Carlos Newton
Tribuna da Internet
A situação mais perniciosa no debate realizado terça-feira à noite pela Band foi registrada nos intervalos comerciais. A cada um desses intervalos, entraram no ar propagandas eleitorais do PT esculhambando Aécio Neves. No primeiro e no segundo intervalos, a corrosiva mensagem do PT foi exibida duas vezes. E para disfarçar a flagrante existência de um conluio entre a Band e o PT, nesses dois intervalos entrou no ar também um comercial de Aécio agradecendo o apoio de Marina Silva e do PSB.
Mas nos outros intervalos, a evidência passou a ser ainda mais clara, pois a Band parou de exibir a mensagem de Aécio e continuou levando ao ar apenas o comercial do PT.
UMA EVIDENTE ARMAÇÃO
Quando falamos em conluio com a Band, estamos nos referindo à emissora como um todo, porque esse tipo de coincidência não existe em campanha eleitoral. Não há essa possibilidade de serem exibidos tantos comerciais de um só partido num programa tão estratégico como o debate presidencial.
Quem trabalha em televisão sabe que esses comerciais são enviados à emissora em pacotes, para serem exibidos aleatoriamente durante a programação. Não há possibilidade de se concentrar tais anúncios num único programa, sem que haja um acordo com a direção da emissora ou com seus operadores de videotape (o cargo é este), profissionais que gravam previamente os blocos de anúncios de todos os intervalos comerciais da programação.
Estamos fazendo esse esclarecimento para que não se culpe apressadamente a Band, antes de se fazer uma apuração a respeito deste estranhíssimo favorecimento à candidata do PT.
Não sabemos quem foi o autor do golpe nem quanto ele levou nessa empreitada, mas não há dúvida de que ocorreu uma tramoia que pode ser considerada crime eleitoral.
Essa estranha coincidência jamais foi vista em debates presidenciais anteriores. É uma inovação muito criativa, mas que pode acabar mal, porque alguém terá de assumir essa responsabilidade.