Cássia Almeida
O Globo
Crise econômica, que reduziu o PIB em quase 8%, inverteu a trajetória de queda do indicador. O número de pobres cresceu em 7,3 milhões
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
Acampamento de moradores de rua no Largo de São Francisco, Centro do Rio
RIO _ Relatório sobre a influência dos ciclos econômicos sobre os indicadores sociais, divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Mundial, mostra que a pobreza no Brasil subiu três pontos percentual entre 2014 e 2017, causado pela forte recessão que o país atravessou desde o segundo trimestre de 2014, quadro negativo que permaneceu até o fim de 2016. Considerando a população de 207 milhões de habitantes em 2017, há 43 milhões ganhando até US$ 5,5 por dia. Um aumento de 7,3 milhões desde 2014.
"Em vista do ritmo de crescimento medíocre da região, em particular da América do Sul, a deterioração dos indicadores sociais não deveria surpreender. No Brasil, que representa um terço da população da América Latina e Caribe, houve um aumento da pobreza de aproximadamente três pontos percentuais entre 2014 e 2017. "
Segundo o banco, em outro relatório sobre a pobreza no Brasil, a população pobre passou de 17,9% do total em 2014 para 21%. "A contração da economia brasileira durante 2014-16 levou a três anos de aumento da pobreza, uma reversão, após 11 anos seguidos de queda da pobreza.. Entre 2003 e 2014, a parcela da população que vive com menos de US $ 5,50 por dia caiu 24 pontos percentuais, de 41,7% para 17,9%. Em 2015, a pobreza aumentou 1,5 pontos percentuais (19,4%). Enquanto o crescimento retornou ao território positivo em 2017, a pobreza cresceu marginalmente, chegando a 21% da população. O crescimento econômico em 2018 permaneceu baixo, sugerindo uma redução limitada a curto prazo.", diz a avaliação do indicador pelo banco.
