Comentando a Notícia
Não pensem os leitores que Bolsonaro demitiu Pazuelo do Ministério da Saúde graças ao seu péssimo desempenho. Dependesse de exclusiva vontade presidencial e, por certo, o general continuaria a cumprir a danosa missão de sabotar qualquer tentativa de combate à pandemia.
Nas últimas pesquisas sobre a avaliação do governo, se destaca a brusca queda no índice de aprovação. E isto serviu de alerta para quem ambiciona a reeleição em 2022. Também do Congresso, especificamente do Centrão, surgiram vozes de insatisfação. E foi neste sentido, recuperação da popularidade positiva e a obrigação de agradar ao Centrão, seu maior aliado, que Bolsonaro dispensou os serviços de seu ajudante de ordens do ministério da Saúde.
A escolha foi buscar alguém que ao menos tivesse formação médica. Primeiro, tentou a dra. Ludmilla que agradeceu o convite mas declinou quando percebeu que não teria autonomia de voo para implementar as medidas que entendesse corretas. Aí, por pressão dos filhos, buscou alguém próximo da família, que fosse mais flexível e sobre quem pudessem exercer forte influência para seguir com o programa de sabotagem explícita.
O escolhido que, de pronto aceitou o convite, foi o cardiologista dr. Marcelo Queiroga. À primeira vista poderia parecer que a escolha indicasse mudanças na direção de combate a pandemia. Mas é bom lembrar que, antes de Pazuello, foram dois ministros com formação médica que logo foram descartados por Bolsonaro por contraírem o “mito” quanto as políticas de gestão da pasta, principalmente, no tocante ao enfrentamento da covid-19.
Mesmo assim, a mudança e o escolhido poderiam apontar mudança nas políticas de combate à pandemia, dada as enormes pressões que surgiram em parte da sociedade .
Porém, o próprio Queiroga acabou por sepultar tal esperança. Sua primeira declaração já como ministro , ao chegar para reunião com o demitido Pazuelo foi: “'Ministro da Saúde executa a política do governo'.
Ora, como bem sabemos, a “política de governo do Bolsonaro” para a Saúde no enfrentamento da pandemia é primeiro, negar a gravidade da doença, segundo, impedir qualquer tentativa de combate ao vírus, terceiro, deixar morrer pelo abandono, pela negligência e pela irresponsabilidade o máximo de brasileiros que puder. Não são apenas declarações estúpidas que corroboram tal política, mas ações, muitas e repetidas atitudes irresponsáveis além de abrir conflites imbecis e tolos com os que não compartilham de suas ideias genocidas., como parte do Congresso, governadores e prefeitos, além do STF.
Portanto, e respondendo à questão do título deste texto, a mudança foi para não mudar nada, deixar tudo como está e sempre esteve. Assim, o dr. Queiroga foi nomeado não para ser ministro da Saúde, mas para ser mais um ajudante de ordens do capitão, mais um capacho do “mito”. E, neste caso, o Brasil continuará batendo recordes atrás de recordes de mortes e casos, entupindo a rede hospitalar, pública e privada, além de lotar os cemitérios. E nada de ser apressadinho para vacinar a população.
Governo falhou ao não fazer campanha pelo uso de máscara e contra aglomeração, declarou o vice-presidente general Mourão com quem, aliás, Bolsonaro já teve vários conflitos e desentendimentos. E esta campanha foi cobrada pelo blog bem no início da pandemia. Mas deve Bolsonaro imaginar, assim como a classe política, que povo esclarecido se torna muito chato e exigente. Que durmam na ignorância para serem mais fáceis de manipular.
Em vídeo, relembrem o desprezo de Bolsonaro na pandemia e avanço de mortos pela Covid
