domingo, setembro 21, 2014

Programas sociais e PNAD: entre o discurso e os fatos

Adelson Elias Vasconcellos


O resultado da PNAD divulgado pelo IBGE nesta semana não se revela em surpresa alguma. Um país que não cresce não acumula riqueza para ser distribuída. Um país que não honra o equilíbrio das contas públicas com gastos desnecessários em ostentação, propaganda ou cooptação de partidos e políticos, não terá o suficiente para investir em educação, segurança, saúde, saneamento. Um país que afronta o bom senso  colocando empecilhos de toda a espécie para o capital privado, não terá infraestrutura nenhuma. 

Ora, saber-se que este governo não consegue reduzir desigualdade há três anos, é o mesmo que também reconhecer que se trata de um governo de faz de conta, e que a propaganda oficial – e agora a da campanha – vende um país que só existe no imaginário.

Reparem o resultado da última pesquisa Datafolha. Vejam em que regiões do país reina absoluta a senhora Dilma Rousseff. E agora recorram aos dados oficiais do Bolsa Família e o comparem com a pesquisa eleitoral. Nada a acrescentar.  Não interessa  que este governo circula na roda da corrupção extrema, ou da mediocridade extravagante, como também não interessa o relatório do TCU sobre as manobras pouco recomendáveis com os programas sociais. Como também não chama a atenção a inflação que se mantém acima do teto da meta que é (ou deveria ser) de 6,5%. O governo está dando dinheiro, perenizando a pobreza por falta de perspectivas de emancipação do cidadão, tendo gente que está aboletada no Bolsa Família desde de sua criação, nada disso conta muito. Como também não  se liga muito que a dívida pública foi multiplicada por 4 vezes com os governos petistas e isto nos levará, inevitavelmente, a mesma crise que atormentou o país durante a década   perdida dos anos 80 e metade dos anos 90, do século passado. 

A indústria está em queda livre há três anos? O desemprego começou a assombrar? Cada vez há menos brasileiros no mercado de trabalho? A perda do poder aquisitivo cada vez se acentua mais? E daí?, perguntaria o vulgo. O que importa neste momento é o cartão que assegura R$ 70,00 per capita, diante de um salário mínimo de R$ 742,00. E daí?, é o mesmo vulgo acrescentando que para ele o que importa é que há uns R$ 70,00 no fim do mês, e o resto que se dane. Nossa juventude  está condenada a viver nas trevas da ignorância? O país vai continuar matando mais de 56 mil brasileiros por ano? E daí?, tenho meu celular e um tevê moderninha, de plasma ou LCD, com prestações a perder de vista.  E é nesta raiz de más políticas que se agasalha uma Dilma Rousseff com preferência para ser reeleita. 

Voltem à pesquisa Datafolha. Entre regular e péssimo,  a presidente-candidata amarga mais de 60% de desaprovação. Sua taxa de rejeição é, de longe, a maior do que a de todos os demais candidatos. E daí?, se mesmo assim acabar reeleita.

Nesta semana, Guido Mantega afirmou que os fundamentos da economia não mudarão em 2015. Ou seja, se antes 2015 e 2016 já estavam contaminados pelo mau governo,  a se manter os mesmos “fundamentos”, Mantega sinaliza que um segundo mandato de Dilma irá hipotecar e exterminar o futuro. Será a mesma indecência e incompetência que nos habita desde 2011.  

Será preciso o povo sentir efeitos catastróficos  para perceber que os R$ 70,00 com que compram seu silêncio e seu voto não são suficientes para cobrir a miséria que os estão condenando. 

E um detalhe. Se o acaso nos empurrar goela abaixo mais quatro anos de Dilma, que a oposição não deixe para a campanha de 2018 sua atuação como oposição. Certo é que, mesmo ganhando o pleito, Dilma representará apenas pouco mais de um terço da votação. Que a oposição leve isto em consideração. São 50% contra 37%. E isto significa muita coisa, é só afinar o discurso e atuar durante os próximos quatro anos. 

O certo em relação à Dilma, é que até agora ela não apresentou seu programa de governo não por divergências com o PT, como se espalha como justificativa oficial. São duas outras razões. Uma,  a de que a divulgação colocará munição na mão dos adversários que encontrarão coisas condenáveis. E outra, é que ao não divulgar programa algum, Dilma também não se compromete com coisa alguma. Tudo o que fizer pode ser grudado num programa fantasma. Se reeleita sem programa, estará recebendo um cheque em branco para praticar a malvadeza que quiser. 

É bom o país ficar esperto. Dias muito sombrios se aproximam, com trovoadas e raios com Dilma reeleita. O diabo ainda são aqueles R$ 70,00, não é? E daí?

E os tais panfletos, hein? 
Lembram as tais cartilhas pagas com dinheiro público na campanha de reeleição de Lula? Agora, é Dilma quem promove lambança semelhante. 

Haja confusão neste governinho de droga comandado pela senhora Rousseff. Não basta usar a máquina pública, prédios e recursos para sua campanha eleitoral. Não basta destacar ministros e servidores públicos para atuarem como militantes partidários. 

Também não basta travar o crescimento do país, colocar em risco boa parte do parque industrial brasileiro. É preciso envolver em seu mar de incompetência,  estatais como Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica. Não escapam desta sanha desgovernada nem o IBGE tampouco os Correios. É bom que o Ministério Público vá a fundo nesta história dos panfletos eleitorais distribuídos sem chancela pela EBCT para a campanha de Dilma Rousseff.  Em sua defesa, a EBCT informou aos menos esclarecidos que,  apesar de se tratar de uma exceção, a empresa já fez o mesmo agrado para outros. Ok, mas quem são estes outros? Citem um único partido que não seja do governo, mas da oposição, para quem a EBCT prestou o mesmo favor graciosamente? Dilma, quando interpelada, afirmou que a campanha pagou uma enormidade pelo serviço, tão enorme que ela, na hora,  não lembrava do valor, mas que tudo estava correto com a emissão/distribuição, inclusive com nota fiscal. Cadê a Nota fiscal?  Não foi exibida. Provavelmente, a EBCT emitirá alguma, depois do escândalo vir a público. Será a primeira vez que os Correios emitem Nota Fiscal depois do serviço feito. 

Então o que temos é que o desespero de perder a eleição e ver milhares de vagabundos tendo que procurar emprego – não trabalho, que isto é coisa de “reacionário” -   em outras praças, é que está valendo qualquer coisa, inclusive ultrapassar os limites legais e até o decoro que, mesmo sendo candidata, a senhora Rousseff deveria lembrar que ainda verga a faixa presidencial. 

Aliás, dentre todos os candidatos, segundo o TSE, Dilma é que mais foi punida por infração à legislação eleitoral, muito embora sua campanha terrorista sequer tenha sido retirada do ar, contrariando parecer do próprio Procurador Geral.

Em resumo, se pode dizer que os programas sociais do PT produzem apenas dependência eterna do paternalismo estatal e, claro, na forma como estão configurados, perenização da pobreza. E o PNDA aí está para comprovar,  pois, mesmo com as correções dos “erros técnicos” (quem acredita?), a desigualdade permanece estagnada há três anos. E o resultado é o que importa.