Guilherme Dearo
Exame.com
Rebeldes extremistas do grupo Estado Islâmico do Iraque e Levante estão atacando várias regiões do Iraque, mergulhando o país em um conflito interno perigoso
Yaser Al-Khodor/Reuters
Guerrilheiros do Exército Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL):
dominando pontos estratégicos do Iraque
São Paulo – O Iraque está mergulhando em uma guerra civil. Forças do governo lutam para conter rebeldes que estão tomando pontos estratégicos do país e promovendo uma carnificina.
Os responsáveis por essas atrocidades são considerados radicais até mesmo pela Al Qaeda. Este temido grupo é o Estado Islâmico do Iraque e Levante, EIIL. (ISIS na sigla em inglês), um grupo sunita extremista.
Na semana passada, eles conseguiram dominar Mossul, a segunda maior cidade do Iraque. Agora, estão próximos de Bagdá.
O grupo quer criar um califado islâmico em uma região do Iraque e da Síria. Eles lutam contra o domínio xiita no Iraque e o domínio alauíta na Síria.
As atrocidades do grupo assustam o Iraque e o mundo: cerca de 1700 já foram executados em massa, segundo o próprio grupo. Eles não seguem lei alguma de guerra. Presos de guerra são friamente mortos, assim como qualquer um que esteja em seu caminho.
A ditadura de Saddam Hussein, deposto em 2003, era brutal e injustificável. Mas o domínio de Saddam congelava o conflito sectário entre xiitas e sunitas.
A invasão dos Estados Unidos acirrou os ânimos de extremistas islâmicos. Mesmo prometendo devolver a democracia estável ao país, os americanos voltaram para casa sem ver esse resultado chegar. Então, o conflito étnico despertou.
A partir de 2011, a Al Qaeda iraquiana foi se fortalecendo, assim como o grupo que formaria o EIIL - sempre explorando a revolta sunita.
O Irã, de maioria xiita, quer ajudar o governo iraquiano. Já os EUA não sabem o que fazer. Por enquanto, Barack Obama já se pronunciou e garantiu que não enviará tropas de volta ao país, mas já comunicou que mandará 275 soldados a Bagdá para garantir a segurança da embaixada.
Os republicanos, mais conservadores e mais pró-guerra, estão alvoroçados promovendo a volta das tropas americanas ao país.
Foto postada pelos extremistas
mostram presos antes de serem executados
Quem é o EIIL?
O embrião do grupo, sem a palavra "levante", surgiu em 2006 no Iraque. A "nova versão" surgiu oficialmente em abril de 2013 e é uma dissidência da Al Qaeda no Iraque.
O grupo jihadista tem atividades no Iraque e na Síria.
Munidos de ideias extremistas, nutrem ódio pelos cristãos, pelo Ocidente e pelos Estados Unidos. Mas, principalmente, resgatam um conflito de longa data entre etnias da região.
O que significa o nome do grupo?
Em português, significa Estado Islâmico do Iraque e Levante. Em inglês, ISIS significa Islamic State of Iraq and al-Sham. A palavra árabe al-Sham significa “levante”, “Síria” e “Damasco”.
O "mantra" do EIIL é "baqiya wa tatamadad", que significa algo como "permanecer e expandir". Ou seja: a ideia é conquistar territórios aos poucos com táticas de guerrilha.
Qual o objetivo do grupo?
O EIIL tem como objetivo conquistas territoriais. Ele quer criar um "califado islâmico", em uma região entre a Síria e o Iraque.
Esse novo "país" incluiria, também, uma porção do Líbano. O território seguiria as leis islâmicas radicais e finalmente daria o poder a radicais sunitas.
Jihadistas do EIIL em Mossul fazem sinal de vitória: próximos de Bagdá
O que eles pregam?
Pregando a sharia - de um modo ainda mais radical - eles proíbem os homens de fazerem a barba, por exemplo.
Eles também não podem dançar e ouvir música. Mulheres não podem andar sem o niqab.
Qualquer coisa "ocidental", como televisão, é visto como algo errado e proibido.
Contra quem eles lutam no Iraque?
No Iraque, eles lutam contra o domínio xiita do governo liderado por Nuri al-Maliki. Eles se aproveitam dos sunitas descontentes no país para promover o levante.
Contra quem eles lutam na Síria?
Eles são um dos vários grupos rebeldes que lutam contra o governo de Assad na Síria, já que o ditador é alauíta e, historicamente, desde o governo de seu pai, privilegia minorias como drusos e cristãos.
O EIIL não se conforma que a Síria tenha um governo alauíta de décadas sendo que é uma minoria, enquanto a maioria sunita não tem poder.
Quem é seu líder?
O líder é Abu Bakr al-Baghdadi, seu nome de guerra. Seu nome verdadeiro é Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai.
Acredita-se que ele tenha nascido em Samarra, no norte de Bagdá, em 1971. Ele estudou na Universidade de Bagdá e foi incluído na lista de terroristas da ONU em 2011.
Aderiu a grupos insurgentes em 2003, com a invasão americana no país. Em 2010, chegou à liderança da Al Qaeda no Iraque. Depois, formou o EIIL.
Ele chegou a ficar preso por quatro anos em uma prisão americana no Iraque, no Camp Bucca, mas foi solto em 2009.
Fontes militares dos EUA afirmaram que as palavras finais de al-Baghdadi ao deixar a prisão foram "Vejo vocês em Nova York".
Ele é descrito como mais radical que Osama Bin Laden.
Membro do EIIL levam presos para serem executados no Iraque
Quantos lutam pelo EIIL?
É incerto o número de membros do grupo, mas gira em torno de oito mil homens somente no Iraque.
O EIIL é muito apelativo para jovens revoltados. Enquanto a liderança da Al Qaeda é um teólogo islâmico, na figura de Ayman al-Zawahiri, Baghdadi é um comandante que entende de táticas de combate e batalhas em campo.
O EIIL diz ter combatentes de várias partes do mundo: Reino Unido França, Alemanha, Estados Unidos e países do mundo árabe.
O que eles já conquistaram?
Em março de 2013, conquistou a cidade síria de Raqqa, a primeira capital de uma província síria a cair nas mãos dos rebeldes.
Em janeiro de 2014, conquistaram Fallujah, no Iraque, uma cidade-chave.
Também tomaram boas partes da capital regional Ramadi e dominam cidades das fronteiras com Turquia e Síria.
A conquista mais recente no Iraque é Mosul, a segunda maior cidade iraquiana. Agora, estão muito próximos de Bagdá.
Quem sustenta o EIIL?
Apesar de muito novo, o EIIL é considerado o grupo radical mais rico. Ele é abastecido por indivíduos milionários dos países do Golfo, como Kuwait e Arábia Saudita. Estes têm interesse, principalmente, em derrubar Bashar al-Assad na Síria.
O grupo também ganha mais dinheiro ao invadir cidades e promover pilhagens nos bancos locais. Também passam a controlar poços de petróleo.
Alguns especialistas dizem que o EIIL tem mais de um bilhão de libras.
Por que até mesmo outros extremistas não compactuam com o grupo?
Na Síria, o EIIL entra em conflito com o grupo radical local, o al-Nusra.
No Iraque, acaba batendo de frente com a Al Qaeda iraquiana.
Eles questionam os métodos ultraradicais do EIIL, incluindo ataques a bomba indiscriminados em áreas civis, e a interpretação também ultraradical do Alcorão.
O próprio Bin Laden, se soube depois através das chamadas "Cartas de Abbottabad" - correspondências achadas no esconderijo de Bin Laden no Paquistão após a sua morte -, reprovava o grupo, dizendo que ele causaria um impacto negativo na reputação da Al Qaeda.
Membro do EIIL executam presos no Iraque





