Adelson Elias Vasconcellos
Vou torcer para dar certo. Mas, aviso, desde já que, de novo, estamos invertendo prioridades, e deixando de fazer o que é necessário. Sei que para fazer o que é preciso precisa de tempo, de planejamento, dinheiro, e claro, competência para fazer certo a coisa certa. E, cá entre nós: não será que este bando de maluco que está aí. Não pelo ministro, mas pelas forças políticas que o cercam. A começar, porque parece que irá centrar suas prioridades na Saúde e Educação. Será ? Para enviar mais dinheiro para o Pan ele já desviou de várias áreas, educação e saúde inclusive. E os investimentos projetados para o PAC da infraestrutura ? Olha, percebo que está havendo é muito projeto mirabolante, muito colorido erguido em castelos de areias.
Vejam a Educação por exemplo. São três ações básicas que precisam ser feitas antes de todo o resto: a primeira, é o conteúdo do que será ministrado ter um padrão nacional, ou seja, precisamos de um currículo mínimo para o ensino fundamental, enfatizando matemática e língua portuguesa. Então, o currículo básico precisa ser montado por quem entende educação, e não por quem entende de política.
Também padronizadas, devem as escolas. De norte a sul, deve haver um padrão de construção (claro, respeitando-se as variações climáticas de uma região para outra). O que vemos são instalações precaríssimas, que de modo podem servir de estímulo tanto para o aprendizado quanto para a permanência do aluno na escola.
Por fim, a capacitação dos professores é fundamental. Não é apenas uma questão salarial, que é importante sim, mas deve estar à frente de um corpo de alunos, professores bem preparados e capacitados naquilo que pretendem ensinar.
Parece-nos, à primeira vista, que nenhum destes três aspectos está sendo considerado neste plano. A menos que esteja previsto e não tenha sido divulgado, sem abordar estes elementos, mais uma vez se fará um enorme investimento para se chegar a lugar algum. A começar porque o plano em si não aborda as verdadeiras causas da má qualidade do ensino, o problema dramático da evasão escolar, a falta de conteúdo nos currículos, a capacitação dos professores, a falta de condições mínimas nas instalações escolares. Está se jogando para torcida apenas.
Investimento em educação, e isto se verá mais adiante, não pode ser feito com vistas às próximas eleições. Trata-se de um projeto que deve ser construído e desenvolvido para o país, e não para o governo. E pelo discurso, já se sente o cheiro da demagogia. O mais adiante dito acima, é para vocês ficarem antenados no detalhe de que antes mesmo que o projeto se realize por completo, Lula não perderá oportunidades de jogar o projeto em si para o seu público. Este é, a meu ver, o maior problema e o maior erro que se cometerá. Esqueça-se o restante, esqueça-se o tempo de espera para os resultados serem acusados. Faça-se um investimento para 15 a 20 anos, no mínimo.
Acrescentaria também como indispensável numa formação mais ampla, a capacitação das escolas para a prática de esportes, dedicação de algumas horas semanais para a formação artística, complementação de carga horária com presença obrigatória em bibliotecas para a prática de leitura obrigatória, dentre outras ações. Por esta razão é que insisto no detalhe das instalações dos prédios escolares. Na calamitosa situação em que se encontram presentemente sua grande maioria, não se atingirá as metas propostas. Por isso a participação de toda a sociedade, não apenas o poder público, mas a iniciativa privada, todos devem se congregar num esforço amplo de participação. Enquanto não houver esta conscientização, permanecemos nos mesmo estágio de hoje. Só se conseguirá tão somente gastar inutilmente bilhões de reais sem nenhum resultado prático.
Há uma última questão que gostaríamos de abordar. Diz respeito a exames de avaliação. Ao nosso ver, o mais produtivo seria que houvesse dois exames distintos. Aliás, Paulo Renato de Souza, ministro da Educação de FHC, e que foi quem implantou o sistema de avaliação (apenas lembrando, implantou sob intenso tiroteio contra de toda a tropa de choque do PT, da UNE & Cia.) tinha criado este duplo exame, e que Lula menosprezou e jogou fora. E foi um erro grave. Retornando ao ponto. A avaliação deve uma para o aluno especificamente, e outra para o estabelecimento de ensino. Num, você mede a evolução individual e pode até aplicar reforços nos pontos mais fracos de cada aluno. Esta avaliação serve mais para consumo interno da escola. Outro, que medirá o estabelecimento de ensino, serve para avaliar o nível de qualidade que a própria está atingindo e também se está conseguindo transmitir os conhecimentos mínimos para o máximo de seus alunos. Claro que haverá em todas as escolas, um contingente abaixo da média, um acima dela, e a coluna do coluna do meio, onde se situarão o grande contingente.
Entretanto, tanto um exame quanto outro, não pode ficar apenas na superficialidade de avaliação. Eles devem conduzir a ações corretivas para que os resultados possam evoluir. Não basta dizer que esta ou aquela é boa ou ruim. Tem que haver um conjunto de ações nascidas destas avaliações para a adequação da escola aos níveis mínimos de eficiência que se exige num satisfatório de desempenho médio. E, por fim, tal avaliação deve ter resultado rápido e, fruto dele, uma readequação necessária rápida também. De que vale em 2010, você debruçar-se sobre os resultados de 2007 ?
Há sim (de novo, olha elas aí), um conjunto de boas intenções que vamos torcer para que aconteçam. Mas alertamos, dentro do que foi apresentado tanto por Lula quanto pelo ministro Haddad, estamos longe de um projeto com a grandeza, ações e programas necessários para permitir uma substancial melhora nos atuais níveis de ensino. Não é apenas dinheiro o problema. Falta-nos um planejamento de longo prazo com a ambição de fornecer o melhor ensino, envolvendo não apenas os agentes nele envolvidos. O que precisa ficar claro é que o movimento tem de ser amplitude nacional e que seja a prioridade número um do gasto público. O movimento tem que envolver um esforço de todo o país. Enquanto ficarmos cada um dando conta apenas do seu bolso para o meu saldo bancário, não se atingirá os objetivos que se deseja. Conclusão: precisamos avançar mais, precisamos ter, para a educação uma ambição com a qualidade da tecnologia atual e a ambição continental do tamanho do Brasil. O PAC da educação de agora, é simplório, pequeno e incompleto, por não abordar as causas principais que tornaram a educação brasileira com tão baixa qualidade. Por enquanto, estamos apenas maquiando soluções sem atacar com a profundidade indispensável numa formação coerente com as necessidades e carências do país em futuro próximo.
Vou torcer para dar certo. Mas, aviso, desde já que, de novo, estamos invertendo prioridades, e deixando de fazer o que é necessário. Sei que para fazer o que é preciso precisa de tempo, de planejamento, dinheiro, e claro, competência para fazer certo a coisa certa. E, cá entre nós: não será que este bando de maluco que está aí. Não pelo ministro, mas pelas forças políticas que o cercam. A começar, porque parece que irá centrar suas prioridades na Saúde e Educação. Será ? Para enviar mais dinheiro para o Pan ele já desviou de várias áreas, educação e saúde inclusive. E os investimentos projetados para o PAC da infraestrutura ? Olha, percebo que está havendo é muito projeto mirabolante, muito colorido erguido em castelos de areias.
Vejam a Educação por exemplo. São três ações básicas que precisam ser feitas antes de todo o resto: a primeira, é o conteúdo do que será ministrado ter um padrão nacional, ou seja, precisamos de um currículo mínimo para o ensino fundamental, enfatizando matemática e língua portuguesa. Então, o currículo básico precisa ser montado por quem entende educação, e não por quem entende de política.
Também padronizadas, devem as escolas. De norte a sul, deve haver um padrão de construção (claro, respeitando-se as variações climáticas de uma região para outra). O que vemos são instalações precaríssimas, que de modo podem servir de estímulo tanto para o aprendizado quanto para a permanência do aluno na escola.
Por fim, a capacitação dos professores é fundamental. Não é apenas uma questão salarial, que é importante sim, mas deve estar à frente de um corpo de alunos, professores bem preparados e capacitados naquilo que pretendem ensinar.
Parece-nos, à primeira vista, que nenhum destes três aspectos está sendo considerado neste plano. A menos que esteja previsto e não tenha sido divulgado, sem abordar estes elementos, mais uma vez se fará um enorme investimento para se chegar a lugar algum. A começar porque o plano em si não aborda as verdadeiras causas da má qualidade do ensino, o problema dramático da evasão escolar, a falta de conteúdo nos currículos, a capacitação dos professores, a falta de condições mínimas nas instalações escolares. Está se jogando para torcida apenas.
Investimento em educação, e isto se verá mais adiante, não pode ser feito com vistas às próximas eleições. Trata-se de um projeto que deve ser construído e desenvolvido para o país, e não para o governo. E pelo discurso, já se sente o cheiro da demagogia. O mais adiante dito acima, é para vocês ficarem antenados no detalhe de que antes mesmo que o projeto se realize por completo, Lula não perderá oportunidades de jogar o projeto em si para o seu público. Este é, a meu ver, o maior problema e o maior erro que se cometerá. Esqueça-se o restante, esqueça-se o tempo de espera para os resultados serem acusados. Faça-se um investimento para 15 a 20 anos, no mínimo.
Acrescentaria também como indispensável numa formação mais ampla, a capacitação das escolas para a prática de esportes, dedicação de algumas horas semanais para a formação artística, complementação de carga horária com presença obrigatória em bibliotecas para a prática de leitura obrigatória, dentre outras ações. Por esta razão é que insisto no detalhe das instalações dos prédios escolares. Na calamitosa situação em que se encontram presentemente sua grande maioria, não se atingirá as metas propostas. Por isso a participação de toda a sociedade, não apenas o poder público, mas a iniciativa privada, todos devem se congregar num esforço amplo de participação. Enquanto não houver esta conscientização, permanecemos nos mesmo estágio de hoje. Só se conseguirá tão somente gastar inutilmente bilhões de reais sem nenhum resultado prático.
Há uma última questão que gostaríamos de abordar. Diz respeito a exames de avaliação. Ao nosso ver, o mais produtivo seria que houvesse dois exames distintos. Aliás, Paulo Renato de Souza, ministro da Educação de FHC, e que foi quem implantou o sistema de avaliação (apenas lembrando, implantou sob intenso tiroteio contra de toda a tropa de choque do PT, da UNE & Cia.) tinha criado este duplo exame, e que Lula menosprezou e jogou fora. E foi um erro grave. Retornando ao ponto. A avaliação deve uma para o aluno especificamente, e outra para o estabelecimento de ensino. Num, você mede a evolução individual e pode até aplicar reforços nos pontos mais fracos de cada aluno. Esta avaliação serve mais para consumo interno da escola. Outro, que medirá o estabelecimento de ensino, serve para avaliar o nível de qualidade que a própria está atingindo e também se está conseguindo transmitir os conhecimentos mínimos para o máximo de seus alunos. Claro que haverá em todas as escolas, um contingente abaixo da média, um acima dela, e a coluna do coluna do meio, onde se situarão o grande contingente.
Entretanto, tanto um exame quanto outro, não pode ficar apenas na superficialidade de avaliação. Eles devem conduzir a ações corretivas para que os resultados possam evoluir. Não basta dizer que esta ou aquela é boa ou ruim. Tem que haver um conjunto de ações nascidas destas avaliações para a adequação da escola aos níveis mínimos de eficiência que se exige num satisfatório de desempenho médio. E, por fim, tal avaliação deve ter resultado rápido e, fruto dele, uma readequação necessária rápida também. De que vale em 2010, você debruçar-se sobre os resultados de 2007 ?
Há sim (de novo, olha elas aí), um conjunto de boas intenções que vamos torcer para que aconteçam. Mas alertamos, dentro do que foi apresentado tanto por Lula quanto pelo ministro Haddad, estamos longe de um projeto com a grandeza, ações e programas necessários para permitir uma substancial melhora nos atuais níveis de ensino. Não é apenas dinheiro o problema. Falta-nos um planejamento de longo prazo com a ambição de fornecer o melhor ensino, envolvendo não apenas os agentes nele envolvidos. O que precisa ficar claro é que o movimento tem de ser amplitude nacional e que seja a prioridade número um do gasto público. O movimento tem que envolver um esforço de todo o país. Enquanto ficarmos cada um dando conta apenas do seu bolso para o meu saldo bancário, não se atingirá os objetivos que se deseja. Conclusão: precisamos avançar mais, precisamos ter, para a educação uma ambição com a qualidade da tecnologia atual e a ambição continental do tamanho do Brasil. O PAC da educação de agora, é simplório, pequeno e incompleto, por não abordar as causas principais que tornaram a educação brasileira com tão baixa qualidade. Por enquanto, estamos apenas maquiando soluções sem atacar com a profundidade indispensável numa formação coerente com as necessidades e carências do país em futuro próximo.