sábado, abril 07, 2007

Espírito Santo e crime organizado

Tina Vieira, Informe JB

O Estado do Espírito Santo volta a ser notícia devido ao crime organizado. O site Congresso em foco divulga hoje entrevista com a delegada Fabiana Maioral Foresto. Ela foi a responsável pelo inquérito sobre a morte do juiz Alexandre Martins Filho. Na entrevista, declara que o ex-vereador de Vitória José Coimbra (PSDB) foi o mandante do assassinato do pistoleiro José Carlos Preciosa. A participação de Coimbra no crime confirmaria parte do depoimento prestado por um presidiário conhecido como Thor do Império.

É um depoimento bombástico, no qual são citados até o governador Paulo Hartung (PMDB), reeleito ano passado, e seu então vice-governador, o atual deputado federal Lelo Coimbra (PMDB-ES). Thor conta ter matado Preciosa como queima de arquivo, a mando do ex-vereador, e ter sido orientado pelo próprio Lelo a assumir a versão de autoria do homicídio, desvinculando-a inteiramente das suas motivações reais.

Outro dado torna a história mais cabeluda. Treze dias depois de ouvir Thor, o juiz Alexandre Martins Filho, que integrava uma missão especial de combate ao crime organizado, foi assassinado, em março de 2003. Os executores da morte de Alexandre foram todos identificados e condenados. Os três mandantes, incluindo um juiz e um coronel, têm se valido de recursos diversos para adiar o julgamento.

Agora, diversos membros da Justiça, do Ministério Público e da polícia do Espírito Santo, além de entidades de defesa dos direitos humanos, cobram a reabertura das investigações. A deputada federal Iriny Lopes (PT-ES) quer o apoio do governo Lula para aprofundar o assunto, jogando a apuração para a esfera federal. Até o procurador da República Ronaldo de Meira Albo - que foi o primeiro a denunciar o crime organizado no Estado, num movimento que levou à eleição de Hartung - agora reclama: "O Ministério Público Federal do Espírito Santo está apático".
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Culpa do Bueno
O presidente Lula voltou dos EUA tiririca da vida com o ex-comandante da Aeronáutica brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno. O presidente acha que foi simplesmente sabotado. Tinha dito a Bueno que fizesse a transição do controle do tráfego aéreo do meio militar para um órgão civil, e o então comandante sempre respondia que tudo estava sendo tocado nessa direção. Só agora Lula descobriu que nada foi feito. O presidente concluiu que, na verdade, Bueno era contrário à desmilitarização, assim como boa parte da Aeronáutica. Em vez de fazer o que Lula pedia, o comando da Força só tentava desarticular o movimento dos controladores, colocando os sargentos contra a parede. Até chegar à situação a que se chegou.

Provocação
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, deu a entender ontem, em conversa com repórteres, que está convencido de que - além de ser um direito das minorias - há fato mais do que determinado para que a CPI seja instalada o mais breve possível. O procurador-geral terá de dar parecer sobre a decisão liminar do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, no mandado de segurança da oposição pela instalação da CPI do Apagão Aéreo. Em tempo: Antonio Fernando foi vítima do apagão aéreo total de sexta-feira para sábado. Chegara a Porto Velho (RO), em viagem de trabalho, na quinta-feira, e embarcaria de volta para Brasília às 6h45 de sábado. Ficou 10 horas no aeroporto de Porto Velho.
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Culpa do Gabrielli
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, pode estar bem cotado no Palácio do Planalto, mas anda de mal a pior na bancada do Ceará. A senadora Patrícia Saboya (PSB-CE) atribui a Gabrielli as dificuldades para instalação de uma usina siderúrgica no Estado: "O presidente Lula já mandou fazer, e o corpo técnico da Petrobras tem demonstrado a maior boa vontade. A gente esbarra na má vontade do presidente da estatal. Por causa dele, anda-se um passo para a frente e dois para trás. E a obra está parada há um ano".
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PMDB quer tudo
Com o término da reforma ministerial, Brasília vive em plena temporada de caça a cargos de segundo escalão. O PMDB da Câmara, que acaba de entrar no governo, está exigindo postos na mesma quantidade e da mesma envergadura que os entregues aos senadores do partido. Ou seja, quer duplicar a quantidade de cargos totais do PMDB no governo. O PT e os demais partidos aliados dizem que os deputados do PMDB devem entrar na divisão do butim dos senadores do partido. Nada mais.
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O Lobo que vem
Com 101 deputados, o PMDB da Câmara já não anda mais interessado em receber novas filiações. Cada um que entra pede novos cargos nas comissões da Casa, além de fatias do bolo do partido no Executivo. Já o PMDB do Senado - com 20 senadores e ainda em luta com o antigo PFL (Democratas) para saber qual será definitivamente a maior bancada - está aberto a filiações. Como a do maranhense Edison Lobão (DEM), que anda enfadado de ser oposição.
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Apagão da anistia
Assim que o novo ministro da Justiça, Tarso Genro, foi anunciado, o presidente da Comissão de Anistia, Marcelo Lavanere Vanderley, renunciou ao cargo , seguido por todos os outros membros do colegiado. Como resultado, foram canceladas reuniões programadas para o mês passado. Até agora não se conhece o novo presidente da comissão, e todo o trabalho está suspenso.
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Reforma política
Em audiência ontem com o presidente da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale), Liberman Moreno (PHS-AM), o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse que a reforma política será votada até junho: "Eu e os líderes estabelecemos que o prazo de votação seria até maio, mas tudo atrasou com a crise aérea, a questão da CPI etc. É absolutamente provável aprovarmos até junho". A Unale decidiu que a reforma política será tema da 11ª Conferência Nacional dos Legislativos Estaduais, no Rio Grande do Sul, em maio.