quarta-feira, junho 04, 2014

Dilma apela para a demagogia no decreto que torna obrigatória a consulta pública

Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

Se você acredita que as aparências podem nos enganar na vida real, pode ter certeza que em política as aparências são ainda mais enganadoras. É só l ero decreto que a presidente Dilma Rousseff acaba de baixar, obrigando os órgãos do governo a realizar “consulta pública” antes de decidir sobre assuntos de interesse da “sociedade civil”.

A determinação vale para todos os “órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta”, o que inclui ministérios, autarquias e até agências reguladoras. O decreto, assinado no último dia 26 de maio, instituiu a chamada Política Nacional de Participação Social (PNPS), com o objetivo de “consolidar a participação social como método de governo” e aprimorar “a relação do governo federal com a sociedade”.

TIPO LEI-VACINA
Na aparência, é algo inovador e verdadeiramente democrático, mas tudo não passa de uma medida demagógica e improfícua, adotada estrategicamente no ano eleitoral. É uma espécie de lei-vacina, daquelas que são feitas para “não pegar”. Nesse caso específico, o decreto nem pode “pegar”. Motivo: se for obedecido, a administração pública federal (direta e indireta) simplesmente vai parar. Imaginem: sempre que tiver de ser tomada qualquer decisão, é preciso fazer antes uma série de consultas à “sociedade civil”,

Os dez “formatos de atuação” da Política Nacional de Participação Social serão, além dos conselhos, conferências e audiências por iniciativas próprias da sociedade civil, comissões de políticas, ouvidorias, mesas de diálogos, fóruns, ambientes virtuais de participação social e consultas públicas. Comandada pelo ministro Gilberto Carvalho, a Secretaria-Geral da Presidência da República será responsável por acompanhar e orientar essa embromação em todo o governo federal.