Folha de São Paulo
A maioria das vagas geradas no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos foi de baixa remuneração.
A faixa entre 1,01 e 1,5 salário mínimo concentrou a maior criação de postos entre 2007 e 2013: 29% do total (3,3 milhões).
Cargos que pagam até dois mínimos foram mais da metade das vagas geradas no período.
Os dados da Rais confirmam que o boom no mercado de trabalho foi sustentado pela geração de postos de menor qualificação, apesar do avanço da escolarização.
Para especialistas, a qualidade ruim do ensino médio ajuda a explicar a predominância de salários baixos no país.
"Para que os salários aumentem é preciso que a produtividade dos trabalhadores cresça, o que só ocorrerá com melhora da qualidade do ensino", diz Naercio Menezes Filho.
******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
A questão vagas de baixa qualificação e menor salário não se explica apenas pela baixa escolaridade ou sua má qualidade. Se explica também pela própria política econômica adotada pelo atual governo que, conforme temos visto, vem destruindo a indústria nacional, justamente o setor mais apto a oferecer vagas para profissionais mais qualificados e salário maior. A rigor, não temos uma política industrial digna do nome. Não apenas o Custo Brasil com todas as suas varáveis sufocam a expansão do nosso parque industrial, mas desestimulam a produção interna pela perda de competitividade.
De vários ângulos isto é notado: pela carga de impostos, que incidem em cascata sobre a produção; pelo alto custo da energia elétrica, o que obriga a redução dos volumes e perda de rentabilidade; pelo amalucado sistema tributário, que cobra impostos de forma antecipada, antes mesmo de se produzir a riqueza para o qual o bem ou serviço foi gerado, com consequências danosas até para o giro próprio da produção futura, impondo ao empresário a recorrer ate o limite máximo possível, ao mercado financeiro para se financiar, elevando em muito seu custo financeiro; pela falta de investimentos em infraestrutura, elevando custos e perdendo competitividade; pelo câmbio que nada tem de flutuante; pela falta de segurança jurídica comas regras do jogo mudando a todo instante, destruindo qualquer tentativa de planejamento de longo e médio prazos; pela burocracia estatal, sufocante e estúpida, que só existe para justificar a quantidade de vagabundos aboletados no poder.
Quanto a aumento reais de ganhos do trabalhador, isto é uma piada. Até dezembro de 2002, a faixa de isenção do imposto na fonte ia até 5 salários mínimos. Os governos petistas reduziram esta isenção para até 2,5 salários mínimos, o que é um verdadeiro absurdo, configurando nesta prática um dos maiores confiscos salariais da história.
O estado precário em que se encontra a indústria brasileira representa, pela via da qualidade das vagas geradas e sua respectiva remuneração, a característica marcante do governo Dilma: mediocridade, incompetência, má gestão, improvisação, falta de projeto de país. No fundo, não é preciso eleger ninguém para provocar recessão e desemprego: as duas coisas já acontecem agora, basta ver a indústria automobilística, apesar dos bilionários incentivos, e o setor sucroalcooleiro, que não para de demitir e com muitas usinas fechando as portas por total falta de uma política que as favoreça.