quinta-feira, setembro 11, 2014

Para subir, Dilma não precisava descer tanto

Adelson Elias Vasconcellos


Não me surpreende a leitura desta manchete nos principais jornais de hoje: “Tática de ligar Marina a banqueiros deu certo e será repetida, diz PT”. Baixaria deste gênero sempre foi  uma das estratégias principais empregadas pelo PT em campanhas eleitorais. Contudo, para subir nas pesquisas, Dilma não precisava apelar tanto, nem descer tanto. O partido está no poder há 12 anos, e será que não tem nada a mostrar de importante para tentar conquistar um novo mandato, para convencer o eleitor de que sua proposta é a melhor alternativa para o país? Pois é, no fundo, eles sabem exatamente onde erraram e, uma pequena retrospectiva destes 12 anos, não deixa dúvidas sobre a quantidade e a qualidade destes erros. Não por outra razão, apesar da baixaria utilizada, Dilma continua na liderança dos índices de rejeição. 

Amanhã, vamos postar um texto relacionando as “TOP TEN”, ou as “DEZ MAIORES MENTIRAS” entoadas por Rousseff ao longo da campanha. Como o diabo está nos detalhes, são mentiras que grudaram em grande parte do eleitorado e estão na base desta relativa recuperação nas pesquisas da presidente-candidata. 

Por exemplo, induzir na campanha que Marina é sustentada por um banco, apenas por ter em seu elenco de colaboradores a filha de um banqueiro, é asqueroso. Neca Setubal jamais ocupou cargo algum na instituição, Marina também não, e Neca tem uma formação totalmente diferente da que se exige para um operador do mercado. E  sua atuação também é diversa a de “um banqueiro”.  Mas é preferível trabalhar e se sustentar com seu trabalho, do que mamar eternamente nas tetas do Tesouro, viu, Dilma!

Uma questão que muito se discute, e que Dilma deu uma conotação totalmente cafajeste, é a tal independência do Banco Central.  Não interessa se o BC é livre ou não para agir, o que interessa é o resultado que sua atuação produz em benefício do país. Dilma, no seu melhor momento de canalhice explícita, acusa que a independência do BC provocará “desemprego”. Baseado em que a afirmação vigarista se fundamenta esta esquisitice? Desafio a senhora Rousseff a citar um só exemplo de Banco Central independente que provoque “desemprego”. 

Claro que o eleitorado, em sua maioria formado por ignorantes e sustentados  pela esmola estatal, recebe este tipo de acusação com ares de grande achado. Mas tal não passa de vigarice mesmo, desinformação, asneira no seu mais alto grau de má fé. Aliás, desemprego já acontece agora no governo da própria Rousseff, principalmente, na indústria, com destaque para a automobilística, a atividade mais beneficiada com incentivos no atual governo. 

Da mesma forma, a senhora Rousseff acusava que Aécio Neves, se eleito, acabaria com os programas sociais, o que não passava de puro terrorismo sem pé nem cabeça. E por falar nisto,  que tal o relatório do TCU, (ver reportagem da Folha nesta edição), colocando em dúvida os números de redução de pobreza que a senhora Rousseff alardeia em sua propaganda eleitoral? Ou, ainda, que tal a leitura torta que se faz sobre os números do emprego e desemprego do país? Antes de abrir a bocarra e apontar o dedo em riste contra quem quer que seja, Dilma deveria penitenciar-se pelas mentiras que conta e pelas calúnias que espalha.

Contudo, toda esta cortina de fumaça, a revelar um mau caráter absoluto, não passa de um ataque aos adversários para que estes se mantenham na defensiva, e não tenham tempo para mostrar o desastre que se converteu o primeiro mandato de dona Rousseff.  Não há um único indicador, seja econômico ou social, em que se possa mostrar uma ação competente deste governo desastroso.  E mais: se Lula teve um mensalão para chamar de seu, Dilma também tem sua pérola, sua filha dileta da corrupção para chamar de sua. Muito embora o escândalo da Petrobrás tenha nascido no governo Lula, primeiro como Ministra de Minas e Energia, depois como Chefe da Casa Civil quando teve assento na presidência do Conselho de Administração da Petrobrás, e agora na posição de presidente da República, Dilma sempre teve acesso franco e influência enorme sobre a atuação da estatal. Dizer que, neste tempo todo, nunca soube de nada, é demasiado tolo para quem vendeu-se ao mercado como gestora competente.  O tamanho do rombo que sua política de preços provocou já seria suficiente para mostrar sua desqualificação. Porém, o esquema revelado pela operação Lava Jato demonstra ser impossível que, nos escaninhos da alta administração, ninguém tivesse conhecimento das falcatruas. Além disto, Dilma tinha os números da capacidade econômica e financeira da Petrobrás, e não poderia , na qualidade de Presidente do Conselho de Administração,  aprovar tantas negociações suspeitas e mal explicadas.

Como afirmei ontem, ou agiu por omissão ou por incompetência. E que se registre: não há nada que se pode atribuir do que se passa na Petrobrás neste 2014, a governos anteriores aos do PT. Até pelo contrário. O lamaçal todo é obra exclusiva dos governos Lula e Dilma.

Num outro ponto, a senhora Rousseff insinuou que Marina Silva seria volúvel, por ter saído do PT.  Ora, senhora Rousseff, esqueceu-se de que, antes de ser PT, você foi brizolista de carteirinha? Volúvel por volúvel... Talvez tenha trocado porque, no PDT, não houvesse os esquemas que o PT oferece, não é mesmo? 

Já afirmei antes da própria Marina entrar na corrida em lugar de Eduardo Campos: Dilma pode até ser reeleita, o que seria um desastre para o país, mas caso aconteça, não seria surpresa. Um eleitorado mal formado e desinformado, sempre estará entregue a agentes despidos de qualquer escrúpulos, como o são os agentes petistas. 

Enquanto o baixo nível educacional vigorar para a maior parte da população, este discurso terrorista, de baixo nível, indecente ao extremo, continuará a fazer sucesso e eleger políticos delinquentes. Contra esta malta, não há Ficha Limpa que dê jeito. Enquanto o povo não tiver autonomia de voo,  sem ter adquirido a plena consciência de seu dever cívico quanto às suas escolhas,  enquanto for escravo da compra de votos, estaremos sujeitos a este tipo de mau governante. Tudo a ficar como está, daqui 30 ou 40 anos, estaremos discutindo as mesmas mazelas, as mesmas incompetências, as mesmas políticas desgarradas do real interesse público. 

Assim, diante deste quadro que pode parecer assustador a alguns, mas que é a nossa crua realidade,  para crescer nas pesquisas ao ponto de alimentar esperanças de vencer a corrida presidencial, Dilma Rousseff não precisava descer a nível tão baixo. Se o fez foi por escolha pessoal,  e por entender    que, além dos fins justificarem os meios, o Brasil e seu povo não merecem coisa melhor além da mediocridade que ela nos oferece.