Dilma fala em punição a passageiro que desiste de viagem
Leonencio Nossa, Estadão Online
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A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu nesta quinta-feira, indiretamente, a punição não só para o overbooking (venda de passagens em número maior que o de assentos disponíveis nos aviões), mas também para o chamado "no show" (desistência da viagem por parte do passageiro e serve de argumento às empresas para a prática do overbooking): "Dizem - a imprensa diz - que o overbooking e o ´no show´ são faces da mesma moeda. Existe overbooking porque o ´no show´ não é punido. Alguns países punem quem pratica o ´no show´ e trucidam quem pratica overbooking."
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Dilma Rousseff destacou que "qualquer área tem de ter regulação" e disse que não tinha idéia sobre os gargalos no setor, o que possibilitaria prever os problemas. "Eu, particularmente, não tinha idéia disso, pois não sou do ramo e nunca tratei dessa questão." Ela evitou dar opinião sobre a proposta de desmilitarização do sistema de controle do setor aéreo, dizendo que não possui elementos para falar sobre isso.
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A ministra qualificou o problema do setor aéreo de "complexo" e defendeu a permanência do ministro da Defesa, Waldir Pires, no cargo. Disse ainda que é necessária uma reestruturação do setor, com regras claras e uma política eficiente de aviação civil.
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Leonencio Nossa, Estadão Online
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A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu nesta quinta-feira, indiretamente, a punição não só para o overbooking (venda de passagens em número maior que o de assentos disponíveis nos aviões), mas também para o chamado "no show" (desistência da viagem por parte do passageiro e serve de argumento às empresas para a prática do overbooking): "Dizem - a imprensa diz - que o overbooking e o ´no show´ são faces da mesma moeda. Existe overbooking porque o ´no show´ não é punido. Alguns países punem quem pratica o ´no show´ e trucidam quem pratica overbooking."
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Dilma Rousseff destacou que "qualquer área tem de ter regulação" e disse que não tinha idéia sobre os gargalos no setor, o que possibilitaria prever os problemas. "Eu, particularmente, não tinha idéia disso, pois não sou do ramo e nunca tratei dessa questão." Ela evitou dar opinião sobre a proposta de desmilitarização do sistema de controle do setor aéreo, dizendo que não possui elementos para falar sobre isso.
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A ministra qualificou o problema do setor aéreo de "complexo" e defendeu a permanência do ministro da Defesa, Waldir Pires, no cargo. Disse ainda que é necessária uma reestruturação do setor, com regras claras e uma política eficiente de aviação civil.
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Para Dilma Rousseff, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que deveria regular o setor, tem pouco tempo de funcionamento e ainda não passou por um processo de amadurecimento. "A Anac tem menos de um ano. Pegou um setor monopolista, sem política de aviação clara", avaliou. A ministra disse que a Varig "era a política de aviação civil" no País, mas faliu por não conseguir, segundo ela, se adaptar à evolução do mercado, que hoje é mais competitivo.
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COMENTANDO A NOTICIA: Acho que a ministra Dilma devia estar ou de porre, ou não conseguiu curar-se da ressaca das festas natalinas. “Obrigar passageiro a viajar porque comprou o bilhete”, faça-me o favor, ministra ! Se comprou e não embargou, respeite-lhe a vontade ! Existem mil e um motivos para alguém, à última hora, deixar de embarcar, na sua maioria, perfeitamente justificáveis. Largue de mão este ranço autoritário !!! E já que você diz e reconhece não entender do assunto e nunca ter tratado desta “questão”, suas opiniões são pura pirotecnia, verdadeiro chute no saco !
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Analistas duvidam dos números oficiais
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O resultado das contas fiscais do setor público consolidado de novembro, de R$ 5,606 bilhões, foi recebido com reservas por alguns analistas do mercado. Segundo levantamento feito ontem pela Agência Estado, as previsões apontavam para um superávit de R$ 1,8 bilhão a R$ 4 bilhões. Ou seja, nem o teto das expectativas contemplava um valor tão expressivo quanto o divulgado ontem pelo Banco Central.
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Dois são os pontos que suscitaram as dúvidas dos analistas: o resultado muito acima das previsões para o superávit das empresas estatais federais e a redução da dívida na proporção do PIB, que ao cair para 49,3%, levou os analistas a concluir que o governo considerou em seus cálculos uma expansão de 5% do PIB em 2006.
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Isso, mesmo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, tendo afirmado que a taxa contemplada no cálculo foi a de 3%, segundo consta no último relatório de inflação. Para o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, fica claro que o governo superestimou o crescimento do PIB .
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Conforme pondera, tomando como base o valor da dívida líquida, de R$ 1,047 trilhão, o seu percentual de 49,3% na proporção do PIB eleva o total da economia nacional para R$ 2,124 trilhões em 2006, que se comparados com o R$ 1,937 trilhão de 2005 mostra uma expansão de 5%. A economista-chefe da Mellon Global, Solange Srour, pondera que o governo usa para efeito de cálculo do superávit primário a taxa de crescimento nominal do PIB e não a real.
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Critérios distorcem resultados
Para Srour, não há nenhum problema nisso, e ela destaca também o desempenho acima do esperado pelas estatais."Mas é aí que está o problema", afirma Daoud. De acordo com ele, se o governo usa o PIB nominal para calcular o superávit, os resultados saem distorcidos, já que o desembolso para o pagamento da dívida é real e não nominal. "Continuo achando que são critérios adotados que distorcem as informações. Peguemos como exemplo os desembolsos para pagamento da dívida. Estamos falando de 49,3% do PIB e isso é real, não tem nada de nominal", contesta Daoud.
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Mais comedida na sua análise, a economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, limita-se a dizer que em algum momento o governo terá de explicar para as agências de rating os superávits primários acima das expectativas. "Quanto à forma de o governo contabilizar o primário, do ponto de vista do resultado, é positivo, mas para que o País conquiste o investment grade algumas coisas terão de ser explicadas", diz a economista. Ela acrescentou que a taxa de arrecadação tem sido cada vez menor.
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Estatais
Quanto ao desempenho das estatais federais em novembro, o superávit de R$ 2,883 bilhões causou estranheza porque veio muito acima até da mais otimista das previsões, que apontavam para algo em torno de R$ 1 bilhão ante um déficit efetivo em novembro de R$ 715 milhões. Para Sandra Utsumi, o governo tem transferido os resultados das estatais para os cofres do Tesouro para cobrir as saídas para pagamento de juros, o que reduz a capacidade de investimentos destas empresas.
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A analista de contas públicas da Rosenberg & Associados, Fernanda Feil, também diz não ter entendido a conta do governo para o cálculo de um superávit primário do setor público consolidado em novembro. "Retiro o que disse ontem, de que o governo não conseguiria cumprir a meta fiscal em 2006. Se for mantida essa arte de reproduzir dinheiro, a meta será cumprida sim", disse a economista, que projetava um superávit de R$ 2,9 bilhões para o setor público consolidado no mês passado.
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"Não me parece plausível este resultado fiscal de novembro porque vejo muito aumento de gastos", diz a economista, acrescentando que fica mais preocupada com o que poderá ocorrer em dezembro, quando será paga a segunda parcela do 13º salário do funcionalismo. "Estou chocada com este número", diz. O que mais intriga a analista da Rosenberg em relação aos números divulgados ontem é o superávit de R$ 2,883 bilhões realizado pelas estatais federais no mês passado. "Nem a previsão mais otimista mostrava um resultado deste tamanho", afirma Fernanda.
Analistas duvidam dos números oficiais
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O resultado das contas fiscais do setor público consolidado de novembro, de R$ 5,606 bilhões, foi recebido com reservas por alguns analistas do mercado. Segundo levantamento feito ontem pela Agência Estado, as previsões apontavam para um superávit de R$ 1,8 bilhão a R$ 4 bilhões. Ou seja, nem o teto das expectativas contemplava um valor tão expressivo quanto o divulgado ontem pelo Banco Central.
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Dois são os pontos que suscitaram as dúvidas dos analistas: o resultado muito acima das previsões para o superávit das empresas estatais federais e a redução da dívida na proporção do PIB, que ao cair para 49,3%, levou os analistas a concluir que o governo considerou em seus cálculos uma expansão de 5% do PIB em 2006.
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Isso, mesmo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, tendo afirmado que a taxa contemplada no cálculo foi a de 3%, segundo consta no último relatório de inflação. Para o sócio-diretor da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, fica claro que o governo superestimou o crescimento do PIB .
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Conforme pondera, tomando como base o valor da dívida líquida, de R$ 1,047 trilhão, o seu percentual de 49,3% na proporção do PIB eleva o total da economia nacional para R$ 2,124 trilhões em 2006, que se comparados com o R$ 1,937 trilhão de 2005 mostra uma expansão de 5%. A economista-chefe da Mellon Global, Solange Srour, pondera que o governo usa para efeito de cálculo do superávit primário a taxa de crescimento nominal do PIB e não a real.
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Critérios distorcem resultados
Para Srour, não há nenhum problema nisso, e ela destaca também o desempenho acima do esperado pelas estatais."Mas é aí que está o problema", afirma Daoud. De acordo com ele, se o governo usa o PIB nominal para calcular o superávit, os resultados saem distorcidos, já que o desembolso para o pagamento da dívida é real e não nominal. "Continuo achando que são critérios adotados que distorcem as informações. Peguemos como exemplo os desembolsos para pagamento da dívida. Estamos falando de 49,3% do PIB e isso é real, não tem nada de nominal", contesta Daoud.
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Mais comedida na sua análise, a economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, limita-se a dizer que em algum momento o governo terá de explicar para as agências de rating os superávits primários acima das expectativas. "Quanto à forma de o governo contabilizar o primário, do ponto de vista do resultado, é positivo, mas para que o País conquiste o investment grade algumas coisas terão de ser explicadas", diz a economista. Ela acrescentou que a taxa de arrecadação tem sido cada vez menor.
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Estatais
Quanto ao desempenho das estatais federais em novembro, o superávit de R$ 2,883 bilhões causou estranheza porque veio muito acima até da mais otimista das previsões, que apontavam para algo em torno de R$ 1 bilhão ante um déficit efetivo em novembro de R$ 715 milhões. Para Sandra Utsumi, o governo tem transferido os resultados das estatais para os cofres do Tesouro para cobrir as saídas para pagamento de juros, o que reduz a capacidade de investimentos destas empresas.
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A analista de contas públicas da Rosenberg & Associados, Fernanda Feil, também diz não ter entendido a conta do governo para o cálculo de um superávit primário do setor público consolidado em novembro. "Retiro o que disse ontem, de que o governo não conseguiria cumprir a meta fiscal em 2006. Se for mantida essa arte de reproduzir dinheiro, a meta será cumprida sim", disse a economista, que projetava um superávit de R$ 2,9 bilhões para o setor público consolidado no mês passado.
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"Não me parece plausível este resultado fiscal de novembro porque vejo muito aumento de gastos", diz a economista, acrescentando que fica mais preocupada com o que poderá ocorrer em dezembro, quando será paga a segunda parcela do 13º salário do funcionalismo. "Estou chocada com este número", diz. O que mais intriga a analista da Rosenberg em relação aos números divulgados ontem é o superávit de R$ 2,883 bilhões realizado pelas estatais federais no mês passado. "Nem a previsão mais otimista mostrava um resultado deste tamanho", afirma Fernanda.