quarta-feira, novembro 10, 2021

O que o Brasil pode aprender com a Europa

 Eduardo F. Filho

Revista ISTOÉ

Após se tornar um exemplo para o mundo com medidas restritivas eficientes e uma quarentena rigorosa em que toda a população acatou de imediato, a Europa voltou a ser manchete mundial ao retornar aos patamares do início da pandemia com recorde no número de novos casos e mortes por Covid.

 © Fornecido por IstoÉ

 Alemanha passa por aumento de casos de coronavírus

O diretor da OMS Europa, Hans Kluge, afirmou na quinta-feira, 4, que o ritmo de propagação da Covid-19 nos países europeus é muito preocupante, e estimou que, se nada for feito contra o vírus, cerca de meio milhão de pessoas podem morrer no continente em três meses.

A Rússia vive o pior cenário com mais de 8.100 mortos nos últimos sete dias, seguida pela Ucrânia e a Romênia. Entretanto, a Alemanha é um dos países que mais preocupa as autoridades, por justamente ter apresentado desaceleração nos níveis de contágio nos últimos meses. As medidas restritivas no país, inclusive, tinham sido flexibilizadas – como o fim do uso de máscaras em locais públicos. Na quinta, o país apresentou um recorde de casos diários de Covid desde o início da pandemia, com quase 34 mil pessoas infectadas, ultrapassando o patamar registrado em dezembro de 2020, quando 33.700 pessoas foram diagnosticadas em apenas um dia.

A Alemanha tem 66,8% de sua população completamente vacinada e apenas 6,7% dos idosos acima dos 60 anos já tomaram a dose de reforço. O número é bem maior se comparado com a porcentagem de pessoas vacinadas com as duas doses ou dose única em todo o território – apenas 47%, incluindo os países europeus e da Ásia Central.

A nova onda de casos de Coronavírus na Europa é resultado de alguns fatores, como uma cobertura vacinal insuficiente e o relaxamento das medidas contra a doença. O próprio ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, disse que foi solicitado seu certificado de vacinação em Roma durante o G20 com mais frequência em um dia do que na Alemanha em quatro semanas.

Mas o que o Brasil pode aprender com isso? Assim como no início da pandemia, quando o país foi um dos últimos territórios a ser devastados pela doença, temos novamente a chance de olhar para fora e aprender, tentar fazer diferente, para que uma nova onda de casos e mortes não atinja o país. É certo e comprovado que estamos passando por uma queda no número de casos e mortes. Já temos estados que na última semana não apresentaram nenhum óbito pelo vírus em 24 horas, como é o caso de Acre, Amapá, Ceará e Roraima. A cidade de São Paulo na última semana também registrou apenas uma morte por Covid no período de um dia.

O motivo desse resultado extraordinário tem apenas um nome: vacina. Cerca de 119 milhões de brasileiros já estão totalmente imunizados – o número representa quase 56% da população que já tomaram as duas doses ou a dose única da vacina. E cerca de 9 milhões de pessoas (ou 4,47% da população) já tomaram a dose de reforço. A aceitação entre os brasileiros pela vacina foi maior do que qualquer negacionismo ou fake news em torno do imunizante. São Paulo é o estado com maior porcentagem da população brasileira imunizada com quase 70%. Seguido por Mato Grosso do Sul (65,01%), Rio Grande do Sul (61,88%), Santa Catarina (59,79%) e Paraná (58,56%), segundo o consórcio de veículos de imprensa.

Alguns estados já iniciaram o processo de flexibilização de medidas restritivas e máscaras estão perdendo a obrigatoriedade em espaços públicos. O Rio de Janeiro, por exemplo, com 51% das pessoas com o ciclo de vacinas completo, foi um dos estados que já publicou uma lei cedendo a obrigatoriedade das proteções faciais. O governo de São Paulo, apesar dos excelentes números, ainda está cauteloso e estuda as melhores formas de flexibilizar este tema.

Apesar do alívio que estamos respirando nas últimas semanas, ainda não é o melhor momento para abaixar nossas forças e nos descuidar. Ainda é necessário usar máscaras, principalmente em ambientes fechados, evitar aglomerações desnecessárias, sempre manter lugares fechados com alta ventilação, e expandir, sempre que possível, a cobertura vacinal – ainda não chegamos nos 80% da população vacinada – média considerada segura pelos cientistas para a implantação de medidas de flexibilização. Não podemos esquecer que as grandes festas como o Natal, Ano Novo e Carnaval estão chegando. Se todos fizerem sua parte e, principalmente, se vacinarem para que a circulação do vírus continue em queda e não apareça novas variantes, não há motivos para não festejar.