sábado, abril 14, 2007

Governo empurra com a barriga crise aérea

da Folha Online
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O governo Lula "falhou desde o começo" da crise aérea e continua a "empurrar com a barriga" os problemas do setor, na avaliação do jornalista Igor Gielow, 33, secretário de Redação da Sucursal de Brasília. Ele participou de um bate-papo sobre o tema aérea com 273 pessoas nesta quinta-feira.
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"O governo falhou desde o começo da crise, e os recuos dos últimos dias apenas mostram a falta de metas claras para a solução dos problemas", afirmou Gielow durante o bate-papo.
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Para o jornalista, nem os últimos efeitos da crise aérea serão capazes de modificar a atitude do governo. "O governo está empurrando com a barriga e acho que vai continuar tentando fazer isso. Até a próxima crise", afirmou. "Eu não acredito que o governo queira ou aceite aprender algo."
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"Veia sindical"
Gielow disse que o governo "entrou em pânico" durante o apagão aéreo da sexta-feira (30), quando a paralisação dos controladores levou à suspensão das decolagens em todo o país.
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"O envio do ministro [do Planejamento] Paulo Bernardo, sem permitir que o comandante da FAB participasse diretamente da negociação, mostrou-se um erro grosseiro: gerou uma crise militar por quebra de hierarquia. Há quem argumente que o presidente manda na estrutura militar, mas isso é retórico. Militar é militar, não pode ser tratado como operário de fábrica", criticou.

Para ele, o governo federal deixou "a veia sindical" falar mais alto no episódio.
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Ao voltar atrás e recolocar a cúpula da Aeronáutica na negociação com os amotinados, Lula traiu os controladores. "Os controladores se viram sem apoio no governo (que os traiu, estando certo ou não, isso não vem ao caso)."
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No balanço final, segundo o jornalista, todos perderam. "Os controladores perderam poder de barganha, a FAB perdeu de forma institucional, e o governo mostrou o quão volúvel é", disse.
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EmpresasGielow também criticou a postura das empresas na crise: "Até aqui não vi nenhuma companhia tratando decentemente os consumidores, até porque elas acham que não têm a ver com o problema".
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Uma eventual CPI para investigar as causas do apagão aéreo, contudo, pode não ser uma solução. "A CPI pode ter várias utilidades, mas não creio que ela em si vá ajudar em alguma coisa para a solução do problema", afirmou Gielow.