Vanessa Barbosa
Exame.com
Cientes de que os problemas que não são falados permanecem intocados por mais tempo, eles querem gerar a maior quantidade possível de conversas a respeito
(Daniel Berehulak/Getty Images)
São Paulo – Em um movimento sem precedentes, milhares de jovens participantes do grupo Juventude Africana pedem o fim da Mutilação Genital Feminina (MGF) — e eles pretendem convencer os governos que permitem essa prática por meio de “um milhão de conversas”.
A campanha, que está sendo apoiada pela The Girl Generation, um coletivo global liderado pela África, começou na última segunda-feira (23) e reúne jovens de todo o mundo comprometidos em acabar com a MGF postando vídeos e imagens nas mídias sociais usando as hashtags #Ihavespoken e #EndFGM a fim de gerar reconhecimento do problema e também angariar mais apoio.
Cientes de que os problemas que não são falados permanecem intocados por mais tempo, eles querem gerar a maior quantidade possível de conversas a respeito.
Esse tipo de violência contra crianças e mulheres ainda ocorre em pelo menos 30 países da África e do Oriente Médio, além da Ásia e em comunidades emigrantes na Europa, América do Norte e Austrália.
A mutilação genital feminina é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como todos os procedimentos que envolvem a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos ou que provoquem lesões nestes órgãos por razões não médicas.
A prática é reconhecida internacionalmente como uma violação dos direitos de mulheres e meninas e, segundo a OMS, reflete a desigualdade profundamente arraigada entre os sexos, constituindo uma forma extrema de discriminação contra as mulheres.
Além da dor e sofrimento envolvidos no processo, o procedimento gera consequências para a saúde a longo prazo, às vezes envolvendo até mesmo infertilidade. Infecções e cistos da bexiga e trato urinário não são incomuns. É difícil saber o número exato de mulheres e meninas que foram submetidas a este tipo de procedimento no mundo.
