sexta-feira, junho 20, 2014

Desconstruindo um mito populista

Adelson Elias Vasconcellos



Muito já escrevemos sobre a Copa do mundo no Brasil, seus aspectos positivos e negativos. Mas um que precisamos destacar, e que serve para destruir um mito populista, sempre tão apregoado pelas esquerdas e que, quando confrontado com  a realidade, ele se converte em pó, precisa ser trazido à tona.

Historicamente, as esquerdas seguem um velho princípio napoleônico do dividir para vencer. No caso, tratam de erguer uma luta de classes. Como os pobres são a maioria, tratam de captar simpatia e cooptar apoio entre estes para fazerem vingar suas teorias. 

Os pobres, regra geral, são também aqueles que menos instrução e menor acesso  à informação possuem. Assim, acabam se tornando presas fáceis para o discurso demagógico e populista que as esquerdas disparam.    

O petismo, desde que se tornou importante força política, não se cansa de provocar a cisão da sociedade brasileira. É um tal de norte-nordeste contra sul-sudeste, pretos contra brancos, pobres contra ricos, patrões contra empregados, índios contra o restante não índio. Se a gente fosse confrontá-los contra aquilo que são hoje,  o discurso se esvaziaria. As esquerdas, com raríssimas exceções, se tornou parte integrante das demonizadas “zelites”, incluam-se aí parte  do sindicalismo. 

Muitas destas manifestações violentas que estamos assistindo atualmente são  sementes  plantadas  pelas esquerdas e extrema-esquerda. Basta retornarmos no tempo em que o PT era oposição aos governos federais, e logo descobriremos seu modus-operandi. Basta, também, analisarmos com atenção o comportamento dos governos Lula e Dilma, principalmente contra o estado de São Paulo, em que sempre foram oposição, para  entendermos a lógica que se esconde nestas manifestações estúpidas, recheadas de depredação, quebra-quebra, vandalismo, coquetéis molotov, etc. Pode-se dizer até que militantes petistas nem participem destas ações de agora, seriam militantes de extremistas de esquerda ligados ao PSOL, PDSTU, PC do B,  etc. Porém, quem os ensinou e incitou a estas ações de verdadeiro terrorismo, foram militantes petistas, muitos deles atualmente assentados no poder.  

É engraçado ouvir a presidente dizer que seu governo não vai tolerar ações de vandalismo durante a Copa do mundo. É a mesma senhora que atrai e recebe em palácio justamente os líderes destas ações e facções. E, também, é o mesmo governo que recrimina governos que são oposição ao PT quando agem contra estes bandidinhos urbanos,  prendendo-os e indiciando-os, como é o caso de São Paulo.

Mas voltemos ao ponto que o texto pretende abordar. Uma das críticas que mais se tem lido e ouvido nos últimos anos, e isto desde que o Brasil ganhou a corrida para sediar a Copa do Mundo, é o processo de branqueamento e elitização do público nos estádios brasileiros.  Atenção: este processo começou com os estádios destinados a acolher os jogos da Copa. Não antes. 

O governo Lula, originalmente, queria que a Copa tivesse 17 sub-sedes.  A FIFA achou um exagero, e impôs 12, muito embora seus dirigentes entendesse que 8 seriam suficientes. Ficou-se no meio termo. 

Nos estádios escolhidos, a exceção do Beira-Rio, em Porto Alegre,  Arena da Baixada, em Curitiba, todos os demais são estádios públicos. O Itaquerão é um caso à parte. Não tivesse o governo jogado os milhões de recursos públicos na sua construção, ele não teria saído do chão. 

Ora, a administração destes estádios, ou foi repassada para iniciativa privada, ou continuaram em mãos do poder público. Mas em todos, observem, os preços dos  ingressos foram às nuvens. Antes de sediarem jogos da Copa, receberam jogos de  campeonatos estaduais, campeonato brasileiro, séries A e B. E, em todos, os ingressos foram proibitivos para os trabalhadores de salário mínimo. Logo,  ficou visível o esvaziamento e, vejam só, o branqueamento em suas arquibancadas. 

Assim, temos dois efeitos: o primeiro que demonstra a falsidade dos “30 milhões” ingressados na classe média. É mentira. Fossem classe média, e teriam como bancar ingressos entre 80 e 100 reais por jogo. E, segundo, quem mantém o futebol brasileiro, desde os anos 50 do século passado, é justamente o povão, justamente aquele que recebe de 1 a 2 salários mínimos por mês. E, muito embora desde o Plano Real, o salário mínimo brasileiro venha recebendo aumentos anuais em índices superiores aos da inflação, ainda assim, está longe de ter recuperado seu poder de compra e atender as necessidades básicas de quem o recebe, inclusive as de lazer, como o futebol.

Claro que, tendo sido financiado com recursos públicos, a maioria proveniente de financiamentos junto ao BNDES, temos aí uma divida bilionária que precisará ser paga.  E a forma como a dívida será quitada, terá boa parte originada dos ingressos cobrados dos torcedores. Como a grande massa não tem como bancar preços tão altos, quem, no final das contas, branqueou  elitizou o futebol brasileiro? A resposta  é óbvia: governo petista, de Lula e Dilma. 

Alguém poderia até contra-argumentar que os ingressos da Copa tiveram seus preços fixados pela FIFA. Ok, mas e os preços nos campeonatos regionais e nacionais, foram majorados abusivamente por conta do quê? Não foi justamente pelas tais “novas arenas”, com seus abusivos custos de construção ou reforma, bancados pelo poder  público? 

Fica claro, seja pela mentira da tal “nova classe média”, seja pela raquítico poder  de compra do salário mínimo (que na oposição os petistas criticavam em tempo integral), ou, ainda, pela elitização do futebol que, no passado, era o grande lazer do povão, que os petistas não gostam da gente pobre de um país chamado Brasil. Usam deles para se manter no poder, com medidas populistas que apenas perenizam esta pobreza e miséria, sem oferecer portas de saídas para uma verdadeira  ascensão econômica e social.  Tanto é assim, que nem o salário mínimo tem sido poupado da ganância tributária dos  governos petistas. Em 2002, a faixa de isenção do imposto na fonte ia até 5 salários mínimos. Hoje, esta isenção, no máximo,  chega a 2,5 salários mínimos. Isto tem nome: chama-se confisco salarial. 

Semana passada, Dilma subiu nas tamancas, dizendo não ter sido eleita para tomar medidas impopulares.  E isto também tem nome: chama-se de populismo vagabundo.

Nem tudo que é impopular vai contra o interesse da sociedade. Até pelo contrário. Grande parte de tais “medidas” são sementes de construção que trazem desenvolvimento, progresso, inclusão.  Sempre que alguém taxar uma ação de governo como impopular, mais das vezes se insurge contra tal ação porque, no fundo, ela derruba privilégios de que gozam justamente aqueles que contra elas se opõe. E acrescente-se: privilégios de que a maioria da população não consegue usufruir. 

Pegue-se o Plano Real e o conjunto de medidas implementadas em sua esteira. TODAS resultaram em progresso, melhoria de vida para a população, em desenvolvimento econômico e social, com geração de emprego e renda, e aumento na arrecadação de impostos. E todas foram rechaçadas e condenadas pelos petistas à época. E, ironia do destino, seriam eles os maiores beneficiados, no poder, de tais medidas e, a tal ponto, que a própria Dilma, em 2011, teve de reconhecer   tais benefícios. 

É claro que os petistas jamais reconhecerão que eles, e não as elites, nem as oposições tampouco a imprensa, é que são os entraves maiores ao desenvolvimento do país, como também, jamais saberão conscientizarem-se de, para melhoria na qualidade de vida dos cidadãos brasileiros, eles é que são o problema, nunca a solução. 

Ah, sim, teremos aqueles que retrucarão com a tal bolsa família. Ok, mas ela nasceu aonde e quando? E diga-se que Lula, ainda na oposição, colocou-se contra as tais bolsas porque elas deixavam o povo preguiçoso, que queriam mais plantar macaxeira. E isto é fato, está gravado em vídeo, não se trata de interpretação distorcida. 

As esquerdas, fica provado, gostam do povo para usá-los como escudo, como massa de manobra para sua ascensão ao poder. Uma vez conquistado, tratam de alimentá-los com pequenas esmolas, mas sempre cuidando para que não se tornem exigentes e críticos, não lhes oferecem perspectivas de ascensão econômica e social, por saberem que povo educado e informado torna-se refratários às ideias que defendem. 

Assim, é nos governos Lula e Dilma que devemos localizar as razões do branqueamento e elitização  do futebol no Brasil. E tal processo reprovável deixa claro o seu preconceito para com a gente pobre e humilde. E se tal não bastasse, teríamos ainda o confisco dos salários mais baixos, a degradação dos serviços públicos que afetam diretamente a qualidade de vida dos mais pobres – e isto com doze anos no poder -, a deterioração acentuada na qualidade da educação e, claro, o incentivo a movimentos que promovem baderna e vandalismo além de interromper a prestação destes mesmos serviços públicos às classes mais pobres e mais carentes,  finalizando com a completa falta de segurança que elevou os índices de criminalidade aos extremos, com 50 mil homicídios por ano. 

Bolsa Família a 13 milhões de famílias? Isto é porcaria diante de tanta maldade que se comete contra a população mais pobre. E só comprova que a esmola serve apenas para mantê-los calados e dóceis,  caprichosamente enjaulados na sua miséria contínua, verdadeira massa de manobra para um permanente curral eleitoral. E este mito que tanto alardeiam, está visto, passa longe, anos-luz de distância da realidade presente. Daí porque deve ser combatido e destruído. Com ele só criamos fantasias ilusionistas.  Tanto é assim, que o atual Bolsa Família sequer consegue encher a barriga do pobre além de duas semanas, no máximo.  Se é para reduzir a miséria e a pobreza extremas do país, é preciso desenvolvimento,  gerar e aumentar a produção interna,  destinar os recursos públicos, prioritariamente, para qualificação dos serviços como educação, e não para aumentar ainda os já elevados privilégios da classe política, incluindo o Executivo Federal,  onde o desperdício faz a festa. E não será com pibinhos em torno d 1 a 2% ao ano que alcançaremos este propósito. 

Pelo contrário:  sem desenvolvimento econômico, não se pode sonhar com desenvolvimento social. Se os governos petistas ainda não aprenderam esta máxima, está na hora do Brasil ser governado por quem  tenha tal capacidade e conhecimento. Se o cara que ganha um salário mínimo por mês, precisa economizar cada vez mais porque a inflação corrói diariamente seu poder de compra, as perspectivas de empregos qualificados e com melhores salários se reduzem cada vez mais fruto da estagflação atual, não há imprensa que o convença de que o país vai mal governado. Seu pessimismo é imediato: é preciso mudar a direção do país, bem como o pensamento de quem o governa.  Conclusão: o discurso morreu de velho e superado pela realidade.