quinta-feira, junho 01, 2017

Os cinco obstáculos do PIB

O Globo


A economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre. Foi a primeira alta desde 2014. Mas para sair de vez da recessão, o país terá que vencer alguns obstáculos. Veja o que pode atrapalhar essa escalada.


PRIMEIRO OBSTÁCULO:  CRISE POLÍTICA

A turbulência causada pela divulgação de uma conversa comprometedora, gravada em áudio, entre Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, abalou o governo. Para a economia, o principal risco é a continuidade da tramitação de reformas, como a da Previdência e a trabalhista. Sem a aprovação, a confiança de empresários, que vinha melhorando nos últimos meses, pode voltar a cair e afetar os investimentos.


SEGUNDO OBSTÁCULO: JUROS

Um mercado financeiro inseguro pode atrasar o aguardado processo de corte de juros. Isso já começou a acontecer. As curvas de juros futuros, que vinham caindo até então, já mostram mudança de tendência. Se o financiamento é mais caro, consumir e investir fica mais caro. E a atividade econômica tende a esfriar.


TERCEIRO OBSTÁCULO: DESEMPREGO

A velocidade de recuperação do mercado de trabalho deve ditar o ritmo do consumo. Por enquanto, a taxa de desemprego continua alta. Se o ambiente de incerteza se mantiver entre as empresas, o ritmo de contratações pode ser afetado.


QUARTO OBSTÁCULO: CONTAS PÚBLICAS

O ajuste fiscal continua um desafio para o governo. A meta para as contas públicas neste ano é de déficit de R$ 139 bilhões, mas já há analistas que calculam que o rombo será ainda maior. Com a política fiscal em desequilíbrio, o governo pode ser obrigado a fazer mais cortes de despesas, inclusive investimentos — este ano já foram quase R$ 40 bilhões — ou aumentar impostos, o que também pode ter impacto na atividade econômica.


QUINTO OBSTÁCULO: CÂMBIO

O sobe e desce da cotação do dólar é ruim para os negócios. Importadores e exportadores costumam se queixar da volatilidade, que dificulta o planejamento de compras e vendas. E, em outros momentos, uma alta prolongada do valor da moeda americana acabou afetando a inflação.


E DEPOIS?: RETOMADA

Se conseguir vencer esses obstáculos, a economia brasileira pode voltar a crescer normalmente a partir de 2018. Mas, em caso de recaída na crise, uma nova recessão em 2017 não está descartada. Por enquanto, as projeções ainda indicam resultado positivo nos dois anos.