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João Pedro Caleiro
Foi a primeira alta nessa medida após 8 trimestres seguidos de queda. Na comparação com o 1º trimestre de 2016, o PIB caiu 0,4%.
(Cristiano Mariz/EXAME/Revista EXAME)
São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1% no 1º trimestre de 2017 em relação ao 4º trimestre de 2016 na série com ajuste sazonal, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foi a primeira alta nessa medida após 8 trimestres seguidos (dois anos) de queda. Por essa medida, acabou a recessão, mas há dúvida se a trajetória de alta é consistente e vai continuar.
Na comparação com o 1º trimestre de 2016, o PIB caiu 0,4%. No acumulado dos quatro trimestres até o primeiro trimestre de 2017, o PIB teve queda de 2,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
O resultado veio na linha do que estava sendo projetado pelo mercado. Uma média de 25 projeções compiladas pela Bloomberg News previa 1% de alta, assim como o Ibre/FGV. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vinha projetando alta de 0,7%.
O resultado de hoje dá força ao discurso do presidente Michel Temer de que a economia brasileira está em um ponto de inflexão e que a mais longa e profunda recessão da história acabou.
Mas a crise política que se instalou com a delação premiada de executivos da JBS traz novas turbulências e tem feito os economistas reverem suas projeções para os próximos trimestres.
Setores
O resultado foi puxado pela Agropecuária, que cresceu 13,4% em relação ao trimestre anterior e 15,2% em relação ao mesmo período de 2016.
Já a Indústria subiu 0,9% em relação ao trimestre anterior, mas ainda acumula queda de 1,1% na comparação anual.
Houve alta anual em áreas como Extração Mineral (+9,7%) e queda em setores como Construção (-6,3%) e Indústria de Transformação (-1%).
Os Serviços ficaram estagnados na comparação trimestral mas tiveram queda de 1,7% em relação a 2016.
Todas as outras principais medidas de demanda interna continuam em queda. O consumo das famílias, por exemplo, a mais importante delas, teve queda de 0,1% no trimestre e de 1,9% em relação a 2016.
“Esse resultado pode ser explicado pelo comportamento dos indicadores de crédito e mercado de trabalho ao longo do período”, diz o comunicado.
A formação bruta de capital fixo, que mede o investimento na economia, caiu 1,6% na comparação trimestral e 3,7% na comparação anual.
A taxa de investimento como proporção da economia caiu mais de um ponto percentual em um ano: foi de 16,8% no primeiro trimestre de 2016 para 15,6% no primeiro trimestre de 2017.
Já a taxa de poupança teve um movimento contrário e em um ano foi de 13,9% para 15,7% do total do PIB.
As exportações subiram 1,9% comparado ao ano anterior enquanto as importações subiram 9,8%, efeito de uma valorização cambial de cerca de 20% no período e também da recuperação econômica.
Período de
comparação
|
PIB
|
1º Tri 2017 / 4º
tri 2016
|
1,0%
|
1º Tri 2017 / 1º
Tri 2016
|
-0,4%
|
Acumul. 4 tri /
Acumul. 4 tri anteriores
|
-2,3%
|
Valores correntes
no ano (R$ bilhões)
|
1.594,5
|
Período de
comparação
|
Agropec.
|
Indústria
|
Serviços
|
1º Tri 2017 / 4º
tri 2016
|
13,4%
|
0,9%
|
0,0%
|
1º Tri 2017 / 1º
Tri 2016
|
15,2%
|
-1,1%
|
-1,7%
|
Acumul. 4 tri /
Acumul. 4 tri anteriores
|
0,3%
|
-2,4%
|
-2,3%
|
Valores correntes
no ano (R$ bilhões)
|
93,4
|
291,1
|
996,4
|
Período de
comparação
|
Investimento
|
Cons. Fam.
|
Cons. Gov.
|
1º Tri 2017 / 4º
tri 2016
|
-1,6%
|
-0,1%
|
-0,6%
|
1º Tri 2017 / 1º
Tri 2016
|
-3,7%
|
-1,9%
|
-1,3%
|
Acumul. 4 tri /
Acumul. 4 tri anteriores
|
-6,7%
|
-3,3%
|
-0,7%
|
Valores correntes
no ano (R$ bilhões)
|
248,6
|
1.003,6
|
307,6
|




