Luana Patriolino, Correio Braziliense
Tribuna da Internet
Charge do Céllus (Arquivo Google)
O presidente Jair Bolsonaro criticou a ordem da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), em suspender a execução das emendas de relator, as chamadas RP-9, decisão concedida numa ação de três partidos da oposição. O mandatário afirmou que há uma excessiva interferência do Judiciário no Executivo.
“É uma [decisão] atrás da outra. A mesma Rosa Weber. Decidi zerar o imposto de importação de armas, ela achou injusto e vetou. Há um excesso de interferência do Judiciário no Executivo. Até quando quis indicar um alguém para diretoria-geral da PF houve interferência. O Supremo age demais nessas questões”, disse Bolsonaro.
PAPEL DO SUPREMO? – “A gente lamenta isso daí, não é, no meu entender, o papel do Supremo. Os Poderes têm que ser respeitados, mas as decisões de alguns atrapalham o andamento da Nação. Quer ser presidente da República, se candidate”, afirmou o chefe do governo.
Na última sexta-feira (5/11), Weber decidiu suspender “integral e imediatamente” a execução das chamadas “emendas de relator” no orçamento de 2021.
Esses recursos compõem o “orçamento paralelo”, que tem sido usado pelo governo Bolsonaro para turbinar as emendas parlamentares de aliados no Congresso. Como não há transparência sobre os gastos, a ação é conhecida como “orçamento secreto”.
PERPLEXIDADE – Na decisão, a ministra Rosa Weber afirmou causar perplexidade que parcela significativa do Orçamento esteja sendo ofertada a grupo de parlamentares “mediante distribuição arbitrária entabulada entre coalizações políticas, para que tais congressistas utilizem recursos públicos conforme seus interesses pessoais”.
Bolsonaro afirmou que os argumentos de Rosa Weber não são justos porque não existe barganha. “Como é que eu posso barganhar se quem é o dono da caneta é o relator, é o parlamentar? E não é secreto porque está em Diário Oficial da União”, apontou.
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BOLSONARO REPETE QUE MORO PRETENDIA IR PARA O SUPREMO
Ana Mendonça Estado de Minas
O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta segunda-feira (8/11), que o ex-juiz Sergio Moro agia de forma camuflada e com interesse político.
“Você começa a entender um pouco mais as coisas, começa a entender o que eu passei com o ministro Sergio Moro. Ele sempre teve um propósito político, nada contra, mas fazia aquilo de forma camuflada”, disse sobre Moro ter deixado o cargo de ministro em abril de 2020, acusando Bolsonaro de tentar interferir na Policia Federal (PF).
MORO E O SUPREMO – “Ele tinha, sim, intenção de ir para o Supremo, no primeiro momento eu achei justa a intenção dele e depois passei a conhecê-lo um pouquinho melhor. Daí o que eu queria na PF? Não era interferir em nada, era interlocução”, disse Bolsonaro.
“Ele tinha um prestígio muito grande, fez um trabalho bom na Lava-Jato, ajudou a redirecionar o futuro do Brasil. Mas o propósito político começa a se revelar agora, ser candidato é um direito dele. Estamos aí para o debate, se viermos a ser candidatos, a gente vai trocar ideias, ir para o debate, sem problema nenhum”, disse.
As declarações do presidente foram dadas em entrevista exclusiva para a Jovem Pan, nesta segunda-feira (8/11).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro está se tornando um mestre do sofisma. Aprendeu a dizer coisas que parecem verdadeiras, porém não são. Sabe-se que Moro jamais lhe pediu para ser nomeado para o Supremo, mas Bolsonaro diz solertemente que “ele tinha a intenção”. Quando ao orçamento secreto, o Diário Oficial realmente o divulga, mas não estipula qual foi o parlamentar que apresentou a emenda nem a finalidade dos recursos distribuídos. Se nariz de mentiroso realmente crescesse, Bolsonaro já seria uma espécie de Cyrano de Bergerac e estaria apelidado de “Fura-Fronha”. (C.N.)