Adelson Elias Vasconcellos
Gestores medíocres devem dar lugar a quem tenha noção do que o país precisa e competência para corrigir os erros, criando as bases para que possamos sair dos atoleiros provocados pelos medíocres.
Todo o filme, peça teatral, novela que não brindar os expectadores ou o grande público com belas encenações e espetáculos logo vê o circo vazio, isto é, seu IBOPE cai e força, muitas vezes os promotores dos eventos a antecipar seu fim. No mesmo sentido, um órgão de imprensa que não brilhar pela verdade conjugada com a crítica irretocável, mesmo que discordante, mas ainda assim bem fundamentada, logo perde leitores e até patrocinadores. É a lei do mérito que pratica a justiça a seu modo.
No post anterior, do J.R. Guzzo da Revista VEJA, praticamente ele encerra o assunto sobre a forma até alucinada dos petistas se recusarem a serem alijados do poder. No entendimento distorcido de suas mentes confusas, a única democracia que o Brasil pode admitir é a que mantém o PT no poder. Simplesmente, de seus dicionários, varreram a expressão “alternância no poder” para o lixo e transformaram a expressão para “alternância de petistas no poder”.
Creio que nestes 8 anos de existência do blog jamais precisamos refazer ou retocar aqui alguma crítica que os fatos tenham desmentido sobre os anos do PT no poder. Diariamente, basta correr as várias fontes em que pesquisamos para encontrar temas e fatos merecedores destas críticas. Não se trata, portanto, de “preconceito” ou “pessimismo” para com o partido que se quer o mais progressista dos progressistas. Não um há um único setor de atuação federal dos quais não se possa extrair críticas da forma como eles administram o Estado brasileiro. E, no entanto, se querem o topo máximo da competência e da ética, que os fatos, para a desgraça deles, desmentem diariamente.
Tão logo se encerrou a Copa do Mundo, a Folha de São Paulo reproduziu uma entrevista concedida pela presidente Dilma Rousseff à emissora de TV Al Jazeera. Dentre tantos autoelogios a si mesma e aos doze anos de administração petista, recitando o evangelho das “conquistas” do povo brasileiro graças à própria Dilma e à atuação de seu antecessor, mentor e comandante em chefe, Lula da Silva, lero-lero que estamos enojados de ouvir e torcer o nariz por se tratar de meras fantasias de doze anos de clausura, desfilou as “razões” para ter um segundo mandato.
Em dado instante, afirmou a senhora Rousseff: “..."Eu acredito que o povo brasileiro deve me dar oportunidade de um novo período de governo pelo fato de que nós fazemos parte de um projeto que transformou o Brasil..."
Observo o seguinte: foi a própria Dilma, ainda no início de seu governo que reconheceu que a estabilidade econômica se deve ao governo FHC. Ontem, no texto em que apontamos a necessidade de se promover mudanças no Bolsa Família, e uma vez mais, demonstramos que o programa nasceu da união de cinco outros programas sociais implementados no governo FHC. Também a própria ONU reconhece que as profundas “mudanças sociais” acontecidas no país começaram antes do PT chegar ao poder. E, ao final indicamos que a velocidade de melhoria do índice de Desenvolvimento Humano no período FHC foi maior do que no governo da era petista. Então, vamos acabar com este papo furado de “mudanças revolucionárias”, porque não foi o PT quem as iniciou. Ele apenas deu continuidade ao que já existia.
Na economia, a senhora Rousseff tentou modificar a matriz da política econômica de forma arrogante. Deu no que está dando: deterioração de todos os indicadores, não se salvando um único e miserável sobrevivente para ser festejado. E não me venham coma história do “pleno emprego”, tantas vezes aqui desmentido e provado como falso.
Em dado instante da entrevista a senhora parece que perdeu o raciocínio e se saiu com esta pérola de contradição e confusão mental; ” nós estamos numa fase de baixa de ciclo econômico", “... esse fenômeno é influenciado pelo contexto da economia mundial que ainda se recupera da crise financeira internacional de 2009”. Mais adiante, contudo, assegurou que “... o país entrará em um novo clico de crescimento, independente da economia mundial”.
Ora, se as dificuldades se devem à conjuntura mundial, como independente dela conseguiremos “entrar em um novo ciclo de crescimento”? Papo furado de quem não sabe o que fazer para tentar empurrar o crescimento para os mesmos níveis dos demais emergentes.
Dias depois desta entrevista “magnífica", a senhora Rousseff falando à empresários – só lembrou que eles existem às portas da eleição -, reconheceu que seu governo cometeu “erros”, sem especificar quais, e promete corrigi-los em um segundo mandato.
Ora, digam lá, para que existe a reeleição de cargos executivos, não são justamente para premiar as gestões competentes que produziram resultados positivos? Mas, no entendimento da senhora Roussef ela quer um segundo mandato como prêmio pela mediocridade de seu primeiro período. Convenhamos, não faz sentido. A reeleição não foi feita para premiar gestores que, como vemos no governo da senhora presidente, trouxeram a economia do país para níveis de nação subemergente.
Vai encerrar seu governo com juros altos, inflação alta, e crescimento que é o terceiro pior da história republicana do Brasil. Onde, portanto, está o mérito conquistado para merecer novo voto de confiança? Mais: se reconhece que errou nestes primeiro quatro anos, diga-nos presidente: onde estes erros foram cometidos e quais as soluções para corrigi-los?
O atual pessimismo que toma conta do país se deve não ao discurso da oposição, ou aos golpistas da mídia, ou a reação negativa da direita. É fruto de um governo medíocre cujos resultados consagram a gestão medíocre cumprida pela senhora Rousseff. Não há méritos a embasar mais quatro anos de mediocridade, feitiçarias e improvisos. Logo após ser declarada vencedora nas eleições de 2010, mas antes mesmo de assumir, publicamos um texto de alerta para a senhora Rousseff sobre as escolhas que teria de fazer. O caminho que tinha pela frente lhe oferecia duas opções para a escolha de uma: ou perseguiria o interesse público, realizando um projeto de país que nos conduzisse para avanços em todos os campos, uma vez que as condições sociais, econômicas e estruturais estavam todas dadas. E as condições para isto de país eram muito propícias. Ou, optaria pelo projeto de seu partido, e insistiria em orientar as políticas públicas para consolidação deste projeto, mas que contrariavam o interesse do crescimento. Pretender seguir pelas duas avenidas que eram, por tese, contraditórias entre si, seria impossível. Infelizmente, a senhora Rousseff preferiu adotar o modelo de projeto de poder, relegando o interesse do país a um plano secundário.
Portanto, senhora Rousseff, considerando todo o quadro trágico que seu governo está promovendo na economia do país, e considerando que a senhora se desviou de sua missão que deveria ser a de servir ao interesse público, dando largueza ao projeto de poder petista, tentando criar tentáculos no Estado, aparelhando de forma infame os poderes Judiciário e Legislativo, através dos tais “conselhos populares”, forma bolivariana de dar ao Executivo poder superior sobre os demais, além de criar uma falsa classe média para acabar, por decreto, com pobreza, dada a aliança festejada com a direita mais retrógrada e oligarquias mais nefastas e seculares do Brasil, seu prazo de validade, lamento informar, acabou. E os índices de rejeição falam por si mesmo.
O instituto da reeleição foi criado para premiar os bons gestores públicos, cujos resultados positivos beneficiem todos, e não apenas aos companheiros e a bancada submissa. Gestores medíocres devem dar lugar a quem tenha noção do que o país precisa e competência para corrigir os erros, criando as bases para que possamos sair dos atoleiros provocados pelos medíocres. E mais medíocres ainda são os que, além de cometer erros de condução, ainda precisam de bengalas socorristas por lhes faltar luz própria.
