domingo, agosto 05, 2018

Para manter crescimento sustentável na próxima década só com investimento médio de 17,8%

Bárbara Nascimento 
O Globo

Segundo técnicos do governo, país terá que voltar aos patamares de antes da crise


 Notas de real. - Pixabay

BRASÍLIA - Se quiser entregar uma trajetória de crescimento sustentável na próxima década, o governo terá que trazer o investimento novamente para os patamares de antes da crise. Cenários traçados pela equipe econômica para os próximos 12 anos mostram que, para atingir uma taxa média de crescimento de 2,3% ao ano entre 2019 e 2031, o país tem que voltar a investir, pelo menos, a um patamar de 17,8% do Produto Interno Bruto (PIB) ao ano.

Técnicos do governo calculam que, dentro disso, ao menos 1,8% do PIB teria que ser destinado a obras de infraestrutura para fazer girar as engrenagens da economia e viabilizar essa taxa média de crescimento. Eles avaliam que há um potencial importante que ainda precisa ser destravado na área de telecomunicações e ferrovias, por exemplo, que poderiam ajudar a impulsionar a atividade econômica nos próximos anos.

Os números compõem os cenários traçados pela Estratégia Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, documento desenhado pelo Ministério do Planejamento e que está hoje em consulta pública. O crescimento médio de 2,3% ao ano é considerado como "cenário básico" pelo governo e implica, além de uma retomada no investimento, a manutenção do teto dos gastos públicos e a aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência.

O nível de investimento desenhado pelo governo para o cenário básico está abaixo do atingido nos últimos anos. Por isso, é considerado viável pelos técnicos. Entre 2008 e 2014, a chamada "Formação Bruta de Capital Fixo", que mede o investimento feito no país, girou em torno de 19,5% e 21%. No recorte apenas da infraestrutura, a média entre 2011 e 2016 foi de 2,2%.

Parte disso, no entanto, foi impulsionado por desembolsos públicos. Pelo menos metade do investimento em infraestrutura feito entre 2011 e 2016 ocorreu por meio do governo federal, autarquias e estatais. Agora, a avaliação é de que não há mais espaço para aportes dentro do Orçamento.

- Dado o problema fiscal que nós vivemos, temos que melhorar marcos regulatórios e governança para criar condições para que o setor privado possa investir - afirmou um técnico da equipe econômica.

A Estratégia prevê ainda um cenário mais otimista, que inclui uma série de reformas capazes de estimular a produtividade e destravar a burocracia e que permitiram um crescimento médio de 3,9% nas próximas décadas. Para isso, no entanto, seria necessário elevar ainda mais a taxa de investimento, para 19,5% do PIB. E o investimento em infraestrutura para 3,5% do PIB.

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Enquanto a elite dos servidores públicos continuar desviando para seu proveito pessoal volumes cada vez maiores de recursos, pouco se importando das necessidades e dificuldades do país, não há a menor hipóteses do Brasil investir o necessário para seu desenvolvimento. Sempre faltarão recursos para a saúde , educação, segurança, infraestrutura. Sempre que puderem  servidores, de todos os níveis e poderes, tratarão de se  apropriarem, para seu deleite, de recursos que, aliás, diga-se, não lhes pertence. Mas eles acham que sim e não se fartam destes desvios. E uma das aberrações que o país precisaria por um fim é acabar com TODAS as estatais – raiz da corrupção disseminada – e com a tal estabilidade – raiz da má qualidade dos serviços e da carência de recursos em áreas prioritárias.Ao longo dos anos estamos assistindo uma completa inversão de valores: os servidores, como o próprio nome diz, é que deveriam servir ao país, e não como ocorre, se servindo dele.  .