sábado, dezembro 30, 2006

Orelha de brasileiro não é penico

Ministra Dilma, de boca fechada não sai besteira !
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COMENTANDO A NOTÍCIA
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O setor aéreo brasileiro, a partir dos pacotaços econômicos de Sarney e Collor, passaram a viver colapsos econômicos por conta do congelamento de tarifas, ao contrário da disparada de custos por conta do aumento internacional de combustíveis, carga tributária maluca além, é claro, dos juros internos, que pouco a pouco foram corroendo gorduras financeiras, provocando déficits seqüenciais de caixa, asfixiamento da saúde econômica, e por conta disto tudo, perda de competitividade. Assim, vimos o descalabro da TRANSBRASIL e em seguida da VASP. A VARIG, por conta de sua tradição e grandeza, ainda conseguiu se manter por algum tempo, mas também ela viu as dificuldades bater-lhe às portas. Neste espaço, surgiram empresas menores que, com menor estrutura , puderam exercer enorme pressão no mercado com tarifas menores e serviços quase iguais.
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Porém, diga-se de passagem, o mercado da aviação comercial no Brasil jamais foi monopolista. Pelo menos nos últimos 40 anos. Sempre houve empresas competindo entre si por passageiros e espaços. Cada uma conquistava uma participação e todas mantinham o atendimento à demanda em boa dose.
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Contudo, com a escalada inflacionária na segunda metade da década de 80 e primeira da década de 90, as empresas de aviação se viram impedidas de transferir os crescentes custos de operação para as tarifas por intervenção governamental, o que desregulou o mercado como um todo. Claro que, por sua conta, o governo não ofereceu a mesma reciprocidade: continuou aumentando sem calibre suas “cobranças”, de tarifas aeroportuárias aos combustíveis. Não tendo como safar-se, as empresas recorreram à Justiça, tendo a VARIG vencido sua ação, tornando-se credora da União em mais de 4,0 BILHÕES de reais. Nem por isso, o governo aliviou o pé: além de insistir em receber o que a VARIG lhe devia, jamais admitiu um encontro de contas, ação decente que daria àquela companhia aérea fôlego suficiente para continuar operando. E ainda numa fúria desmedida e inaceitável, fechou-lhe as portas do BNDES, último recurso com o qual a VARIG poderia sobreviver. Quebrou e acabou vendida por meia dúzia de tostões, tudo sob o patrocínio deste governo decrépito que entra em seu segundo período de mandato.
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Ora, com que então, este governo já apontado em relatório pelo TCU como o principal responsável pela crise do apagão aéreo que tem atormentado milhares de brasileiros há mais de 60 dias , por não ter investido em modernização de equipamentos, softwares e recursos humanos, muito embora os recursos estivessem previstos no orçamento federal, vem agora primeiro culpar as chuvas, depois a Aeronáutica, depois os passageiros e, não mais havendo nenhum argumento coerente, culpa as companhias aéreas ? E com que moral a ministra Dilma vem ainda, não bastassem as derrapadas governamentais, afirmar tratar-se de um mercado monopolista ! Ora, faça-nos o favor, ministra: de boca fechada, certamente, não saem asneiras e tolices. E o que são a TAM, a própria VARIG, menor, mas operando, a GOL e a BRA ? Acaso não são companhias brasileiras de aviação comercial disputando espaço entre si ? Onde o monopólio, então ? Das duas uma, ou a ministra não sabe nada de mercado de aviação, ou não sabe o real significado do termo monopólio ! Aliás, particularmente, acredito que ambas as hipóteses sejam verdadeiras.
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Mais: não contente, a ministra vem afirmar que graças a ANAC o mercado vai melhorar, que não existem regras claras neste mercado, etc, etc. Primeiro, para uma agência reguladora de um determinado mercado atuar a contento, precisa ter independência e agir tecnicamente. O que o governo fez ? Nomeou um incompetente para dirigir a agência e politizá-la. A primeira coisa que o apadrinhado fez foi criar crise de autoridade entre os controladores civis e militares. E daí prá frente o que se configurou foi uma bela confusão e total indisciplina. Na verdade o que está acontecendo com a ANAC é o mesmo que está acontecendo com todas as demais agências reguladoras e instituições governamentais: sua politização e aparelhamento político-sindical. Só poderia dar nesta confusão e balbúrdia que estamos assistindo. E cadê governo para vir a público dar um mínimo de satisfação ? Cadê governo para tomar decisões em favor não dos apadrinhados políticos, mas sim em favor dos brasileiros usuários dos serviços públicos, pelos quais pagam taxas exorbitantes e a maior carga tributária do planeta, com retorno zero ?
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Preferível seria a ministra ficar de boca fechada para não cair no ridículo de insultar a inteligência alheia. Se não têm competência para resolver o problema delegue a que tem, e não fique a entupir nossos ouvidos com merdas federais, porque orelha de brasileiro não é penico. O respeito que merecemos é uma obrigação de quem é pago por nós para prestar um serviço à Nação. Não está contente com seu salário ? Vá procurar outra ocupação com melhor remuneração ! Não está satisfeita com a função que exerce ? Vá se ocupar de coisas que lhe dêem maior prazer e retorno. Mas se ficar na função atual, e porque quem lhe paga o salário é todo o povo brasileiro, primeiro respeite-nos: você é que é nossa empregada. Segundo, cumpra com suas obrigações, por ser nosso direito sermos assistidos por pessoas qualificadas. Terceiro, chega de mentiras, enrolações e sandices: faça a coisa certa, trabalhe ! Ocupe-se menos com o aparelhamento do estado em favor de gentalha sem a menor competência para as funções nomeadas, muito menos interesse em trabalhar, e dedique-se mais a enfrentar dificuldades com real intenção de superá-las. Do contrário, dê seu espaço a quem o faça com maior qualificação e melhor propósito.
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A seguir, leiam a declaração da ministra publicada no Jornal do Brasil Online, e em seguida, comentário do Giulio Sanmartini do Prosa & Política. E já que a ministra fez referência às tais agências, vejam o que este desgoverno de acefalóides anda aprontando com elas, no artigo de Glauco Fonseca.