.
Estilo do presidente causa ansiedade e impaciência até nos aliados
Rio - Em tempos de Carnaval, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem quase fechado o complicado enredo da reforma ministerial. Ele pretende anunciar no dia 27 (terça-feira), em Brasília, quem vai entrar e quem vai sambar. Até lá, PT, PMDB, PDT e PP terão apresentado a última lista de indicados. Até agora, só 10 ministros são avaliados como confirmados: os da área econômica e os mais próximos ao presidente — Casa Civil e Secretaria Geral —, entre outros.
A impaciência cresce no Congresso. Líderes do governo ainda estão indefinidos, deixando ânimos acirrados. Aliados já dão como certos a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e o deputado José Múcio (PTB-PE) como novos líderes no Senado e na Câmara, respectivamente. "Estou como grávida na sala de espera: todo mundo cumprimenta, mas a criança mesmo ainda não nasceu", brincou o petebista .
Quem conhece diz que esse é o estilo de Lula: observa, ouve, conversa e aguarda o tempo necessário. "A demora é natural, ele está conversando com todo mundo. É assim que funciona", justifica o líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ). Segundo políticos experientes, as dificuldades de Lula em promover a reforma vão das listas de candidatos às exigências cada vez maiores de aliados. Para piorar, em algumas pastas, como Justiça, faltam nomes. Na Saúde, o problema é exatamente o oposto.
PT e PMDB têm lista de indicados
Para o Ministério da Justiça, a principal campanha é a de Tarso Genro (PT), que vive momento difícil com seu partido e não encontra apoio fora dele. Para a Saúde, há pelo menos três peemedebistas candidatos: Reinhold Stephanes (PR), Marcelo Castro (PI) e Osmar Terra (RS). E a Educação, desejada pelo grupo da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), deverá continuar com Fernando Haddad, considerado um técnico que caiu na simpatia do presidente. A relação de incertezas envolve petistas, aliados e técnicos.
Para o Desenvolvimento Agrário, é cotado o deputado Walter Pinheiro (PT). Para a Previdência, os nomes são o do técnico ligado ao PT e atual titular Nelson Machado e o de Carlos Lupi (PDT), que trabalha incansavelmente para ganhar a pasta. O delicado Ministério da Defesa também é uma incógnita, tendo dois candidatos: Francisco Dornelles (PP) e Aldo Rebelo (PCdoB).
No que depender de Lula, o nome escolhido para a Agricultura seria o do senador Osmar Dias (PDT-PR), atendendo a um pedido do fiel aliado, o governador Roberto Requião (PR). Mas o PTB também quer a pasta para Nelson Marquezelli (SP). Já no Ministério de Ciência e Tecnologia deve permanecer o técnico e atual titular Sérgio Rezende (PSB). Até o momento não há nomes para comandar a Controladoria Geral da República, que deve ser preenchida com um perfil técnico ainda não indicado.
.
Comando do BC não vai mudar
Pelo menos um nome do primeiro escalão do governo é considerado certo para continuar. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai ficar à frente da instituição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve confirmar sua escolha na próxima semana e manter a autonomia operacional do BC na condução da política monetária do País.
Auxiliares de Lula dizem que ele só não fez o anúncio ainda porque considera que seria uma descortesia para com os outros membros do primeiro escalão. O presidente parece apreciar os antagonismos da equipe econômica, com Guido Mantega, da Fazenda, com perfil aberto e menos ortodoxo, e o BC e Paulo Bernardo, do Planejamento, cautelosos nas áreas fiscal e monetária.
Comando do BC não vai mudar
Pelo menos um nome do primeiro escalão do governo é considerado certo para continuar. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai ficar à frente da instituição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve confirmar sua escolha na próxima semana e manter a autonomia operacional do BC na condução da política monetária do País.
Auxiliares de Lula dizem que ele só não fez o anúncio ainda porque considera que seria uma descortesia para com os outros membros do primeiro escalão. O presidente parece apreciar os antagonismos da equipe econômica, com Guido Mantega, da Fazenda, com perfil aberto e menos ortodoxo, e o BC e Paulo Bernardo, do Planejamento, cautelosos nas áreas fiscal e monetária.