domingo, março 18, 2007

Lula e o PMDB: juntos para 2010

Tales Faria, Informe JB

Na reunião do conselho político, quinta-feira, o presidente Lula fez uma já habitual ode ao Rio de Janeiro e ao seu entendimento com Sérgio Cabral, mas completou com uma indiscrição: "Além de tudo, devemos prestigiar um governador que já está no meio de dois candidatos a presidente da República. O PMDB pode precisar dele".

O presidente mudou rapidamente de assunto ao perceber a surpresa de alguns dos presentes. Os líderes e presidentes de partidos aliados talvez estejam pensando que Lula quer apenas ver Cabral ofuscando as gestões e as possíveis candidaturas a presidente dos governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio (Minas Gerais). Mas não é só isso.

O presidente Lula quis dar o recado aos aliados de que está de olho na sua sucessão, em 2010. E que, por isso, resolveu dedicar atenção total ao PMDB e a Sérgio Cabral.

Na semana que vem, Lula decide se o deputado peemedebista Odílio Balbinotti (PR) será mesmo o ministro da Agricultura. Parece que o homem está com o nome sujo. Mas, independentemente de Odílio, já está tomada a decisão de que o PMDB terá cinco ministérios. E é isso o que interessa ao maior partido no Congresso: participação no poder.

Em troca, o PMDB oferece segurança a Lula no Parlamento, uma estrutura espalhada pelo país capaz de ajudar qualquer candidato em 2010 e até um nome, o do governador Sérgio Cabral, desejado para vice de qualquer candidato.

Coincidências
O presidente do PMDB, Michel Temer, relata à coluna que na terça-feira, quando esteve com o coordenador político do governo, Tarso Genro, ouviu a sugestão explícita de que a bancada apresentasse um nome para a Agricultura. "De preferência um grande empresário do setor", disse Tarso. Foi aí que apareceu o paranaense Odílio Balbinotti, com o apoio dos governadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Blairo Maggi (PR-MT) e do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. "Mas nós manteremos o apoio ao Odílio", resigna-se Temer.

Na Justiça
O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, alerta que, se Luiz Fernando Corrêa - que comanda a Secretaria Nacional de Segurança Pública - não continuar, terá um "lugar importante" no Ministério da Justiça. Vale lembrar que o secretário é da Polícia Federal e comandou a Superintendência de Brasília, quando desencadeou a Operação Grilo sobre grilagem de terras no DF.

Gafe diplomática
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Heráclito Fortes (PFL-PI) retirou da pauta de votações a mensagem presidencial que indicava o diplomata Raul de Taunay para embaixador do Brasil em "Zimbábue e, cumulativamente, em Zâmbia e no Malauí", desde que obtidos os agréments dos governos desses países. Gesto de rebeldia? Não, foi um pedido do Itamaraty, que errou na redação da mensagem. O homem deveria representar o Brasil só no Zimbábue.

Vetos ameaçados
O primeiro teste do governo no Senado pode ocorrer na Comissão de Desenvolvimento Regional. A presidente da Comissão, Lúcia Vânia (PSDB-GO), decidiu colocar em votação os vetos do presidente Lula na lei que criou as superintendências de desenvolvimento do Nordeste (Sudene), da Amazônia (Sudam) e do Centro-Oeste (Sudeco). A criação desses órgãos fez parte da campanha de Lula no Norte e no Nordeste. Mas o presidente vetou na lei artigos que destinam recursos para eles. Há um forte movimento entre os senadores dessas três regiões, inclusive governistas, para derrubar os vetos de Lula.

Pefelândia
O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) tem conversado com o PSDB sobre a possibilidade de transferência de seu grupo para o ninho tucano, incluindo o ex-governador Paulo Souto.

Pobre prefeito
Waldir Silva Salvador de Oliveira, prefeito de Itabirito (MG) pelo PSDB, foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por sonegação de impostos entre 1996 e 1998, período em que era sócio das empresas Taxman Manutenção Eletromecânica e Planejar Empreendimentos e Participações Ltda. Segundo o Ministério Público, as duas empresas deixaram de repassar ao INSS R$ 104 mil, recolhidos de seus empregados. A sentença será enviada à Defensoria Pública para recurso. Motivo: O atual prefeito de Itabirito alega falta de dinheiro para contratar advogados.