Deputados torraram R$ 81 milhões de verba extra em 2006
Os gastos com pagamento de verbas extras aos parlamentares chegaram a R$ 81,330 milhões no ano passado, segundo reportagem publicada neste domingo (28.01) pelo jornal O Globo. O valor é suficiente para construir 2,9 mil casas populares ou pagar benefícios do programa Bolsa Família a 113 mil famílias durante um ano.
Os gastos com pagamento de verbas extras aos parlamentares chegaram a R$ 81,330 milhões no ano passado, segundo reportagem publicada neste domingo (28.01) pelo jornal O Globo. O valor é suficiente para construir 2,9 mil casas populares ou pagar benefícios do programa Bolsa Família a 113 mil famílias durante um ano.
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As verbas indenizatórias têm que ser comprovadas com notas e podem ser usadas para pagar despesas com locomoção, hospedagem, combustível, contratação de consultores, aluguel, divulgação da atividade parlamentar e segurança e até compra de material de escritório. Por ano, cada deputado pode gastar até R$ 180 mil.
As verbas indenizatórias têm que ser comprovadas com notas e podem ser usadas para pagar despesas com locomoção, hospedagem, combustível, contratação de consultores, aluguel, divulgação da atividade parlamentar e segurança e até compra de material de escritório. Por ano, cada deputado pode gastar até R$ 180 mil.
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Segundo levantamento feito pelo jornal nas prestações de contas apresentadas por 625 deputados, 74 deles gastaram o máximo possível, fazendo de tudo para usar o dinheiro. Quando foi estabelecido, em abril, o limite de R$ 4,5 mil para as despesas com combustíveis, até então consideradas excessivas, os deputados migraram seus gastos e passaram a apresentar notas de despesas com locomoção, hospedagem, alimentação e contratação de consultorias, pesquisas e assessorias técnicas. Ou seja, mudaram o tipo de despesa, mas continuaram gastando o máximo.
O deputado Severiano Alves (PDT-BA) é exemplo de migração de gastos depois do limite para despesa com combustível. Gastou até abril, quando foi criado o teto, R$ 36.549 com combustível e R$ 32.028 nos oito meses seguintes. Já com consultoria, o deputado gastou R$ 107.597.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: A questão é a seguinte: enquanto no Brasil a Justiça não colocar sua mão pesada sobre este tipo de cafajeste, acreditem, vai ser difícil esperar desta gentalha mais dignidade. E mais: este é apenas um dentre centenas de desperdício de dinheiro público, que acaba ocasionando a incapacidade de Estado em investir em educação, saúde, estradas, etc. Por tal razão, não se concebe mais o manto protetor para os parlamentares da tal imunidade, que, de tão distorcida, tornou-se em sinônimo de impunidade para os canalhas.
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Justiça sem aparelho
Editorial da Folha de S.Paulo
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Segundo levantamento feito pelo jornal nas prestações de contas apresentadas por 625 deputados, 74 deles gastaram o máximo possível, fazendo de tudo para usar o dinheiro. Quando foi estabelecido, em abril, o limite de R$ 4,5 mil para as despesas com combustíveis, até então consideradas excessivas, os deputados migraram seus gastos e passaram a apresentar notas de despesas com locomoção, hospedagem, alimentação e contratação de consultorias, pesquisas e assessorias técnicas. Ou seja, mudaram o tipo de despesa, mas continuaram gastando o máximo.
O deputado Severiano Alves (PDT-BA) é exemplo de migração de gastos depois do limite para despesa com combustível. Gastou até abril, quando foi criado o teto, R$ 36.549 com combustível e R$ 32.028 nos oito meses seguintes. Já com consultoria, o deputado gastou R$ 107.597.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: A questão é a seguinte: enquanto no Brasil a Justiça não colocar sua mão pesada sobre este tipo de cafajeste, acreditem, vai ser difícil esperar desta gentalha mais dignidade. E mais: este é apenas um dentre centenas de desperdício de dinheiro público, que acaba ocasionando a incapacidade de Estado em investir em educação, saúde, estradas, etc. Por tal razão, não se concebe mais o manto protetor para os parlamentares da tal imunidade, que, de tão distorcida, tornou-se em sinônimo de impunidade para os canalhas.
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Justiça sem aparelho
Editorial da Folha de S.Paulo
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Dão margem a certa inquietude as especulações de que Tarso Genro, hoje titular das Relações Institucionais, seria deslocado para a Justiça na reforma ministerial a ser promovida pelo presidente Lula. Tal mudança, a julgar pela trajetória política de Genro, colocaria em questão a continuidade de avanços institucionais a duras penas obtidos nos últimos anos.
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A escolha de Márcio Thomaz Bastos para ocupar a pasta a partir de 2003 preservou algumas linhas de continuidade em relação ao perfil de alguns de seus antecessores imediatos. Como José Carlos Dias e Miguel Reale Jr., Bastos é um advogado de prestígio com afinidades partidárias, e não um político profissional com afinidades jurídicas - caso de Tarso Genro.
A escolha de Márcio Thomaz Bastos para ocupar a pasta a partir de 2003 preservou algumas linhas de continuidade em relação ao perfil de alguns de seus antecessores imediatos. Como José Carlos Dias e Miguel Reale Jr., Bastos é um advogado de prestígio com afinidades partidárias, e não um político profissional com afinidades jurídicas - caso de Tarso Genro.
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À diferença de Bastos, o ex-prefeito de Porto Alegre é um quadro que provém diretamente da máquina partidária. Em plena crise do PT, vale lembrar, Lula despachou Genro para presidir a sigla em emergência. Este cumpriu com denodo a tarefa de acenar com mudanças - o termo era “refundação” - apenas até que passasse a fase aguda do mensalão. Depois que tudo se acomodou ao arranjo de sempre, Genro foi readmitido no governo.
À diferença de Bastos, o ex-prefeito de Porto Alegre é um quadro que provém diretamente da máquina partidária. Em plena crise do PT, vale lembrar, Lula despachou Genro para presidir a sigla em emergência. Este cumpriu com denodo a tarefa de acenar com mudanças - o termo era “refundação” - apenas até que passasse a fase aguda do mensalão. Depois que tudo se acomodou ao arranjo de sempre, Genro foi readmitido no governo.
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Márcio Thomaz Bastos saiu algo arranhado de episódios como a violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa e a investigação do escândalo do dossiê (o que teria ocorrido se o ministério estivesse conectado diretamente à máquina petista?). Essas interrogações, no entanto, não invalidam seus méritos na modernização da Polícia Federal e na condução da reforma do Judiciário, que só foram à frente porque Bastos manteve certa distância do petismo militante.
Márcio Thomaz Bastos saiu algo arranhado de episódios como a violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa e a investigação do escândalo do dossiê (o que teria ocorrido se o ministério estivesse conectado diretamente à máquina petista?). Essas interrogações, no entanto, não invalidam seus méritos na modernização da Polícia Federal e na condução da reforma do Judiciário, que só foram à frente porque Bastos manteve certa distância do petismo militante.
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Seria um retrocesso se o Ministério da Justiça na segunda gestão Lula ficasse sujeito a aparelhamento político-partidário.
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Funcionários pagam "pedágio" no Congresso
Da Folha de S.Paulo
"Apesar da visibilidade de questões éticas, na esteira da sucessão de escândalos de maior ou menor impacto dos últimos anos, é possível encontrar todo tipo de pequenos desvios no cotidiano do Congresso.
Um dos mais comentados, e raramente documentado, é o chamado "pedágio".
Para engordar suas receitas, deputados e senadores contratam funcionários que têm de devolver parte do salários.
Geralmente, o esquema é feito com pessoas de extrema confiança que aceitam ser utilizadas como "laranjas", ou ainda com parentes."
Seria um retrocesso se o Ministério da Justiça na segunda gestão Lula ficasse sujeito a aparelhamento político-partidário.
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Funcionários pagam "pedágio" no Congresso
Da Folha de S.Paulo
"Apesar da visibilidade de questões éticas, na esteira da sucessão de escândalos de maior ou menor impacto dos últimos anos, é possível encontrar todo tipo de pequenos desvios no cotidiano do Congresso.
Um dos mais comentados, e raramente documentado, é o chamado "pedágio".
Para engordar suas receitas, deputados e senadores contratam funcionários que têm de devolver parte do salários.
Geralmente, o esquema é feito com pessoas de extrema confiança que aceitam ser utilizadas como "laranjas", ou ainda com parentes."