Alvaro Gribel
O Globo
O balanço das contas públicas divulgado pelo Banco Central em junho continua assustando. No mês, houve déficit primário de R$ 9,3 bilhões do setor público consolidado, isso quer dizer que fechamos no vermelho mesmo tirando da conta o pagamento de juros. No primeiro semestre, o superavit primário acumulado é de R$16,2 bilhões, contra R$29,4 bilhões no mesmo período de 2014. Caiu quase à metade.
Mas o que realmente preocupa é o déficit nominal acumulado em 12 meses, que chegou a 8,14% do PIB. Ou seja, quando entra na conta o gasto do governo com juros, há um rombo de R$ 462 bilhões em um ano. A alta da Selic está tendo um efeito devastador sobre as contas públicas.
Também há déficit primário nesse período de 12 meses, apesar do esforço fiscal, de 0,8% do PIB. A dívida bruta do governo continua subindo, chegou a 63% do PIB, com alta de meio ponto sobre o mês de maio. Há economistas que estimam que possa chegar a 70% até o final deste mandato. O Ministério da Fazenda acha que não.
Parte dessa tragédia fiscal são gastos não contabilizados no mandato passado e que entraram na conta agora. Outro pedaço é fruto da recessão, que diminuiu a arrecadação do governo federal e também de estados e municípios.
De um lado, gastou-se demais, de outro, as tentativas de fazer o país crescer fracassaram.
