domingo, dezembro 26, 2021

Bolsonaro arrisca esvaziar microcrédito no Nordeste em pleno ano eleitoral

 Josette Goulart 

Veja online

Banco do Nordeste não conseguiu fechar licitação para um novo operador do Crediamigo

Divulgação/VEJA 

Banco do Nordeste vai ficar sem operador do Crediamigo a partir de janeiro

Depois de demitir a direção do Banco do Nordeste e exigir que a instituição encerrasse o contrato com a organização não governamental que desde 2003 tocava o maior programa de microcrédito da América do Sul, o governo Jair Bolsonaro corre o risco de esvaziar o programa em pleno ano eleitoral. Em comunicado oficial, o BNB informou nesta terça-feira, 14, que a licitação para encontrar operadores do Crediamigo não conseguiu habilitar nenhum dos interessados e que vai partir para um modelo de gestão a ser realizado pelo próprio banco, a partir de janeiro, quando encerra o contrato do Inec. O Inec atuava em 11 estados, tinha quase 8 mil colaboradores, mais de 3 milhões de clientes e cerca de 500 unidades de atendimento. O BNB terá que suprir toda essa estrutura, mas não informou exatamente como fará isso.

O problema com o BNB, que tinha sua diretoria indicada pelo PL, começou depois que Bolsonaro implicou com o Inec dizendo que era uma organização que trabalhava como cabo eleitoral de Lula. O dono do PL, Valdemar Costa Neto, foi então para as redes sociais dizer que Bolsonaro devia demitir o então presidente do banco. Isso foi feito. E algumas semanas depois, inclusive, Bolsonaro se filiou ao PL.