quando soube que precisaria mudar a Lei de Licitações jamais, em momento algum, levantou sua voz para defender nossa soberania. Agachou-se submisso e concordou.

Durante meses, em discursos e propaganda mentirosa, vendeu um sonho para o país de que havíamos atravessado o limite do subdesenvolvido para o mundo civilizado. Contudo, na medida em que fomos tomando conhecimento das condições aceitas pelo governo brasileiro, a maravilha vendida por Lula foi se desvanecendo. 

Nem precisamos repetir aqui estas promessas tolas e falsas. O povo brasileiro, hoje, sabe perfeitamente bem que caiu no conto da copa, que deu apoio à uma fantasia. Este apoio, inicialmente condicionado aos bilhões de investimentos em melhorias urbanas, virou verdadeiro pesadelo.  Sabemos que, muito mais do que o retorno financeiro e as melhorias urbanas, restaram dezenas de obras inacabadas, muito elefantes brancos, muitos bilhões em dívidas a serem amortizadas no andar dos anos, e que a vida diária e todas as suas carências permanecerão exatamente onde estavam. E até pior, porque os muitos bilhões desviados, que se prometiam saírem da iniciativa privada, saíram mesmo dos cofres públicos, e poderiam ter melhorado muito as condições precárias de várias unidades de saúde que o programa Fantástico da Rede Globo, deste domingo, exibiu aos olhos de todos.

Duplamente, o Brasil seja pelo governo Lula ao aceitar as condições exigidas pela FIFA, seja pelo governo Dilma na má gestão dos preparativos para o “campeonato mundial de futebol” (assim tá bom, dona FIFA?”),  mostra o quanto ainda somos vira-latas, irresponsáveis, imaturos, pouco sérios. Não o país, não o seu povo e sua alegria permanente, mas seus governantes e sua classe política.  

Também nesta edição, há inúmeros artigos mostrando o quanto são falsas as ideias do “pleno emprego” e a da tal “nova classe média”. Uma nação só se faz rica e justa pela via do desenvolvimento. Neste ponto, impossível aceitar afirmações de que os pibinhos são irrelevantes. O PIB é o produto total da riqueza gerada pelo país. Se ele não cresce, a riqueza não aumenta, e apatetados ficamos tirando um pouquinho de uns poucos  para esmolar  no bolso de muitos.  Ou seja, ficamos idolatrando a política de distribuição de misérias. Não há um único ranking de educação, competitividade, segurança, equilíbrio fiscal, gestão das contas públicas, crescimento da indústria, aumento real de renda  gerado por empregos melhores e mais qualificados, que o país tenha evoluído nestes últimos doze anos. Em todos eles estamos despencando. E o campeonato mundial de futebol com todas as mazelas que acarretou e as deficiências que externou,  pelo menos teve um lado positivo: despertou o povo brasileiro para a dura realidade com que vive seu dia a dia, além de exibir aos olhos do mundo que o despertar do gigante não passou de uma ilusão de ótica, uma sorrateira jogada de marketing.

Entre os muitos comentários que a gente lê nas redes sociais, há especialmente um que representa bem o que vai à alma de muitos brasileiros: o melhor dos protestos é aquele que faremos em 5 de outubro, quando se realizar o primeiro turno das eleições. PERFEITO. Não precisamos ir para as ruas correndo o risco de levar bordoada e sermos confundidos com bandidos e vagabundos contratados por partidecos e militância política para expulsar o povo das ruas. Lá, na hora do voto, não haverá vândalos a nos infernizar,  não haverá força policial a nos constranger, não haverá mais palanques para nos entupir os ouvidos com mentiras e falsas promessas. É ali que devemos dizer o nosso BASTA e praticar a mudança que o país precisa. Será a hora e vez  de levantarmos a taça do nosso campeonato nacional sem medo de sermos processados por entidades estrangeiras por usar termos nossos, porque um governo medíocre, na forma e no conteúdo, se ajoelhou permitindo o roubo de propriedade. Ali, seremos os juízos supremos da nossa vontade.  Será o momento de criarmos o nosso PADRÃO BRASIL, independente de sermos hexa ou não. 

Porque devemos definir se, a nossa eterna esperança de um futuro melhor,  este otimismo onipresente em qualquer situação por mais amarga que tenhamos vivido, permanecerá intocável ou não. Ao ver o pais cabisbaixo diante da festa que sempre fizemos com a Copa e a Seleção,  sem alegrias, sem ruas enfeitadas, sem bandeirolas nas janelas, a demonstrar que nosso orgulho foi soterrado  pela anarquia do poder,  precisamos reagir e recuperar tanto a alegria quanto a esperança. Definitivamente, o PT não tem o direito de nos roubar esta virtude: a alegria de sermos brasileiros, sem nos envergonharmos da nossa pobreza e das nossas  carências. Podemos continuar pobres tanto quanto antes, mas temos, também, o direito de continuar a ser o povo alegre que sempre fomos. É como se brasilidade e alegria fossem  uma coisa só. Esta gente medíocre não pode acabar com os nossos sonhos, não tem o direito de nos envergonhar em sermos brasileiros.