domingo, outubro 22, 2006

Leituras de domingo

Como somos roubados!
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Por Jorge Serrão
Publicado no Alerta Total
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Os brasileiros não precisariam pagar Imposto de Renda. O Brasil perde, por dia, até US$ 750 milhões de dólares apenas com os impostos que são sonegados ou subfaturados (mal cobrados, por causa de jogadas contábeis) na exportação de vários minerais. Multiplicando-se tal valor por 25 dias úteis, nosso País arrecadaria, por mês, mais de US$ 18 bilhões de dólares que atualmente nos são surrupiados pelos controladores internacionais do comércio de commodities.
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Basta que o leão da Super Receita Federal fosse agressivo com os exploradores das riquezas do Brasil, e o Tesouro Nacional teria dinheiro para jogar pelo ladrão – e não para doar aos ladrões. Mas o leão faz o jogo dos gatunos e sonegadores porque nosso País (ainda) não exerce sua soberania e auto-determinação. Além disso, somos governados pelo crime organizado. O conceito é bem claro e objetivo. Crime Organizado é a associação, para fins delitivos, entre criminosos de toda a espécie, a classe política e os três poderes do Estado, para roubar a nação.
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Voltemos aos números da sonegação criminosa. No ano passado, com todo o esforço de arrecadação, a Super Receita arrecadou R$ 35 bilhões com o Imposto de Renda da Pessoa Física (que é o nome bacana dado ao imposto sobre o salário da classe média). Na verdade, por aqui, não se tributa, como deveria, nem a rende e muito menos o patrimônio de quem tem para pagar imposto. Penaliza-se o brasileiro comum, trabalhador ou empresário, que é obrigado a trabalhar e produzir durante cinco meses, apenas para pagar tributos. Nosso bolso sofre com impostos, taxas e contribuições que nos são covardemente cobrados. E o governo ainda tem a cara de pau de comemorar, mensalmente, recordes na arrecadação.
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Fazendo a conta do dólar cotado a R$ 2,10 (em média), se o leão mordesse os sonegadores apenas das exportações do setor mineral, o Brasil teria, por mês, uma arrecadação extra de até R$ 38 bilhões de reais. O volume sonegado por mês (só com minérios, não leva em conta as outras escandalosas sonegações de impostos) seria bem maior que toda a arrecadação anual do Imposto de Renda dos assalariados durante um ano todo. Ou seja, por ano, o Brasil teria uma receita extra de até R$ 456 bilhões. O valor equivale à fração de um quarto do que nossa economia produz em um ano. Nosso PIB (Produto Interno Bruto) está calculado em quase R$ 2 trilhões.
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De acordo com esses números, se o leão do fisco não fosse um felino conivente com outros gatunos que nos assaltam, o Brasil teria dinheiro sobrando para investir, pagar suas dívidas e ter um dos maiores crescimentos econômicos do planeta terra. Afinal, aqui estão as maiores riquezas naturais do planeta. Mas o governo não colabora com os brasileiros, e ainda toma o pouco dinheiro que a gente consegue ganhar trabalhando. E ainda faz o jogo do crime organizado pelos controladores econômicos que nossa ignorância, falta de cidadania ou conivência nos deixam explorar.
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Para piorar ainda mais a situação, o governo federal (em final de mandato, mas de olho no outro) tem a cara de pau de preparar a licitação para a venda de 331 áreas de exploração mineral. São jazidas de níquel, carvão, zinco, diamante, ouro, cobre, turfa e terras raras (matéria-prima para a indústria eletroeletrônica). O negócio de compra e venda de minerais brasileiros é controlado pela London Metal Exchange (LME) da City de Londres. Banqueiros e investidores transnacionais querem dominar, ainda mais, o rico setor mineral brasileiro comprando as áreas que o governo daqui quer praticamente doar. Além de não sobrar impostos dos controladores, o governo ainda trabalha para lhes proporcionar mais lucros com a venda dos direitos minerários do Brasil.
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Para entornar de vez o caldo, e deixar o cidadão-eleitor-contribuinte ainda mais com cara de otário, o Serviço Federal de Processamento de Dados da Super Receita ainda comete uma super mancada com 105 mil contribuintes. Todos ficaram sem restituição, até novembro, do quinto lote do Imposto de Renda da Pessoa Física. O jeito vai ser recorrer à Justiça, lenta e pouco justa com quem realmente precisa dela. O professor Sacha Calmon, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Direito Financeiro, adverte que os prejudicados devem entrar com ação judicial contra o Governo.
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O professor Calmon lembra que a promessa de restituição é um compromisso jurídico que não foi cumprido. Por isso, a falha tem de ser paga com juros e correção. E se ficar provado que houve dano material ou moral, porque a pessoa não conseguiu honrar um compromisso, por exemplo, cabe uma indenização. O professor Calmon lembra que o imposto de renda é um empréstimo que a população faz de graça ao governo. Paga mais do que não deveria, por isso há restituição. O professor destaca que, na hora de atacar o bolso do contribuinte, a Receita funciona. Mas na hora de ressarcir é desleal. O professor Calmon defende que o Ministério Público deveria entrar com processo cível, pois a ação individual do contribuinte seria lenta e cara.
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No fim dessa estória toda, como diria o saudoso cronista esportivo João Saldanha, “quem reclama já perdeu”. Mas se os cidadãos lesados e roubados ficarem calados, a derrota fica ainda maior. Ou dizemos não, definitivamente, ao governo do crime organizado, ou nem vamos mais para o espaço – já que o presidente George Bush baixou um decreto garantindo o monopólio dos Estados Unidos da América na exploração especial. Do jeito que a coisa vai, privatizam o inferno, e deixam o pobre diabo desempregado. E Deus que o sustente com um bolsa família.
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Por que Lula e seus petistas mentem tanto?
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Por Maria Lucia Barbosa
Publicado no Alerta Total
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Nunca dantes numa campanha se viu um festival de mentiras como o que assola o País. Por isso, mesmo que eu já tenha escrito sobre a mentira, voltarei ao tema. Inclusive, porque a arte de mentir é um dos fatores decisivos para que o PT deixe de ser governo e chegue ao poder, o que lembra o pensamento do irmão leigo Betto: “nós estamos no governo, mas não ainda no poder”.
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Como o piedoso frei Betto é admirador de Fidel Castro, exatamente como Luiz Inácio e demais companheiros, supõe-se que o projeto de permanência dos petistas é por tempo indeterminado e com características, senão totalmente cubanas, pelo menos venezuelanas.
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Na verdade, o sucesso do candidato e presidente petista repousa em três pilares: a mentira, o abuso do poder econômico e político que a reeleição faculta, a falta de uma verdadeira oposição que fortalecesse a candidatura de Geraldo Alckmin.
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A mentira do PT começa por seu líder simbólico, Luiz Inácio, passa pela propaganda enganosa e deságua nas invencionices que na campanha se avolumaram também como estratégia para desviar as atenções de assuntos indesejados, como aquele do dossiê arquitetado pelos “aloprados” na sua ânsia de prejudicar José Serra e, por tabela, atingir Geraldo Alckmin.
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Como símbolo, Luiz Inácio, que serve para angariar os votos que ensejam o poder para o PT, de fato não existe como presidente da República. Não tem condições, digamos, técnicas, para exercer o cargo. Ele é uma mentira criada pelo partido. Isso explica tantas viagens. Melhor mantê-lo afastado. Governar ficou por conta do que se chamou de “núcleo duro”, constituído por José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken. Do triunvirato não restou nenhum. Pelo menos oficialmente. Os homens mais próximos e importantes do presidente caíram por causa de pesadas acusações que ainda pairam sobre eles, sem nada ter sido ainda esclarecido na Justiça.
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Num país sério, o presidente da República, que em última instância é o responsável por seu governo, já teria caído junto ou, pelo menos, dado satisfações mais convincentes à sociedade em vez de ficar dizendo que não sabe de nada como qualquer batedor de carteira flagrado no delito.
O presidente que foi sem nunca ter sido, deve muito também a seu construtor de mentiras e mitos, Duda Mendonça. Este utilizou fartamente os ensinamentos de Goebbbels: “o que buscamos não é a verdade, é o efeito produzido”. E foi do ministro da Propaganda de Hitler que Mendonça copiou a lei de ouro do marketing ao treinar seu pupilo mais ilustre: “quanto maior a mentira, mais ela passa”.
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Entretanto, foram as palavras do próprio Hitler que nortearam o sucesso de Luiz Inácio: “se você deseja a simpatia das massas, deve dizer-lhes as coisas mais estúpidas e as mais cruas”. E não é isso que o candidato e presidente não tem cessado de fazer?
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Por outro lado, o PT tem forjado mentiras com relação ao adversário Geraldo Alckmin sobre privatizações, sua religiosidade, seu governo em São Paulo. O PT transforma Alckimin em Fernando Henrique e lança a culpa dos fracassos de seu governo no governo passado. É o álibi da “herança maldita”. Luiz Inácio, por sua vez, nada a tem a ver com o PT, com os crimes dos companheiros, com seu próprio governo. Existe o mal absoluto encarnado pelo PSDB, e o bem absoluto representado pelo PT, em que pese o incrível festival de corrupção do partido que durante esse mandato de Luiz Inácio já está em seu terceiro presidente, visto que os anteriores caíram também por conta de pesadas acusações.
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Evidentemente, essa aceitação da mentira por nossa sociedade explica o sucesso do governo petista e de seu líder simbólico, ressalvando, como escrevi em um dos meus livros, O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a Ética da Malandragem, que existe no Brasil gente humilde que é trabalhadora e honesta. Lideranças que ultrapassam visões paroquiais e se agigantam na tentativa de romper com o ranço da mentalidade antiprogressista. Empreendedores. Elites intelectuais. Temos nossas “aristocracias” no sentido aristotélico de aristoi (os melhores). Mas o problema é que “os melhores” não são capazes de preencher a lacuna entre a classe dirigente e a massa.
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Nestas eleições, e diante do entusiasmo que milhões de eleitores demonstram perante a mentira, recordo ao final desse artigo o pensamento de H.L. Mencken: “O homem é o caipira par excellence, um ingênuo incomparável, o bobo da corte cósmica. Ele é crônica e inevitavelmente tapeado, não apenas pelo outros animais e pelas artimanhas da natureza, mas também (e mais particularmente) por si mesmo – por seu incomparável talento para pesquisar e adotar o que é falso, e por negar ou desmentir o que é verdadeiro”. Por isso LILS e seus petistas mentem tanto. E fazem sucesso.
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Por que a Justiça tem de intimar Lula?
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Por Olavo de Carvalho
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A Justiça tem de intimar Lula a explicar suas reuniões clandestinas com narcotraficantes e seqüestradores.
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Há dezesseis anos o sr. Luís Inácio Lula da Silva, junto com outros líderes esquerdistas, se reúne regularmente com os representantes de entidades criminosas como as Farc, fornecedoras de cocaína ao mercado nacional, e o MIR chileno, seqüestrador de brasileiros.
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O órgão que promove esses encontros chama-se Foro de São Paulo. Foi Lula quem o fundou e presidiu até 2002, mas mesmo depois de assumir a presidência da República continuou participando dos encontros.
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Recentemente ele declarou, entre os participantes do Foro, que essas reuniões eram propositadamente camufladas, para que ninguém soubesse o teor do que ali se falava. Mas admitiu também que as conversações foram decisivas para ajudar Hugo Chávez a sair vencedor no referendo de 2004.
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Outro resultado foi uma resolução coletiva, emitida poucos meses antes da eleição de 2002, que tomava partido das Farc no confronto com o governo colombiano, acusando este último de “terrorismo de Estado”. A resolução foi assinada por Lula depois de o traficante Fernadinho Beira-Mar ter confessado que comprava cocaína das Farc para distribuí-la no Brasil, destruindo as vidas de milhões de nossos compatriotas, inclusive crianças. Ao mesmo tempo, o Exército notificava freqüentes tiroteios com as Farc na selva amazônica, e as polícias estaduais informavam que agentes dessa organização narcotraficante estavam dando treinamento de guerrilha urbana a bandidos do Comando Vermelho e do PCC.
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Com que autoridade um presidente da República se reúne em segredo com criminosos notórios para ajudar um político estrangeiro seu amigo, intervindo nos assuntos de uma nação vizinha sem dar ciência disto ao Congresso ou à opinião pública? Com que autoridade ele nos torna a todos “solidários” com agressores do país, com seqüestradores de brasileiros e com assassinos das nossas crianças?
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As Farc e o MIR são inimigos do Brasil. Lula é amigo deles. Ele tem sabido proteger esse segredo tenebroso, graças à ajuda de seus colaboradores infiltrados na mídia.
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Simplesmente não é possível admitir que esse conspirador sinistro se apresente candidato às eleições presidenciais antes de prestar esclarecimentos cabais sobre esse aspecto encoberto e clandestino das suas atividades.As autoridades judiciais devem intimar Lula a entregar imediatamente toda a documentação das reuniões do Foro de São Paulo e a explicar as estarrecedoras declarações que fez no discurso que proferiu no décimo-quinto aniversário dessa entidade em 2 de julho de 2005, no qual confessa ter ludibriado o Congresso e o povo para ajudar Hugo Chávez por baixo do pano.
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Documentos e provas:
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Atas das reuniões e resoluções do Foro de São Paulo: http://www.midiasemmascara.links/ (durante algum tempo tempo este material constou do site do próprio Foro, mas foi retirado logo que comecei a citá-lo nos meus artigos).
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Discurso de Luís Inácio Lula da Silva no décimo-quinto aniversário do Foro de São Paulo: http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc.
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Evasivas do assessor do PT, Giancarlo Summa:
Nova nota oficial do PT sobre o Foro de São Paulo e comentários meus:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/061016dc.html.
Outros materiais de interesse sobre o assunto:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/040207globo.htm, .
Olavo de Carvalho é filósofo e jornalista. www.olavodecarvalho.org
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Neoliberal, quem?
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por Carlos Alberto Sardenberg
Publicado no site do Instituto Millenium

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O presidente Lula acusa o tucano Geraldo Alckmin de “privatizador” e espalha por aí que ele pode até vender o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás. Alckmin sustenta que isso é uma mentira e uma calúnia.
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Assim, a privatização entrou no debate eleitoral mais ou menos como satanás em uma igreja. E entretanto, basta dar uma olhada por aí para encontrar fartos argumentos a favor da privatização.
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Nos escândalos produzidos pelo governo Lula – valerioduto, mensalão, compra do dossiê – sempre aparece o Banco do Brasil. Começou lá atrás, quando a instituição comprou ingressos para um show de arrecadação de fundos para o PT. Depois, o BB apareceu como cliente das agências de Marcos Valério, tendo um de seus diretores, responsável pela propaganda, como destinatário de um pacote de dinheiro vivo. Agora, um outro diretor do banco, Expedito Veloso (e diretor de Gestão de Risco!) , aparece como operador na tentativa de compra do tal dossiê.
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Expedito estava de férias quando atuou na operação, um outro diz que não sabia de nada e os ingressos se destinavam a clientes vip, mas terminou que todos foram afastados de seus cargos, inquéritos estão abertos. Se não era nada, não precisaria disso, não é mesmo?
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Essas atuações de dirigentes do PT acomodados em diretorias do maior banco do país levantam uma enorme suspeita. Banco é coisa séria, mexe com o dinheiro dos outros e, no caso, com recursos e interesses públicos. Tem que ser e parecer uma fortaleza de credibilidade. Mas o BB parece estar a serviço do governo Lula e do PT.
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Se diretores se metem em jogadas tão escandalosas, e primárias, a gente tem o direito de pensar: o que mais estarão fazendo?
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É verdade que o BB é uma sociedade anônima, tem ações em bolsa, presta conta aos reguladores do mercado. Mas é difícil, praticamente impossível apanhar desvios em gastos com publicidade, como já se viu. Além disso, é possível que a instituição seja levada a fazer operações de risco inaceitável apenas para atender políticas e planos do governo, como emprestar para setores, empresas e pessoas não qualificadas tecnicamente.
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Dirão que estamos exagerando nas suspeitas. Mas foi exatamente assim que quebraram os bancos estaduais, inclusive o Banespa, deixando uma conta para o contribuinte de mais de R$ 40 bilhões.
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É ou não um poderoso argumento a favor da privatização? A própria democracia está em jogo se o maior banco do país pode ser utilizado a favor dos governantes do momento.
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E o caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, crime praticado pelo mais alto dirigente da Caixa Econômica Federal? De novo, se fizeram isso, algo tão tosco e primário, o que mais estarão fazendo?

O PT sempre se opôs às privatizações, assim como, para dar um exemplo do lado tucano, o falecido Mario Covas. O argumento era o mesmo: governantes sérios e honestos colocariam as estatais nos trilhos. Mas a democracia, como temos visto por aqui, não é garantia de que não serão eleitos corruptos, mal intencionados ou apenas incompetentes. E podem se eleger governantes para os quais as estatais estão aí para isso mesmo, para servirem ao programa de seu partido.
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Não pode ser assim. Deveriam estar a serviço de interesses nacionais, reconhecidos por todos. Difícil definí-los? Mais difícil ainda distinguí-los dos objetivos partidários? Certamente e é por isso mesmo que a privatização é uma boa idéia.
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Alguns dizem que não é possível fazer política econômica sem controlar grandes bancos. Bobagem. Há países que não têm bancos estatais comerciais e funcionam muito bem, a começar pelos Estados Unidos, onde, aliás, a regulação bancária é mais rigorosa.
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Mas não, a privatização não emplaca por aqui. É acusação.
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Sabem por que? É que não se trata de uma plataforma apenas da esquerda. O centro e a direita, criados na cultura de obter tudo do Estado, também precisam de estatais para atender ao interesse de suas clientelas, que vai desde empregar os correligionários até gastar dinheiro e investir ali onde se tem votos, isso para não falar de outras práticas. A novidade do governo Lula foi mostrar que, nisso, a dita esquerda republicana é igualzinha à direita fisiológica.
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E ainda dizem que isso aqui é neoliberal.
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Acesse O Instituto Millenium aqui.
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Eles são os mesmos
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Por Sebastião Nery
Publicado na Tribuna da Imprensa
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"À noite (em Paris, em março de 89), durante um jantar com a direção de uma central sindical num restaurante bem chique cuja especialidade era frutos do mar, quase que bandejas voaram numa discussão entre Aloísio Mercadante e Osvaldo Bargas, secretário de Relações Internacionais da CUT. Os dois começaram a falar mais alto, chamando a atenção das personalidades que estavam no centro da grande mesa - os assessores sentavam-se nas pontas. Bargas, muito bravo, atacava Mercadante:
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`Vocês, intelectuais de merda, não podem falar nada, só sabem se aproveitar do nosso trabalho. Se não fôssemos nós, não existiria o PT, vocês não seriam nada'.
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Pedi a ajuda a Marco Aurélio Garcia, para acalmar os contendores, mas foi pior. `E você também, Marco Aurélio! Também é outro intelectual de bosta!', disse o sindicalista (Osvaldo Bargas)".
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Ricardo Kotscho
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Essa história não é contada pelo PSDB, pelo PFL ou pelo comitê de campanha de Alckmin. Está na página 161 do livro "Do golpe ao Planalto - Uma vida da repórter", de Ricardo Kotscho (Editora Companhia das Letras).
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Hoje, 17 anos depois, Osvaldo Bargas, Mercadante e Marco Aurélio Garcia, assessores de Lula, "intelectuais de bosta", "intelectuais de merda", estão aí, os mesmos, no comando do PT e do governo Lula, enfiados até o pescoço no escândalo do dossiê e dizendo que não sabem de nada.
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O livro do Kotscho é um interessante, brilhante e didático diário das quatro campanhas presidenciais de Lula (89, 94, 98, 2002). E é uma prova total de que Lula mente, mente deslavadamente, quando diz que não sabe de nada e finge que mal conhece os mensaleiros, sanguessugas, dossieiros.
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Desde 80, na fundação do PT, nas campanhas e no governo, Lula está sempre cercado por vários dos que, agora, explodem nas denúncias policiais.
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Osvaldo Bargas
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1 - "No final de fevereiro (de 89), embarcamos para uma viagem de 26 dias por seis paises da Europa. Formavam nosso `Exército de Brancaleone', como Lula se referia à comitiva, além dele e Marisa, Francisco Weffort, Marco Aurélio Garcia e Aloisio Mercadante - o trio conhecido como `os professores' -, Osvaldo Bargas (um dos chefes do dossiê) representando o movimento sindical, Delfim Martins, fotógrafo da Agência F-3 e eu" (pág. 158).
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2 - "A Executiva Nacional do PT formou o comitê político que determinaria as linhas gerais da campanha (de 89): Wladimir Pomar, coordenador geral, José Dirceu, Francisco Weffort, Plinio de Arruda Sampaio, José Genoino, Benedita da Silva, Hamilton Pereira, Oswaldo Bargas (olhe ele aí!), Ricardo Kotscho e Wander Bueno do Prado" (pág. 153).
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Mercadante e Meirelles
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3 - "Não estava nos meus planos voltar para uma redação (depois da derrota de 89). Resolvi trabalhar por conta própria. Logo apareceu um convite de Aloísio Mercadante para colaborar com ele numa consultoria prestada ao Sindicato dos Bancários. O presidente era Ricardo Berzoini, que nos pediu um projeto para melhorar a imagem do sindicato, abalada com sucessivas greves.
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Para ajudar na implantação do projeto, fomos conversar com o presidente do BankBoston no Brasil, um certo Henrique Meirelles... Menos de uma década depois, estávamos todos em Brasília, trabalhando no governo Lula. Mercadante, eleito senador com mais de 10 milhões de votos, foi quem indicou Meirelles a Lula para a presidência do Banco Central. Berzoini, eleito deputado, seria o primeiro ministro da Previdência do governo" (pág. 205).
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4 - "Cada um ali (no começo da campanha de 2002) já possuía um espaço demarcado e, da turma antiga, encontrei apenas o faz-tudo Espinosa (olha ele aí!), o assessor econômico Guido Mantega e o inseparável amigo do candidato, Gilberto Carvalho, além de alguns assessores, como Paulo Okamotto (olha ele aí!) e Paulo Vannuchi" (pág. 218).
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Lula-Costa Neto
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5 - "Lula se empenhava na aliança com o PL, o que só foi conseguido no último momento do último dia do prazo para a inscrição das chapas. Numa tensa reunião no apartamento funcional do deputado Paulo Rocha (PT do Pará, mensaleiro obrigado a renunciar ao mandato), da qual participaram, além de Lula e José Alencar, os presidentes do PT, José Dirceu, e do PL, Waldemar Costa Neto, bem como vários dirigentes dos dois partidos, houve um momento em que parecia ter fracassado a tão sonhada aliança.
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Dirceu chegou a dar as conversações por encerradas. Lula pediu uma ligação para o petista Patrus Ananias, mineiro como Alencar, que seria o vice do Plano B, uma chapa puro-sangue, que o candidato queria evitar. Dezenas de jornalistas aguardavam uma definição na portaria do edifício de Rocha.
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Quando já ia pegar o elevador, fui chamado de volta. As negociações haviam recomeçado, agora no quarto do anfitrião. O impasse se dava na questão da ajuda financeira que o PL tinha pedido ao PT para fazer sua campanha. Somente três anos depois, quando estourou o escândalo do Mensalão, ficaria sabendo que o valor solicitado era R$ 10 milhões" (pág. 223).
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Pensamos, logo, existimos! Sabia?
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Por Adriana Vandoni
Publicado no Argumento & Política
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Conversava com um amigo, vereador de quatro mandatos de uma importante cidade de Mato Grosso, sobre nossos ídolos e nossas lideranças. Até então eu tinha comigo, que estávamos passando por uma entressafra daqueles “grandes líderes” e o meu amigo dizia isso mesmo. Desencantado com quem ele acreditou e por quem trabalhou nas ultimas eleições, estava naquele momento se rebelando contra o maior poder do estado, o governador. No meio da nossa conversa eu parei e disse: Estamos errados! Veja você, vereador pelo quarto mandato e enfrentando o governador recém reeleito, se mantendo firme nos seus princípios.

Em um mundo em que os atos se propagam com uma velocidade incrível, em que as verdades aparecem em monitores com simples cliques, jamais teremos lideranças como as do passado. Lula, por exemplo, ainda foi forjado na falta de informação do passado, mas hoje a tecnologia dificulta que se crie uma aura de luz e perfeição em torno de um político. Hoje os pretensos reis ou líderes já não vestem as roupas da desinformação alheia. Não chegam a ficar nus, mas a camada que os envolve é de um fino, delicado e vulnerável tecido.Continuando nossa divagação sobre líderes e observando o ocorrido agora aqui em Mato Grosso, concluí que o líder do futuro é exatamente aquele que, com responsabilidade e respeito, se mantiver coerente e leal. Lealdade é diferente de fidelidade, daí a minha teoria de que uma reforma política que imponha a fidelidade partidária não conseguirá acabar com a falta de lealdade. O líder leal é aquele que não abandona e nem trai a confiança do seu povo.
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Aquele para quem a lealdade é um valor inegociável.
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As eleições deste ano me serviram para isso. Diante dos meus olhos vi cogitados líderes se despirem da dignidade e vi também muitos, aos quais não imputava grandes compromissos de lealdade com seus eleitores, se engrandecerem através das posturas adotadas. É, pelo menos para isso serviu a decisão de Blairo e seus subordinados. Bem, a mim não causou espanto algum sua decisão e nem representou uma mudança de lado, afinal de contas, eu já sabia desse acerto desde o começo do ano, através de fonte de dentro do seu próprio grupo.
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Mas temos que enaltecer as atitudes daqueles que se mantiveram firmes. Daqueles que não se sujeitaram a simplesmente abaixar a cabeça como cordeiros e engrossar a fila dos acéfalos seguidores da amoralidade. Percebi nesse processo todo que os que ficaram para defender o indefensável e incoerente posicionamento de Blairo, não são, em sua maioria, seus seguidores, são seus subordinados.
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Chegou-me a notícia do pronunciamento de um vereador de Matupá, que da Tribuna da Câmara pediu desculpas a todos aqueles a quem pediu voto para Blairo Maggi. Disse que se sente traído pelo governador e terminou dizendo que em suas veias corre sangue e não trairagem. Admirei-me com a postura deste vereador sem ao menos saber quem é ele nem a qual partido é filiado, mas mostrou que não é um cordeiro. O mesmo aconteceu aqui em Cuiabá com o recém eleito deputado estadual Walter Rabello. Filiado ao PMDB, não me despertava esperanças, mas agora me surpreendeu. Não pelo número de votos, mas por não se deixar colocar cabresto. Rabelo está em um partido dominado pelo retrógrado Carlos Bezerra, um dos últimos suspiros do coronelismo em MT e pelo flexível Silval Barbosa, agora vice-governador.Walter Rabello recebeu um espetacular número de votos em função do seu programa na TV, considerado popular. Independente dele ter chegado a deputado através do seu programa, a sua permanência e valor parlamentar serão determinados por suas atitudes, sua independência e sua lealdade com quem o elegeu. Sua postura de agora mudou para melhor seu conceito diante de muitos.
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Na contramão dos exemplos citados acima, o recém eleito federal Eliene Lima, após aprovar a trairagem de Blairo em uma entrevista, ao ser questionado em seguida em quem votaria, disse precisar de tempo para conhecer as propostas de cada um dos candidatos. Convenhamos que pior que usar o cabresto do governador é não assumir opinião. Deplorável. Consagrou-se o que já era esperado, desempenhará lá em Brasília o mesmo que desempenhou aqui, um mandato chinfrim.
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Essas pessoas citadas e muitas outras que não caberiam neste espaço, desdizem o empresário Blairo: “Um líder às vezes tem que contrariar seu rebanho”.
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Não somos seu rebanho, Blairo. Nosso estado não é seu curral. Em Mato Grosso existem pessoas de coragem que não se submetem à condição de gado do grupo Amaggi. E tem mais, daqui pra frente vamos fiscalizar cada contrato assinado entre suas empresas e o governo federal. Vamos nos certificar se o nosso estado não está sendo arrolado em seus negócios.