quinta-feira, setembro 11, 2014

Otimismo com economia despencou em um ano no Brasil, diz Pew

João Pedro Caleiro
Exame.com

Pesquisa global mostra que Brasil é um dos seis países no qual a visão positiva sobre a economia caiu mais de dois dígitos de um ano para o outro

Marcos Santos/USP Imagens

São Paulo - A visão positiva da economia brasileira despencou entre 2013 e 2014, de acordo com uma pesquisa feita pelo Pew Research Center.

O instituto entrevistou mais de 48 mil pessoas em 44 países entre março e junho. No Brasil, foram mil pesquisados durante o mês de abril. 

O Brasil está junto com Venezuela, Malásia, Argentina, Quênia e Gana no seleto time de 6 países onde a visão positiva da economia despencou dois dígitos de um ano para o outro.

Em 2013, 59% dos brasileiros achavam que a economia ia bem; em 2014, são 32% - uma queda de 27 pontos percentuais e já abaixo da média dos emergentes, que segue em 39%.

O processo contrário ocorreu em países como Israel, Paquistão, Uganda e, curiosamente, a Rússia. No Reino Unido, por exemplo, a visão positiva da economia saltou de 15% para 43% de um ano para o outro. 


Visão positiva
2013
2014
Mudança
Brasil
59%
32%
-27
Venezuela
44%
29%
-15
Argentina
39%
26%
-13
Reino Unido
15%
43%
+28
Paquistão
17%
37%
+20
Rússia
33%
44%
+11


Pessimistas e otimistas
Em números absolutos, no topo da lista dos pessimistas estão 97% dos gregos, 96% dos italianos e 93% dos espanhóis e ucranianos que consideram ruins as condições econômicas do seu país. 

O mau humor destas populações é maior do que o registrado em lugares com situação ainda mais dura como os territórios da Palestina (77% de visão negativa) e Egito (76% negativos).

Na outra ponta estão os 89% de chineses, 87% de vietnamitas e 85% de alemães que veem sua situação atual como positiva.

Visão da economia
Boa
Ruim
China
89%
6%
Alemanha
85%
15%
Estados Unidos
40%
58%
México
40%
60%
Brasil
32%
67%
Itália
3%
96%


Maiores preocupações
Em 6 das 10 economias avançadas, a falta de emprego é considerada o principal desafio econômico. Já em 18 entre 25 emergentes, a alta dos preços é a maior preocupação.

No Brasil, 85% consideram a inflação "um grande problema", bem acima da taxa dos que se preocupam com falta de emprego (72%), o fosso entre pobres e ricos (68%) e a dívida pública (56%).


Consideram "grande problema"
Preços em alta
Falta de emprego
Desigualdade
Dívida Pública
Brasil
85%
72%
68%
56%
Turquia
74%
70%
74%
68%
Espanha
68%
93%
74%
75%
Japão
31%
45%
28%
67%
Venezuela
89%
83%
59%
72%
Estados Unidos
53%
54%
46%
63%

Futuro
Em relação aos próximos 12 meses e na mediana dos 44 países, 46% acham que a economia vai melhorar, 20% que ela vai continuar igual e 20% que ela vai piorar.

No Brasil, 63% esperam melhora, 22% veem a situação igual e 15% esperam piora. Os americanos estão divididos de forma quase exata entre as três posições.

Os mais esperançosos com esse futuro próximo são os chineses (80%) e peruanos (77%) - de forma geral, a América Latina e a África esperam melhora, um otimismo compartilhado com apenas um em cada 4 europeus.


Situação nos próximos 12 meses
Vai melhorar
Vai ficar igual
Vai piorar
Japão
15%
54%
29%
França
17%
35%
48%
Líbano
20%
33%
46%
Estados Unidos
35%
33%
30%
Brasil
63%
22%
15%
Colômbia
70%
16%
13%
China
80%
15%
2%