terça-feira, novembro 28, 2006

Só falta a reforma do juízo

Por Guilherme Fiúza / Política & Cia. / No Mínimo
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O disparate continua. Lembram-se da idéia onipresente da tal reforma política?
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Era a salvação da lavoura, não era? Pois bem, ela sumiu. E ninguém sentiu falta.
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Reforma fiscal? Deixa pra lá.
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Não deixa de ter um lado tranqüilizador a constatação de que a agenda política brasileira não tem nada a ver com a realidade. Pelo menos, o país fica livre daquele monte de bobagens que domina 90% do debate.
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Mas a reforma realmente urgente e inadiável – aquela que a opinião pública deveria cobrar para valer, em vez de ficar repetindo esse mantra inútil de reforma política – é a reforma do juízo. O que a oposição fez com o país essa semana não se faz nem com os aloprados do dossiê.
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A proposta de pagamento de um 13º para o Bolsa Família é um dos momentos mais nobres da hipocrisia nacional. É preciso lembrar o seguinte: um dos bordões de Geraldo Alckmin, daqueles que não deram o menor resultado, mas que expressavam o ideário “moderno” de PSDB e PFL, era justamente o que ligava a eficiência à ética.
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Resumindo, o candidato da oposição pregava que a conduta ética, hoje, não é mais só não roubar. Administrar bem, alcançar tecnicamente o melhor uso para o dinheiro público – isto é, ser eficiente – também é um capítulo central da ética.
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E o que PSDB e PFL fazem com essa pantomima de 13º para o Bolsa Família? Criam deliberadamente um constrangimento orçamentário, forjam um ato de bondade populista para jogar sobre o governo o ônus de restituir a responsabilidade com o dinheiro público.
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Ou seja: um show de falta de ética – aquela mesma ética exaltada no dicionário da oposição durante toda a campanha.
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Enquanto o Brasil praticar essa política de rincão, em que as instituições não importam e a responsabilidade pública não passa de um constrangimento para quem está governando, toda essa conversa de reformas estruturais não poderá ser levada a sério.
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Antes de mais nada, é preciso fazer a reforma do juízo. Antes do choque de gestão tem que vir o choque de vergonha na cara.