domingo, outubro 22, 2006

As mentiras do falso mito ! (2)

O Plano Real, porém, é uma realidade tão forte que tem resistido às corrupções envolvendo ministros e pessoas muito próximas do presidente. A economia, ao contrário vai mal, quando a comparamos com a economia da América Latina ou dos países emergentes, o Brasil está na rabeira do crescimento como veremos adiante.
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CRESCIMENTO DO PIB NO PERÍODO FHC:
ANO + BRASIL + AMÉRICA LATINA
- 1995 + 4,20% + 1,80%
- 1996 + 2,70% + 3,80%
- 1997 + 3,30% + 5,50%
- 1998 + 0,13% + 2,50%
- 1999 + 0,80% + 0,30%
- 2000 + 4,40% + 3,90%
- 2001 + 1,30% + 0,30%
- 2002 + 1,93% + (0,9%)
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Observações:
- entre parêntesis, crescimento negativo
- Crescimento acumulado Brasil - FHC: 20,27%
- Crescimento acumulado América Latina: 18,36%
- Crescimento Brasil-FHC 10,40% maior que o da América Latina.
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CRESCIMENTO DO PIB NO PERÍODO LULA:
ANO + BRASIL + AMÉRICA LATINA
- 2003 + 0,50% + 1,90%
- 2004 + 4,90% + 5,90%
- 2005 + 2,30% + 4,30%
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Observações:
- Crescimento acumulado Brasil - LULA: 7,85%
- Crescimento acumulado América Latina: 12,55%
- Crescimento da América Latina 59,87% maior do que Brasil-LULA.
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Se compararmos simplesmente taxas de crescimento do PIB, constatamos que a média no período FHC foi de 2,34% ao ano, contra 2,55% dos três primeiros anos do governo Lula (é bom lembrar que para o ano de 2006 as projeções não diferem deste quadro. O Brasil deve crescer a metade da média da América Latina e um terço da média entre os emergentes).
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Vejamos os principais elementos que fizeram a economia brasileira na era Lula:
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EXPORTAÇÕES
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Considerando-se que os primeiros anos do Real requereram cuidados excepcionais após dez planos econômicos fracassados, e mais entraves gerados pelas crises vividas por FHC, podemos constatar que não há proeza alguma na área econômica de Lula, exceto pelo ótimo crescimento das exportações, que, aliás, os exportadores reconhecem ser este crescimento devido à ação de longo prazo, iniciada desde os primeiros anos do governo FHC, nas transformações estruturais da economia brasileira, além do excelente momento da economia mundial. Prova disto é o fato de que na América do Sul, entre os dez países acompanhados pela CEPAL, o Brasil ocupa, nos dois últimos anos, apenas o quinto lugar em crescimento das exportações, ficando praticamente empatado com a Colômbia, o Equador e o Uruguai, com crescimentos na ordem de 60%. Atrás de Venezuela (104%), Peru (86%), Chile (85%) e Bolívia (61%). A performance, pois, do Brasil, só é melhor do que as evoluções de Paraguai e Argentina.
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AGRICULTURA
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A grande proeza do governo Lula na agricultura foi a safra recorde de 2003. Esta safra, no entanto, foi apenas colhida em 2003, tendo sido plantada em 2002, no governo FHC, além de, como no caso das exportações, decorrer de um árduo trabalho de longo prazo. Veja-se a evolução da produção brasileira de grãos:
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ANO – MILHÕES DE TONELADAS
- 2002 - 97
- 2003 - 123
- 2004 - 119
- 2005 - 113
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PETRÓLEO
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No mês de abril o governo Lula gastou 50 milhões de reais em propaganda para comemorar a auto-suficiência de petróleo do Brasil. O governo anterior atingiu em 2002 a produção de 90% do consumo. Neste mesmo ano, o então candidato Lula criticou FHC por contratar ao exterior a plataforma P-50, a mesma que, entrando em operação este ano, deu a tão propalada auto-suficiência ao Brasil. No primeiro ano do governo FHC, a Petrobrás produzia menos da metade do nosso consumo de petróleo.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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O governo FHC enfrentou, além de várias crises internacionais, o início do Plano Real, a fase mais difícil e melindrosa do plano, quando qualquer falha poderia levá-lo ao desastre. Ao contrário, o presidente Lula não experimentou nenhuma crise num céu de brigadeiro. Em 2005, entre os 20 países da América Latina, somente o Haiti, país em guerra civil, teve crescimento menor que o do Brasil.
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Infelizmente o PT, que teve projeto de poder, não tem, até hoje, um projeto de governo. Falta disposição para o trabalho ao governo petista, além de experiência, audácia, ação, criatividade, determinação, firmeza e, principalmente, competência e honestidade.
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Antes da eleição de Lula, sabia-se que ele não tinha competência pessoal para gerir uma nação. Pensava-se, no entanto, que tivesse sensibilidade política, além de uma “entourage” de intelectuais e técnicos por trás da sua figura para governar o País. Não tinha!
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A verdade é que o presidente Lula aproveitou o obscuro, embora eficiente, terceiro escalão da economia de Fernando Henrique Cardoso. O que atrapalha, no entanto, são o primeiro e o segundo escalões que não têm discernimento, nem sensibilidade, nem conhecimento para dosar as medidas certas da política econômica. De certa forma eles estão certos. Inexperientes que são, temem liberar um pouco mais a economia e ter a amaldiçoada inflação de volta. Eles estão certos de que, caso isso venha a ocorrer, estaria selado o fim do PT.
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Os pensadores petistas estão errados. O partido já está morto. O presidente Lula até pode vencer o segundo turno, por falta de habilidade política da oposição, mas ao Partido dos Trabalhadores não existiu salvação, já está morto e sepultado. O que existe aí é outra coisa bem diferente daquele partido ideológico, puro, intransigente com a ladroagem e que na falta de um candidato específico, a gente poderia votar, sem susto algum, na legenda PT. Isto acabou, o PT virou lixo fisiológico puro da pior qualidade.
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Observações finais:
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1- As taxas de inflação mencionadas foram as do IGP da Fundação Getúlio Vargas até dezembro de 1979 e o IGP-DI da mesma Fundação, a partir de janeiro de 1980.
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2- FONTES DE CONSULTA:
- Banco Central do Brasil;
- Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;
- CORECON-RJ;
- Ministério da Fazenda;
- Banco Mundial;
- CEPAL – Comisión Econômica para América Latina y el Caribe, http://www.cepal.org/;- Banco Mundial;- Arquivo Nacional.