segunda-feira, janeiro 29, 2007

Investidor quer reformas no País

João Caminoto e Fernando Dantas

Reformas macro e microeconômicas, menos regulamentação e mais combate à corrupção, esses são os requisitos essenciais para a economia brasileira crescer mais nos próximos anos, segundo a avaliação de cerca de 30 empresários, analistas e investidores que se reuniram ontem, num almoço durante o Fórum Econômico Mundial para avaliar as perspectivas do País.
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Apesar da presença do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o evento não atraiu muito a atenção dos delegados em Davos. Apenas metade das cadeiras do restaurante do Hotel Central estavam ocupadas.
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Durante o almoço, cada mesa discutiu um tema relacionado ao crescimento brasileiro. Curiosamente, Meirelles foi o coordenador do grupo que discutiu as reformas. “A nossa discussão apontou que a reforma tributária é a mais urgente”, disse Meirelles. “E o governo já está empenhado em aprová-la o quanto antes.”
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Furlan não perdeu a oportunidade para destacar os números positivos da balança comercial e o aumento da competitividade externa do Brasil no governo Lula.
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Kristin Forbes, professora associada de economia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse que as reformas macroeconômicas e uma redução da informalidade no mercado de trabalho são prioritários. “O Brasil apresentou progressos importantes nos últimos anos, mas precisa avançar com mais rapidez no campo das reformas macro para crescer a taxas mais elevadas.”
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Apesar do clima descontraído, Meirelles não deixou de ser cobrado pelos elevados juros no Brasil. Antes do almoço, um dos participantes lhe disse: “Com pode o Brasil ter inflação de 4% e juros de 14%? Nunca vi isso em lugar nenhum.” Meirelles respondeu que a tendência de longo prazo dos juros é de queda. “Estamos no caminho certo”, disse.
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‘Sábio Lula’
O presidente Lula e os ministros que o acompanharam ao Fórum encontraram-se ontem de manhã com algumas dezenas de empresários e altos executivos de empresas multinacionais, no hotel Morosani Schweizerhof, em Davos, para uma exposição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dos planos para o segundo mandato. Estavam presentes dirigentes de empresas como Motorola, Nestlé, Munich Re, Merrill Lynch, Shell e Lloyds Bank.Paul Bulcke, vice-presidente da Nestlé para as Américas, revelou que Lula defendeu a trajetória de queda da taxa básica de juros, a Selic. “O presidente explicou que não se pode baixar muito rápido, para não ter desequilíbrio, o que achei sábio”, disse. “Ele é muito equilibrado, acho superbacana esse equilíbrio que ele conseguiu entre o econômico e social, disse Alberto Weisser, presidente da trading agrícola Bunge, que tem extensa ligação com o Brasil e fala perfeitamente português.
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Alguns dos temas abordados no encontro foram o populismo na América Latina, o nível de poupança do País, a pirataria e o mercado de resseguros. Também fizeram rápidas apresentações os ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores; Guido Mantega, da Fazenda; Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento; e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
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Presente à reunião de Davos, o presidente do grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, também esteve no encontro no Morosani. Gerdau elogiou o PAC dizendo que “o mais importante é que a consciência de que não podemos crescer menos que 5% saiu da esfera tecnocrática para entrar na opinião pública como um todo”.
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Reiterando mais uma vez que não participaria do governo por questões de princípio, Gerdau disse acreditar que, “na área de contenção de despesas, o PAC ainda tem que ser ampliado”.