domingo, julho 27, 2014

Déficit em transações correntes soma US$ 3,345 bi junho

Veja online
Com informações agência Reuters e Estadão Conteúdo

Resultado ficou abaixo da expectativa de analistas. Segundo nota de Setor Externo do BC, no ano, rombo nas transações correntes é de US$ 43,311 bi

(Divulgação) 
Transações correntes são formadas pela balança comercial, 
pelos serviços e pelas remessas ao exterior 

O déficit em transações correntes do Brasil somou 3,345 bilhões de dólares em junho, informou o Banco Central nesta sexta-feira. O resultado foi melhor do que projetavam analistas consultados pela agência Reuters, 3,9 bilhões de dólares, e da estimativa do BC, de 4,3 bilhões de dólares. Em maio, o déficit das transações ficou em 8,3 bilhões, o pior desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1947. 

As transações correntes mostram o fluxo de divisas que circula no Brasil por meio de importações, exportações e transferências de recursos. O montante é composto pelas contas da balança comercial, serviços, rendas e pelas remessas ao exterior. De acordo com o BC, a conta de rendas ficou negativa em 2,466 bilhões de dólares, enquanto a de serviços mostrou resultado negativo de 3,371 bilhões de dólares. Esses resultados foram parcialmente compensados pelo superávit comercial de 2,364 bilhões de dólares e pelas transferências unilaterais positivas em 128 milhões de dólares.

No acumulado de janeiro a junho de 2014, o déficit em conta corrente soma 43,311 bilhões de dólares, o equivalente a 3,47% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado dos últimos 12 meses até junho, o saldo está negativo em 81,193 bilhões de dólares, o que representa 3,58% do PIB. 

Sempre que as transações correntes ficam no vermelho, é preciso que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) seja alto o suficiente para cobrir o rombo. Nos últimos dez anos, até o final de 2012, foi possível financiar o déficit com o IED. Contudo, a saída de recursos tem se ampliado num compasso maior que a entrada.

A trajetória das contas externas do país tem se deteriorado de maneira mais intensa desde meados de 2013. Esse fator, aliado à inflação e à deterioração fiscal, constitui a principal razão para a crescente desconfiança do investidor externo em relação ao Brasil. Analisando, sobretudo, as contas externas dos países emergentes, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgou um relatório no início do ano apontando quais países estavam em situação mais vulnerável em relação a possíveis turbulências causadas pela retirada dos estímulos monetários. O Brasil foi citado pelo Fed como um dos mais vulneráveis.

IED — 
O IED, por sua vez, somou 3,924 bilhões de reais em junho, queda de 45,27% ante os 7,170 bilhões de dólares registrados no mesmo período do ano passado. O resultado é praticamente o mesmo que previam economistas consultados pela Reuters (3,925 bilhões de dólares).

No acumulado do ano, o IED soma 29,264 bilhões de dólares (2,59% do PIB), valor muito inferior ao acumulado do déficit das contas externas no período. No mesmo período do ano passado, o IED acumulado era de 29,989 bilhões de dólares (2,72% do PIB). Em 12 meses até junho, o IED está em 63,270 bilhões de dólares, o que corresponde a 2,79% do PIB. A estimativa do BC para o IED em junho era de 3,6 bilhões de dólares.